BA|228 Elas já estão no balcão e na decisão de compra. Você percebeu?

Por muito tempo, acreditamos que o aftermarket automotivo era um território naturalmente masculino: balcões cheios de homens, oficinas chefiadas por homens, negociações conduzidas por homens. Mas, silenciosamente, a realidade mudou — e muita gente ainda não percebeu. Segundo a consultoria Frost & Sullivan, presente no Brasil e especializada em mobilidade, as mulheres influenciam entre 70% a 80% das decisões de compra relacionadas a veículos, manutenção e serviços do setor.

Elas escolhem a oficina de confiança, decidem onde fazer a revisão do carro da família, indicam a loja de autopeças e, muitas vezes e, por quê não dizer, estão no comando da loja ou da oficina. Ignorar esse público não é apenas uma questão de falta de visão: é desperdiçar oportunidades de crescimento que já estão acontecendo.

Empresas que entendem como as mulheres decidem e ajustam linguagem, ambiente e produto conquistam mais do que clientes, conquistam comunidades. E comunidades compram de quem confiam. Decisões de compra são emocionais antes de serem racionais. Quando o atendimento gera segurança, pertencimento e respeito, a mente do consumidor reduz a sensação de risco. É assim que a confiança se transforma em hábito de compra.

Não é teoria distante. Centros automotivos que criaram espaços mais acolhedores e treinaram equipes para uma comunicação transparente aumentaram a taxa de retorno e o ticket médio em até dois dígitos. Distribuidores que começaram a incluir técnicas e gestoras de compras em treinamentos viram crescimento nas recompras. Fabricantes que deram visibilidade às engenheiras e técnicas em suas campanhas fortaleceram a marca e ganharam espaço nas negociações.

Carla Nórcia, Ceo da Insigh Trade e presidente da AMMA – Foto: Divulgação

Estudos da McKinsey apontam que empresas com liderança diversa têm entre 15% e 25% mais probabilidade de superar a lucratividade média do setor, confirmando que diversidade é um diferencial competitivo. É simples: quando quem decide a compra se vê representado, confia mais, compra mais e indica mais. No aftermarket, onde margens são apertadas e a concorrência não está para brincadeira, a próxima grande vantagem competitiva não virá de incentivos fiscais, mas de enxergar os públicos que já pagam a conta.

Alguns ainda tratam a inclusão como custo ou pauta social. Mas já há quem entenda que o verdadeiro custo está em não perceber a diversidade como estratégia.

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