Indústria automotiva celebra um ano histórico e com o maior crescimento entre os dez principais mercados globais

Os volumes de vendas, emplacamentos e produção são positivos, com marcos e recordes. A Fenabrave projeta um crescimento de 16,8% neste ano e a Fenauto, chegar à marca de 15.500.000 de veículos transacionados

Por: Karin Fuchs

A indústria automotiva tem muito a comemorar com os resultados deste ano e lidera o crescimento de vendas de veículos entre os dez maiores mercados globais. Pelo balanço da Anfavea, no 2º semestre foram 1.511.000 de veículos leves e pesados emplacados, 32% acima do semestre anterior, e o melhor 2º semestre dos últimos dez anos, voltando aos níveis pré-pandemia. Vale destacar que novembro, com uma média diária de 13,1 unidades emplacadas, foi a melhor média diária para o mês dos últimos dez anos.

Para o término de 2024, a Anfavea prevê um volume de 2.654.000 unidades emplacadas, sendo 2.508.000 do segmento de leves, e o crescimento será 15% acima de 2023, enquanto a previsão para o Canadá é de um crescimento de 10,5%, de 9,4% para o México, China, 3,8%, Índia 3,4%, Estados Unidos, 2,8% e de 2,5% no Reino Unido. Japão, França e Alemanha terão queda de vendas, de 7,2%, 3% e 0,4%, respectivamente.

No segmento de veículos leves, os SUVs se mantêm na liderança desde 2021, chegando ao final deste ano com uma participação de 37,5%. Ao contrário a participação de veículos hatch vem caindo, mas seguem em segundo lugar com 27,7% do mercado, na sequência, sedã tem uma fatia de 11,9% e picapes, 19%, crescendo ano a ano.

Segundo Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, o resultado para 2024 poderia ser ainda melhor, se a taxa Selic não tivesse passado de 9,25% a.a., no início de 2024, para 12,5% a.a., atualmente. “Poderíamos chegar à marca de 3.000.000 de veículos emplacados neste ano”, afirmou. Um volume que a entidade prevê que será atingido em 2025.

Balanço Geral – Foto: Divulgação

 

Outros marcos

Entre outros marcos deste ano, o setor automotivo teve o maior crescimento desde 2007, o maior ciclo de investimentos, superior a R$ 180 bilhões, e a geração de 100.000 empregos, totalizando 1.300.000 em toda a cadeia automotiva. Quanto aos investimentos, disse o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, “é o maior ciclo de investimentos da história do setor automotivo. As empresas de autopeças estão dando um show, são mais de R$ 50 bilhões em investimentos. Isso mostra como estamos indo para a produção de novas tecnologias”. 

Destaque também para a produção, totalizando 1.436.000 unidades no 2º semestre, 26,2% acima do 1º semestre. Para o acumulado do ano a previsão é de 2.574.000 unidades produzidas, 10,7% acima de 2023, e com alta em todos os segmentos. Já as exportações seguem crescendo. Foram 238.000 unidades no 2º semestre, 44,2% superior ao semestre anterior. Por outro lado, as importações têm avançado mais, somando 265.000 unidades no 2º semestre, 34,2% acima do 1º semestre.

A alta nas importações foi puxada por veículos vindos de fora do Mercosul, principalmente, da China. “A participação de 17,4% dos importados nos emplacamentos é a maior dos últimos dez anos, sendo que 1/3 foi trazido por empresas que não produzem no Mercosul”, disse Leite.

Ainda de acordo com ele, pelas projeções entre volume de emplacamentos de importados, 463.000 unidades, e de 403.000 unidades exportadas, neste mês de dezembro será a primeira vez que a balança comercial do setor ficará negativa em 10 anos. “É um cenário que requer atenção, pois ele não pode ser uma tendência. Tem que ser algo pontual”, declarou.

Projeções 2025 – Foto: Balcão Automotivo

Emplacamento de autoveículos importados

A Anfavea prevê que até o final do ano serão aproximadamente 500.000 veículos importados emplacados, bem acima das 352.000 unidades em 2023. “Até novembro foram 463.000, mas ainda tem entre 60.000 e 70.000 nos estoques dos importadores, que ainda não foram emplacados”, especificou Leite. Entre os importados, a participação de países extra Mercosul + México é de 38,5%, ante 25,3% em 2023 e 17% em 2022.

A Argentina ainda é o principal país de origem para o Brasil, no acumulado do ano até novembro, vieram de lá 198.563 unidades, 1% acima do mesmo período do ano anterior. Já as importações da Chine tiveram um crescimento de 229%, na mesma base comparativa, totalizando 105.763 unidades. A cada dois carros importados fora do Mercosul, um vem da China.

