O Mercosul continua sendo a principal origem das importações, seguido pela Ásia. E no acumulado do ano, o destaque dos emplacados foi para os veículos 100% elétricos
Por Karin Fuchs
A Abeifa divulgou os resultados do mês de setembro e do acumulado do ano das dez marcas por ela representadas. Quando comparado setembro com o mês de agosto, houve uma queda de 10,8% nos emplacamentos, totalizando 8.283 unidades. A Abeifa fechou o mês com uma participação de 3,7% do mercado total de automóveis e comerciais leves, de 222.686 unidades.
Já no acumulado do ano, em relação ao período de janeiro a setembro de 2023, a alta foi de 192,9%, com 72.131 unidades, incluindo importadas e produzidas no Brasil. Com esse resultado, a participação de mercado foi de 4,1% no segmento de automóveis e comerciais leves. No período, a maior participação foi dos eletrificados, com 64.780 unidades emplacadas, deste total, os 100% elétricos representaram 58,3% do total e os híbridos, 41,7%.
Quando comparado ao volume de emplacamentos de eletrificados de todas as marcas, 122.590 unidades, as associadas da Abeifa tiveram uma participação de 52,8% no acumulado do ano. A previsão da Abeifa é terminar 2024 com 96.800 unidades eletrificadas emplacadas, ante 64.780 unidades em 2023.
País de origem
O Mercosul continua sendo a região com o maior volume de importações das associadas da Abeifa, com 48,3% do total nos nove primeiros meses deste ano, seguida pela Ásia (29%), Europa (11,1%), México (10,6%) e Estados Unidos e Canadá (1%). Segundo Marcelo Godoy, presidente da Abeifa, o maior volume proveniente do Mercosul se deve ao acordo comercial de taxação.
“Se abrirmos uma taxação maior para outros países, podemos ter retaliação nesse sentido. Temos que trazer investimentos para o Brasil e os próprios importadores chineses já anunciaram fábricas no País. O nosso maior mantra dentro da Abeifa é criar condições para quem chega de fora fazer negócio e, depois, produzir localmente”, afirmou.
Educar o cliente
Há um movimento encabeçado pela Abeifa para educar o cliente sobre o veículo elétrico, hoje, impulsionado pela compra muito mais por gostar, do que por realmente conhecer o carro. “Já passou o momento de educarmos os clientes sobre os carros elétricos. Ainda temos um espaço gigantesco para crescermos. A participação de mercado dos elétricos não chega a 10% e as informações que têm hoje sobre carros elétricos são negativas”, disse Godoy.
Educação que se resume em disseminar informações sobre a bateria, o recarregamento e uso do carro. “Ainda temos um problema sério no País de recarregamento. Vamos achar soluções, como postos de combustível e hubs”, afirmou Godoy. Ele também esclareceu que a durabilidade da bateria é entre 15 e 20 anos e que quando algum módulo é desgastado é feita a sua troca e não de toda a bateria.
Quanto à reciclagem, o tema está sendo regido pelo Governo Federal, o que traz oportunidades de negócios devido aos seus insumos. “O brasileiro é criativo e empreendedor. Quando tiver uma demanda por reciclagem de bateria, será criado um negócio para isso”, enfatizou Godoy.
Pleitos
A Abeifa continua aguardando uma definição sobre a questão da importação independente; artigo 4º do Programa Mover. “Ela abre espaço para o tratamento não-isonômico, já que as marcas aqui representadas oficialmente investem pesadamente em infraestrutura de rede de concessionárias para o atendimento a seus clientes”, afirmou Godoy.
A eventual elevação imediata para 35% da alíquota do Imposto de Importação para veículos eletrificados também não é bem-vista, uma vez que muda a regra do jogo. O seu escalonamento até julho de 2026 já foi aceito pela Abeifa. “Nos últimos anos, representantes da indústria local e o Governo Federal sustentaram o argumento da previsibilidade como fator primordial do crescimento setorial, o que nós concordamos”, disse o executivo. E, ainda, a questão da incidência do imposto sobre a aquisição de veículos eletrificados, prevista na Reforma Tributária em tramitação no Congresso Nacional.







