BA|223 Pé cravado na gestão: a mentalidade de corrida aplicada ao comando de equipe

Como piloto, meus resultados vinham da preparação: planejar, estudar adversários, analisar corridas anteriores. Como dono de equipe, a base continua a mesma — só que com mais variáveis para administrar. A diferença agora é que lidero pessoas, e isso exige ainda mais disciplina, foco e paixão. Ter ao lado quem compartilha da mesma mentalidade é fundamental. Vontade de vencer, espírito de equipe, disciplina. São qualidades essenciais tanto nas pistas quanto na gestão. E sigo com as mesmas empresas parceiras, buscando dar retorno dentro e fora das pistas, com resultado esportivo e ativações de marca. Ser piloto é ser atleta de alta performance. E cobro isso da Maria Nienkötter, jovem piloto da equipe: preparação física, técnica, alimentação e foco total. Em um mundo cheio de distrações, especialmente nas redes sociais, manter a concentração se tornou ainda mais desafiador. Comparações constantes e informações distorcidas afetam a motivação. Por isso, disciplina e mentalidade forte são mais importantes do que nunca. Sempre digo: a verdadeira vontade de vencer aparece quando ninguém está olhando. Não basta mostrar disposição no fim de semana da corrida. É na rotina que o campeão se forma — na segunda-feira, nos treinos, nos estudos, na vida regrada. Minha experiência como piloto hoje me ajuda na tomada de decisões rápidas e estratégicas. Consigo orientar com base no que já vivi nas pistas. Isso se traduz em decisões técnicas e esportivas mais seguras, além de maior atenção aos detalhes — essenciais quando se corre no limite. Planejamento é tudo. Analisar dados das corridas anteriores, entender o acerto ideal, estudar o traçado. Mas também é preciso ser realista. Em San Juan (Argentina), por exemplo, a Maria correu numa pista que nunca tinha visto. Pouco treino, muita pressão. Não dá para exigir o mesmo de quem já correu lá várias vezes. O gestor precisa traçar metas possíveis e manter o time motivado. Nosso maior desafio é manter todos na mesma sintonia. Mesmo com os contratempos — que sempre virão — é preciso manter a energia da equipe alinhada, sem perder a vontade de evoluir e ajudar quem está ao lado. Porque ninguém vence sozinho. Trabalhar com margem mínima de erro exige precisão e empatia. Um pneu calibrado com uma libra errada, dois milímetros fora no alinhamento — isso muda tudo. A pressão é enorme. Mas errar faz parte. Todos erramos. O importante é aprender com isso e seguir ajustando para errar cada vez menos. Essa é a essência do nosso trabalho: pé cravado no acelerador, foco no detalhe e uma equipe que respira o mesmo propósito.

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