O fim de semana passou, mas a frustração ainda pesa. A raiva deu lugar à reflexão, mas ficou aquele gosto amargo. Eu sabia da penalização — a minha equipe tinha me avisado no rádio —, mas escolhi continuar. Me sugeriram recolher o caminhão pra preservar pra segunda corrida, mas preferi seguir até o fim. O Salú fez o mesmo: foi punido por fumaça, voltou e chegou em quinto. Eu queria tentar também.
O que mais me abalou foi a batida — e o motivo dela. O outro piloto sabia que eu estava punido, já tinha me superado na prática. Mesmo assim, forçou uma ultrapassagem que não fazia sentido. Faltou bom senso. Durante toda a prova, eu não encostei em ninguém. Todo mundo quer vencer, claro. Mas há limites. E ele ultrapassou.
Fui até o boxe dele depois. Desabafei. A batida me tirou da corrida, travou o escapamento e apagou o motor. Tive que ser guinchado até um ponto isolado, onde assisti ao fim da prova no meio da grama. Só pensava: “Poderia ter sido tão diferente”.
Estávamos bem. Mesmo com a punição, eu queria cruzar a linha de chegada, dar o último aceno pra torcida. Mas nem isso foi possível. Agora é virar a página. Se São Paulo trouxe frustração, Londrina trouxe orgulho. Foi lá que conquistei minha primeira vitória da temporada — e o fim de semana começou difícil, com dificuldade pra acertar o caminhão e lidar com a fumaça. Mas, do sábado pro domingo, tudo mudou. Acertamos a calibração, virei o segundo melhor tempo no warm-up com chuva e largamos com pneus de chuva na dianteira, mesmo com a pista secando. Deu certo. O caminhão rendeu, fomos ganhando posições com estratégia e fizemos uma corrida limpa e segura. Era pra ter repetido em São Paulo, onde já venci duas vezes. Mas faz parte. Corrida é isso: emoção, técnica e, às vezes, frustração. Agora é focar no que vem pela frente. Vamos com tudo!
FORA DE TARUMÃ, MAS FIRME NA RECUPERAÇÃO
Fala, pessoal! Infelizmente, estive fora de Tarumã (RS), quarta etapa da Copa Truck. Sofri um acidente durante um treino de kart — em 35 anos de pista, nunca tinha me machucado. Mas dessa vez, fui lançado contra uma pilha de pneus e acabei fraturando algumas costelas. Estou bem, em recuperação, mas com bastante dor. Agora é seguir as orientações médicas à risca e focar na recuperação. Enquanto isso, quem assume o caminhão é o piloto Rafa Lopes, que correu com o número 8, representando a Odapel e todos os nossos patrocinadores. Estivemos muito bem representados. Obrigado pelo apoio de sempre! Logo, logo estarei de volta. Grande abraço e fiquem com Deus!