Em um almoço com as jornalistas do setor, ela falou sobre a sua trajetória profissional, o exponencial crescimento da linha de turbos, que quadruplicou desde 2021 na unidade de Itatiba (SP), e muito mais!
Por Karin Fuchs
Em abril deste ano, Melissa Mattedi assumiu o cargo de diretora Geral para Turbos and Thermal Technologies da BorgWarner no Brasil. Casada há 19 anos e mãe de um filho de 17 anos, ela sempre conseguiu conciliar a sua vida pessoal com a profissional e, apesar de sempre ter atuado na área de Finanças, ela sempre quis galgar novos cargos.

Para contar a sua trajetória em um bate papo informal, a equipe de marketing e a assessoria de imprensa da BorgWarner reuniu as jornalistas do setor, em um charmoso restaurante peruano em Campos Elíseos, na região central de São Paulo, chamado AMA.ZO. Lá, Melissa contou, “eu tenho 29 anos de carreira, dez anos no setor automotivo e sete anos na BorgWarner. Eu sempre fui da área Financeira, nunca tinha liderado um time tão grande ou tinha sido responsável pela operação. Eu sempre fui um suporte para os diretores e tive incentivo e coragem para me candidatar à posição e fui a escolhida”.
Ela confessou que pensou em desistir. “Eu assumi esse cargo interinamente em janeiro e oficialmente em abril. Fiquei por três meses até seguir o processo seletivo, pois outros candidatos se inscreveram também. Era eu e mais quatro colegas homens. Eu quase desisti de me inscrever, não sou engenheira, eu sou contadora e administradora. Apesar de estar sempre envolvida no chão de fábrica, dando ideias e o pessoal me ouvindo, achava que era um passo muito grande para mim. Eu recebi muito suporte dentro da BorgWarner, não só das mulheres, mas também dos colegas homens e até do meu marido. E deu certo”.
Em outro momento, no final de 2018, ela também assumiu um cargo interinamente na BorgWarner. Na época, o seu diretor geral, um italiano, lhe perguntou qual posição ela queria além de Finanças e a resposta lhe surpreendeu: ela queria o cargo dele. “Ele tomou um susto e eu expliquei que não me via só em vendas, só em compras, eu gosto de um pouco de tudo, de ver o que está acontecendo e de transitar em todas as áreas. Eu tinha terminado o meu MBA de Gestão Estratégica de Negócios”, recordou.
Em resposta, ele lhe disse que para ser um diretor Geral não bastava apenas querer, tinha que ter alguns requisitos. “Eu escutava que tinha que ser formada em engenharia, ter tantos anos de experiência na operação, tinha uma lista de requisitos. Eu pensava, meu Deus, eu nunca vou ser, e ele me falava o que eu precisava para chegar lá. Quando ele foi transferido para a Itália, ele me colocou no lugar dele interinamente. Ele me ouviu e eu fui aprovada também pelos nossos chefes fora do Brasil”.
Primeiros passos
Bem antes do cargo atual, Melissa teve que conquistar o seu espaço quando chegou na BorgWarner. “Eu nunca fui aquela pessoa de Finanças só atrás da mesa, olhando números, auditoria e papeis. Eu sempre fui muito atuante em colocar a minha opinião para todos os meus diretores gerais, para a melhoria contínua em algum processo da operação. Quando eu cheguei na empresa e tentava falar, muitas vezes, eu era a única mulher no time de liderança, e quando eu dava alguma opinião, nem sempre me ouviam. Mas quando um homem dizia a mesma coisa, todo mundo ouvia. Isso começou a me incomodar e eu adoro desafios”.
Foi então que ela mudou a tática. “Comecei pelas beiradas, alinhando primeiro com o meu chefe, antes de qualquer reunião de liderança. Quando eles começaram a testar o que eu estava falando e vendo que estava dando resultado financeiro, eles começaram a me dar voz de liderança. Eu fui em conjunto com os meus diretores gerais para fazer a mudança que eu queria”.
