Você sabe o que é salário emocional?

Importante para a saúde mental e o bem-estar dos colaboradores, o salário emocional promove qualidade de vida no trabalho, senso de pertencimento, desenvolvimento pessoal e profissional, motivação e criação de objetivos

Por: Karin Fuchs

O conceito de salário emocional, que nada mais é do que os incentivos motivacionais que as empresas oferecem para seus colaboradores, além do salário monetário, vem ganhando cada vez mais relevância no mercado de trabalho e se tornando um diferencial estratégico para atrair e reter profissionais. Para adotarem o salário emocional, a headhunter na Gi Group Holding, Juliana Bertoni, sugere algumas ações.

“Reconhecer o bom desempenho do colaborador em público, seja em reuniões de equipe ou por meio de ações como apresentações de “Funcionário do Mês” e comunicados internos, por exemplo, pode ser motivador. Oferecer treinamento específico para o varejo (por exemplo, curso de vendas e de experiência do cliente), benefícios adicionais (como desconto em produtos da loja), ambiente de trabalho agradável (levando em conta que no varejo é comum que os colaboradores passem longas horas em pé, é importante oferecer áreas de descanso) e, quando possível, flexibilidade de horários, são outras formas de oferecer salário emocional”, detalhou.

Headhunter na Gi Group Holding – Juliana Bertoni: Foto: Divulgação

Saúde mental

Importante para a saúde mental e o bem-estar dos colaboradores, por promover qualidade de vida no trabalho, senso de pertencimento, desenvolvimento pessoal e profissional, motivação e criação de objetivos, o salário emocional pode ser adotado por meio de benefícios, que ajudam os colaboradores a gerenciarem melhor suas responsabilidades pessoais e profissionais, tais como horários flexíveis, programas de bem-estar e de desenvolvimento de carreira.

Segundo Juliana, “um salário digno, por si só, é fundamental para que a saúde mental do colaborador uma vez que ele precisa ter condições financeiras para se alimentar bem, praticar exercícios físicos, fazer exames de rotina e ter atividades de lazer. O salário emocional contribui significativamente para que o colaborador se sinta amparado dentro do ambiente de trabalho, possuindo os recursos necessários para atuar de forma mais dinâmica, proativa, sabendo gerenciar melhor as situações de pressão, inerentes ao negócio”.

Retenção de talentos

Além da remuneração financeira, disse Juliana, “as pesquisas mostram que

fatores como reconhecimento, qualidade de vida no trabalho e oportunidades de desenvolvimento são itens nos quais os candidatos às vagas prestam muita atenção. Um estudo recente da Gi Group Holding mostrou que o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é considerada a característica mais importante do emprego ideal, antes mesmo da boa remuneração fixa. Nesse estudo, foram entrevistadas 3.300 pessoas entre 24 e 40 anos em 12 países, incluindo o Brasil. Ou seja, na hora de optar por uma ou outra empresa, existe a possibilidade de o profissional escolher aquela que oferece mais benefícios em termos de flexibilidade, liderança humanizada e benefícios extras, comparada com uma que ofereça um salário monetário maior, mas não se preocupa com o bem-estar do funcionário. Os benefícios do salário emocional podem trazer vantagens para a empresa, pois as habilidades dos colaboradores são aprimoradas e a satisfação e a motivação melhoradas, aumentando a produtividade e reduzindo a chance de turnover”.    

Transformação na gestão de pessoas

Nos últimos anos, conforme posto por Juliana, a gestão de pessoas passou por transformações significativas, impulsionadas por fatores como a digitalização, a diversidade e a inclusão, e a crescente valorização do bem-estar dos colaboradores. A adoção de tecnologias de recursos humanos, como ferramentas de análise de dados e plataformas de comunicação, permitiu uma gestão mais eficiente e personalizada do capital humano.

“Além disso, as empresas têm se esforçado para criar ambientes de trabalho mais inclusivos e flexíveis, reconhecendo a importância de atender às necessidades individuais dos colaboradores. Essa mudança de foco não apenas melhora a satisfação e a retenção de talentos, mas também contribui para um ambiente organizacional mais inovador e colaborativo. Em resumo, a gestão de pessoas evoluiu para ser mais centrada no ser humano, promovendo um equilíbrio entre resultados organizacionais e o bem-estar dos colaboradores”, acrescentou Juliana. Confira a seguir as tendências para este ano, especificadas por ela.

Tendências para 2025

Flexibilidade: O modelo híbrido e a possibilidade de personalizar a rotina de trabalho continuarão a ser uma demanda crescente. Estudos indicam que trabalhadores valorizam a autonomia para decidir como e onde realizar suas atividades, especialmente em setores que permitem esse nível de flexibilidade.

Bem-estar mental e emocional: Programas de saúde mental deixam de ser apenas um benefício opcional e se tornarão um pilar estratégico para as organizações. Investimentos em terapia, coaching e iniciativas de mindfulness entram no topo da lista de desejos dos trabalhadores.

Desenvolvimento de carreira e aprendizado contínuo: O avanço da inteligência artificial e a automação estão remodelando o mercado de trabalho. Os profissionais passam a buscar empresas que ofereçam oportunidades de aprendizado e desenvolvimento de habilidades, garantindo sua relevância em um ambiente altamente competitivo.

Diversidade, equidade e inclusão (DEI): Trabalhadores esperam que as empresas não apenas promovam políticas de DEI, mas que implementem ações concretas e transparentes. Ambientes diversos e inclusivos serão um diferencial decisivo para atrair talentos.

Propósito alinhado aos valores pessoais: As novas gerações, especialmente Millennials e Gen Z, estão buscando empregadores que compartilhem valores éticos e ambientais. O ASG (Ambiental, Social e Governança) terá um papel central na escolha de empregos. Para atender às expectativas dos trabalhadores, as empresas precisarão repensar suas estratégias de gestão de pessoas. O salário emocional não deve ser tratado como um ‘extra’, mas como parte integrante da proposta de valor ao colaborador.

Ouvir os profissionais, personalizar os benefícios e adotar uma abordagem empática e humanizada serão os caminhos para construir ambientes corporativos que inspirem confiança e lealdade. Em um mercado cada vez mais competitivo, o salário emocional será a chave para atrair e reter os melhores talentos. Afinal, no futuro do trabalho, não se trata apenas de quanto se paga, mas de como se cuida.

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