Em vigor a partir do próximo ano, ela demandará ajustes nas operações e no gerenciamento de recursos, ao mesmo tempo em que a tecnologia se faz cada vez mais prioritária na relação com consumidores e parceiros
Por: Karin Fuchs
Em 2026, entrará em vigor a Reforma Tributária e as empresas varejistas precisam se adaptar, uma vez que terão novos desafios, demandando ajustes nas operações e no gerenciamento de recursos. Essas transformações serão essenciais para redesenhar estratégias e fortalecer os laços entre empresas, clientes e parceiros. Nesta entrevista, Luan Stocco, CTO da vhsys, empresa de tecnologia especializada em soluções de gestão empresarial online, falou sobre a adequação aos novos regimes de tributação e investir em tecnologias que otimizem processos e melhorem a experiência do consumidor.
Balcão Automotivo – Quais são os principais desafios para o varejo com a Reforma Tributária?
Luan Stocco – A principal questão é a adequação aos novos regimes de tributação, que trarão impactos significativos, entre eles, os preços de produtos e serviços. Diversas categorias de produtos ou matérias-primas deverão enfrentar aumentos. Além disso, a complexidade da transição, que se dará ao longo de até 10 anos, pode gerar desafios mais complicados no futuro. A adaptação gradual requer atenção e preparação contínuas para minimizar os impactos ao longo do tempo.

BA – De que forma o varejo pode e deve equilibrar inovação tecnológica e gestão eficiente?
LS – Investir em tecnologias que otimizem processos e melhorem a experiência do consumidor é fundamental. Não se pode negligenciar os controles operacionais, que se tornam cada vez mais essenciais para garantir a saúde do negócio, principalmente em tempos de tantas mudanças fiscais. Pequenas empresas, em especial, enfrentam o desafio de equilibrar a adoção de novas soluções com uma gestão eficiente e bem estruturada, garantindo que a inovação esteja sempre alinhada às necessidades reais do dia a dia.
BA – Quais ferramentas os varejistas podem utilizar, principalmente na gestão da empresa e, consequentemente, na redução de custos e de erros?
LS – Existem diversas ferramentas que auxiliam na gestão, como ERP, CRM, sistemas de automação, BI e plataformas de gestão de estoque, vendas e financeiro. Ter um controle financeiro bem estruturado será cada vez mais essencial, pois cada vez menos empresas terão sucesso se isso não acontecer de maneira muito bem-organizada. Sair da informalidade, como o uso de planilhas e anotações manuais, é fundamental, pois esses métodos limitam a visão sobre o faturamento, margem de lucro e outros indicadores importantes.
Sem esses dados organizados, é mais difícil identificar gargalos operacionais, controlar custos e tomar decisões estratégicas para o crescimento do negócio. Com o uso de tecnologia, especialmente um sistema de gestão bem implementado, é possível centralizar informações e garantir maior eficiência, organização e redução de custos no longo prazo.
BA – O que podemos destacar que serão diferenciais competitivos diante do consumidor?
LS – Atendimento personalizado, sem dúvida, é um ponto forte. Outro diferencial é o omnichannel, que já não é mais só uma tendência, mas uma necessidade para quem quer crescer. E, claro, pensar na experiência do cliente como um todo: desde o momento da venda até o delivery e a entrega. Tudo precisa funcionar bem, de ponta a ponta, para garantir que o cliente saia satisfeito.
BA – E quais erros os varejistas não podem cometer para não perderem competitividade?
LS – O principal erro é não ter os controles e o planejamento necessários. Não se planejar para a transição tributária, atrasar investimentos em tecnologia e controles, ou ignorar tendências de mercado são falhas graves. Todo empreendedor precisa ter total domínio sobre sua operação. Sem controle financeiro bem alinhado, fica impossível saber faturamento, despesas, receitas, custos e margem de lucro, e isso leva a decisões erradas. Sem esses números na ponta da língua, o negócio entra numa espiral negativa, sem saída para crescer. Não dá para improvisar quando o mercado exige cada vez mais organização e estratégia.
BA – Finalizando, a Reforma Tributária começa a vigorar no próximo ano, quais dicas podemos dar para os varejistas não deixarem para se adaptarem na última hora?
LS – A principal dica é estudar as mudanças o quanto antes. Entender como a Reforma vai impactar o seu negócio especificamente é essencial, porque alguns nichos terão mudanças drásticas de tributação. Para evitar surpresas desagradáveis, busque ajuda de um contador ou uma consultoria especializada, ajuste seus sistemas fiscais e contábeis, e organize os processos internos da empresa. Deixar para última hora pode gerar problemas financeiros e operacionais. Quem se adaptar antes sai na frente.