Eletrificados

Também pelo balanço da Anfavea, os veículos puramente elétricos vêm perdendo participação nas vendas entre os eletrificados. No mês de outubro houve uma inversão da curva e a liderança passou a ser dos híbridos. Ainda assim, pelos resultados do 1º semestre, das 175.500 unidades emplacadas previstas até o final deste ano, serão 63.100 unidades de elétricos, 57.000 híbridos plug-in e 55.000 híbridos.

Pesados

Começando por caminhões, foram 10.700 unidades emplacadas em novembro, com uma média diária de 535 unidades. “A expectativa é fechar o ano com 124.200 unidades, 15% acima de 2023. Comparado a 2021 e 2022, retomamos à normalidade”, comentou o vice-presidente da Anfavea, Eduardo Freitas. Vale lembrar que 2023 foi atípico para o segmento de caminhões, pela mudança de tecnologia para o Proconve P8. Por segmento, caminhões pesados representam 50% dos emplacamentos, semipesados 28,1% e semileves, leves e médios, 21,8%.

Ônibus totalizaram 1.990 unidades emplacadas em novembro. No acumulado do ano até novembro, supera 21.000 unidades, o melhor resultado desde 2014. “A nossa projeção é fecharmos o ano em 22.200 unidades emplacadas. Se somarmos projeções de emplacamentos de caminhões e ônibus, vamos chegar a aproximadamente 146.000 unidades, dentro do que a Anfavea projetou no início do ano”, disse Freitas.

Quanto à produção, a Anfavea prevê um crescimento de 41,1% para caminhões, quando comparado a 2023, com 141.900 unidades produzidas. Para ônibus a estimativa é de 27.600 unidades, 33,8% acima do ano passado.

Emplacamento Pesados – Foto: Divulgação

Desempenhos na rede de concessionárias

Pelo balanço da Fenabrave, no acumulado do ano até novembro, 4.315.803 veículos foram emplacados, 16,41% acima do mesmo período de 2023, incluindo, leves, pesados, motos, implementos rodoviários e outros. Deste total, automóveis e comerciais leves responderam por 2.241.098 unidades, 15,43% a mais do que janeiro a novembro de 2023. Caminhões e ônibus por 136.019 unidades, 16,58% acima do acumulado de janeiro a novembro de 2023.

Segundo o presidente da entidade, Andreta Jr., “temos o melhor acumulado para o período desde 2014 (4.583 milhões de unidades, em 2014) e caminhamos para um crescimento projetado de quase 17%, com altas importantes em quase todos os segmentos, exceto implementos rodoviários e máquinas agrícolas”. Sobre o segmento de veículos leves, disse ele, “o crédito tem um papel importante nesses números. Tanto as vendas varejo quanto corporativas vêm sendo positivas e acima das nossas expectativas iniciais, o que indica que devemos alcançar nossas projeções e fechar o ano com mais de 2,5 milhões de automóveis e comerciais leves emplacados neste ano”.

Somente no mês de novembro foram 241.000 automóveis e comerciais leves emplacados, 3,48% abaixo do mês anterior e 19,62% acima do mesmo mês de 2023. No segmento de pesados, com 12.311 unidades, o volume de emplacamentos foi 12,39% maior do que novembro de 2023, porém, 18,5% inferior ao mês anterior. Vale destacar que novembro tem 4 dias úteis a menos que outubro. Para o fechamento do ano, a Fenabrave projeta um crescimento de 16,8% sobre 2023, acima dos 16,7% previstos em julho.

Desempenho de vendas – Foto: Divulgação

Seminovos e usados

Nas lojas independentes representadas pela Fenauto, no acumulado do ano até novembro, 14.303.158 unidades foram transacionadas, 9,5% acima do mesmo período de 2023. Em novembro, com quatro dias úteis a menos que outubro, houve uma queda nominal de 12,2%, mas manteve um resultado positivo, na média por dia útil, de 6,3%. Quando comparado a novembro de 2023, houve um crescimento de 5,2%, tanto em números absolutos como na média por dia útil. A expectativa é fechar o ano com novo recorde de venda.

Segundo o presidente da Fenauto, Enilson Sales, “estamos na reta final do ano e, normalmente, como sempre acontece nesta época, a procura por veículos sempre aumenta, com as promoções feitas pelas lojas e a injeção do 13º salário na economia. Com isso, esperamos alcançar um novo recorde de vendas, atingindo algo perto de 15,5 milhões de veículos no ano”.

 

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