Nas palavras de Melissa, foram momentos disruptivos, não só na unidade de Itatiba (SP), mas também em outas unidades da companhia. “No final de 2018 e 2019, estávamos recebendo a nossa primeira VP de Operações. Havia mulheres em cargos de liderança, em áreas como RH e Compras, mas não em Operações. E temos uma chinesa nos Estados Unidos, um desafio tremendo para ela, chinesa nos Estados Unidos! Ela é casada, o marido não quis mudar de país, a filha formada em Direito ficou na China e ela foi sozinha”.
O potencial para turbos
De 2021 para cá, a BorgWarner quadruplicou o volume de turbos. “Estamos em fase de crescimento. É um momento que estávamos esperando há muitos anos, por todo o histórico. A BorgWarner sempre esteve muito presente nos caminhões e ônibus, começamos aqui na região com carros de passeios e com um volume muito pequeno. A Volkswagen foi o nosso primeiro cliente, e isso foi crescendo, até entrarmos primeiro na Fiat e depois no grupo Stellantis. Hoje, fornecemos para a Volkswagen, para a Fiat, Jeep, Peugeot e Citröen, o que alavancou o nosso negócio de turbo na planta de Itatiba. Desde 2021 até agora, crescemos quatro vezes em volume e faturamento”, afirmou.
A meta é terminar o ano com um volume de 570 mil turbos produzidos e, no próximo ano, chegar a 600 mil. “Conseguimos aumentar a capacidade da fábrica, porém, o que temos hoje de capacidade instalada atende esse volume. Estamos sempre trabalhando em melhoria contínua para podermos ser mais eficientes e melhorar a autonomia da fábrica. Com o parque fabril que temos hoje, conseguimos atender esse volume tranquilamente, mas provavelmente teremos que abrir um terceiro turno, e a partir do momento que teremos mais demandas haverá a necessidade de aumento de maquinário”, explicou.
O momento, segundo Melissa é superpositivo. “Não só pela mudança de eletrificação, mas principalmente pela descarbonização, o que favorece muito a gente aqui no Brasil e a nossa fábrica também, pois o turbo é realmente comprovado na redução de emissão de gases e dá potência ao carro. A descarbonização é tanto com o nosso turbo híbrido e para o flex, etanol e gasolina. O nosso caminho de turbo ainda é bem longo e frutífero”.
Ela também contou que há três anos a BorgWarner tem um projeto que envolve todas as áreas da empresa, incluindo a Administrativa. “Como crescemos muito, a gente tem feito uma revisão. A gente sabia que viria a primeira explosão, mas não imaginávamos que seria tão forte. Quando aconteceram as primeiras subidas de volume em 2021, começamos a olhar para cada área, para todos os processos, e muito mais para o chão de fábrica, revisando o maquinário, o processo fabril. Investimos muito desde 2020 para atender os volumes, a parte de fluxo de materiais na fábrica e estamos estudando fortemente a parte de logística”.
Nacionalização
A BorgWarner se inscreveu na primeira fase do programa MOVER e agora estuda a segunda fase. Atualmente, 70% do material utilizado nos turbos é importado, percentual impulsionado pelos carros de passeio. “A primeira opção é buscar fornecedores locais e temos também alguns fornecedores grandes e importantes locais. Como muito dos turbos são de projetos que já vêm de fora, é uma continuidade de programa que se estende para uma nacionalização no Brasil, muitas vezes, até desenvolvermos um fornecedor local e trocar, demora mais tempo. Acho que o MOVER veio para fortalecer os fornecedores locais, isso é muito positivo e todo mundo cresce. Esperamos ter mais diversificação e estamos estudando a segunda fase do MOVER”, finalizou.
Na divisão de negócios da BorgWarner, 75% referem-se aos turbos, cerca de 10% correspondem às correntes para a linha Fiat e Renault, as embreagens viscosas, em torno de 7%, e o aftermarket, 8%, engloba todas as divisões da companhia. Tudo isso é produzido na planta de Itatiba.