Fabricantes de pneus são impactadas pelo preço dos insumos importados

Preços que podem estar sendo elevados artificialmente, conforme constatação de estudo da Charles River Associates (CRA)

Por Karin Fuchs

Os principais pleitos incluem um exame mais rigoroso por parte do Governo Federal sobre eventual elevação artificial dos preços dos insumos que as empresas multinacionais instaladas aqui no Brasil importam

Um estudo da Charles River Associates (CRA), consultoria global com sede em Boston, a pedido da Sunset Tires, aponta que as indústrias multinacionais de pneus instaladas no Brasil pagam, em média, 22% a mais por insumos importados do que as empresas que não são fabricantes de pneus. E, ainda, os preços dos insumos importados para a fabricação de pneus no Brasil podem estar sendo elevados artificialmente.

Nesta entrevista, Samer Nasser, diretor de Relações Institucionais da Sunset Tires, explica o quanto essa diferença de preço do insumo importado impacta nas operações das empresas de transportes, no bolso do consumidor e quais têm sido os pleitos para mudar esse cenário. Confira!

Samer Nasser, diretor de Relações Institucionais da Sunset Tires

Balcão Automotivo – Essa diferença de preço dos insumos importados para a fabricação de pneus no Brasil sempre existiu ou tem se agravado?

Samer Nasser – O que observamos, por meio do estudo realizado pela Charles River Associates (CRA), é que pode haver elevação artificial no preço dos insumos importados pelas indústrias multinacionais fabricantes de pneus instaladas no Brasil. Isso ocorre especialmente quando o insumo parece ser importado de uma empresa do mesmo grupo econômico. Neste caso, observa-se que a diferença pode chegar até 46%. Por se tratar de commodities, não era de se esperar diferenciação no custo dos insumos importados. Ou seja, o estudo aponta que os fabricantes de pneus no Brasil podem estar pagando mais por determinados insumos do que os demais importadores. Essa prática parece elevar artificialmente o custo das matérias-primas, dando a impressão de que o custo de produção é mais elevado do que realmente é​.

BA – O quanto essa diferença de 22% impacta na competitividade das fabricantes de pneus no Brasil em relação às importadoras?

SN – Essa diferença nos preços dos insumos é significativa e impacta principalmente o consumidor. Ou seja, se os fabricantes de pneus no Brasil estiverem pagando mais por determinados insumos do que os demais importadores, essa prática pode elevar artificialmente o custo das matérias-primas, o que pode servir como justificativa para aumentar o preço dos pneus fabricados no Brasil. Isso pode impactar diretamente o consumidor, que pagará mais caro pelos produtos.

BA – E o quanto impacta nas operações das empresas de transporte no Brasil?

SN – O pneu é o segundo maior custo do transporte brasileiro, perdendo apenas para o diesel. Um aumento nos custos dos pneus impacta diretamente as operações das empresas de transporte. Desta forma, os caminhoneiros e transportadores, que já enfrentam altos custos operacionais, poderão ser forçados a repassar os custos, elevando o preço dos serviços de transporte e, consequentemente, o preço dos produtos e a inflação.

BA – Finalizando, quais têm sido os principais pleitos do setor para mudar esse cenário?

SN – Os principais pleitos incluem um exame mais rigoroso por parte do Governo Federal sobre eventual elevação artificial dos preços dos insumos que as empresas multinacionais instaladas aqui no Brasil importam. Muitas vezes, essas indústrias utilizam o argumento da diferença de custos para pleitear aumentos na alíquota do Imposto de Importação para pneus, como ocorreu recentemente. Precisamos de condições justas de concorrência e defender a viabilidade econômica do transporte rodoviário, sem impor custos desnecessários ao setor, para não prejudicar a economia como um todo em favor de algumas empresas que enfrentam desafios de competitividade.

 

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