BA|229 Vendedor de autopeças: Os desafios e os encantos da profissão

Muitas são as histórias do dia a dia de quem está à frente com o cliente, representando um setor que só cresce e move o País, e que requer muito conhecimento técnico e contínuo.

No mês em que se celebra o Dia do Balconista de Autopeças, em 26 de novembro, dedicamos a matéria de capa desta edição a esse profissional que tanto contribui para o fortalecimento e o desenvolvimento do setor automotivo, transmitindo conhecimento e confiança aos clientes, impulsionando os resultados e lucratividade para as lojas e, ao mesmo tempo, se superando diariamente – não apenas no balcão, mas também na constante busca por atualização em um mercado que não para de evoluir.

Muito mais do que atendimento, o balconista de autopeças é um consultor de soluções. “O balconista de autopeças é o maior ativo estratégico de uma loja de autopeças. Para ilustrar sua importância, no meu curso, o ‘Balconista de Alta Performance’, eu o defino como “O vendedor de autopeças é um profissional crucial na ligação entre consumidores e o vasto mercado de peças automotivas. Sua principal função é acolher os clientes, identificar suas necessidades e comunicar-se de forma clara para facilitar a melhor escolha”. O balconista não é um mero atendente. Ele atua como um agente de confiança, cuja primeira missão é entender não apenas o problema técnico do veículo, mas também o estado emocional do proprietário”, disse Francisco Gomes, consultor e instrutor do Curso de Balconista de Alta Performance.

Francisco Gomes, consultor e instrutor do curso
Balconista de Alta Performance – Foto: Divulgação

“O balconista de autopeças é o maior ativo estratégico de uma loja de autopeças. Para ilustrar sua importância, no meu curso ‘Balconista de Alta Performance’, eu o defino da seguinte forma: ‘O vendedor de autopeças é um profissional crucial na ligação entre consumidores e o vasto mercado de peças automotivas. Sua principal função é acolher os clientes, identificar suas necessidades e comunicar-se de forma clara para facilitar a melhor escolha’.”

Francisco Gomes, consultor e instrutor do curso Balconista de Alta Performance

Segundo ele, como verdadeiro especialista na relação, o vendedor deve se colocar no lugar do cliente, transformando essa ansiedade inicial em segurança através de uma abordagem empática e atenta. “É esse acolhimento que define a imagem da loja e constrói a base para toda a experiência. E ao executar bem os papéis de acolhimento e de consultor técnico, o balconista se revela como o verdadeiro pilar estratégico para os resultados da loja. Um cliente que se sente compreendido e tem seu problema resolvido com precisão volta sempre, transformando-se em receita recorrente. Em segundo lugar, ele impacta diretamente a lucratividade. Um balconista de alta performance conhece as margens dos produtos, sabe quando oferecer um item de maior valor agregado e identifica oportunidades para vendas complementares, que garantem a qualidade do serviço e aumentam o ticket médio”, explicou.

Digitalização, uma transformação profunda

 

Carlos Renir Teixeira, da Renir Peças,
de Acopiara (CE) – Foto: Divulgação

Gomes também comentou o quanto a digitalização e a evolução do setor automotivo estão provocando uma transformação profunda, que vai muito além das ferramentas de busca de peças. “Elas estão redefinindo o papel, o valor e as expectativas sobre o vendedor de autopeças. O profissional que antes se diferenciava pelo acesso exclusivo a catálogos físicos e pelo conhecimento memorizado, hoje precisa ser muito mais. Eu divido essa mudança em duas grandes frentes: antigamente, o balconista era o detentor da informação. Hoje, a informação é um oceano. Com isso, a expectativa mudou. O cliente não quer mais apenas a informação, ele quer validação e clareza. O profissional moderno precisa saber navegar nesse volume de dados, filtrar o que é correto, corrigir equívocos e atuar como um facilitador técnico. Ele é quem diz: “Entendi o que você viu naquele vídeo, mas para o seu modelo específico, o detalhe crucial é este, e a peça correta é esta outra””, afirmou. Neste universo de multicanalidade, Gomes falou sobre as novas exigências aos vendedores e que a digitalização não ameaça o bom profissional. “A nova expectativa é que o profissional tenha fluidez digital. Ele precisa ser ágil para oferecer o mesmo nível de consultoria em todos os canais: balcão, telefone, WhatsApp, redes sociais e plataformas de venda. Ele se torna um consultor multicanal, garantindo uma experiência consistente e de alta qualidade, independentemente de onde o cliente escolha interagir. Em resumo, a digitalização não ameaça o bom profissional; pelo contrário, ela eleva a régua. O balconista de alta performance é um consultor técnico, digitalmente ágil e em constante aprendizado, que usa a tecnologia como sua principal ferramenta para entregar mais valor e confiança ao cliente”, concluiu

Camila Silveira, especialista em Marketing
Digital e Desenvolvimento Empreendedor – Foto: Divulgação

Há 31 anos atuando como vendedor no setor de autopeças, Carlos Renir Teixeira, da Renir Peças, em Acopiara (CE), concorda com as colocações de Gomes. “A digitalização trouxe grandes transformações, principalmente, na agilidade dos processos e na forma de relacionamento com o cliente. Hoje, temos catálogos online, pedidos automatizados e sistemas de gestão integrados que facilitam muito o dia a dia. Além disso, o cliente também está mais informado, muitas vezes já chega com pesquisas feitas pela internet. Isso exige que o vendedor esteja ainda mais preparado para oferecer informações técnicas corretas e um atendimento personalizado que vá além do que o cliente encontra online”, explicou

Giuliano Martins de Rezende, gerente
Comercial da Casa da Transmissão, de Uberlândia (MG – Foto: Divulgação

De acordo com ele, os clientes estão mais exigentes e esperam rapidez, precisão e clareza. “Com tantas informações disponíveis online, o papel do vendedor mudou: ele deixou de ser apenas um intermediário para se tornar um consultor técnico. O cliente espera que o vendedor entenda de tecnologia, saiba identificar peças compatíveis com novos modelos e ofereça soluções completas, não apenas produtos. A confiança e o conhecimento se tornaram os principais diferenciais”, afirmou. Para Teixeira, não há dúvida de que o vendedor de autopeças é uma peça-chave dentro da loja. “Ele é o elo direto entre o cliente e a empresa, e muitas vezes a imagem que o cliente forma da loja depende do atendimento que recebe. Além disso, o vendedor precisa dominar o conhecimento técnico dos produtos, entender as necessidades do cliente e oferecer soluções assertivas, o que influencia diretamente nos resultados da loja — tanto em vendas quanto em fidelização. Ser um bom vendedor hoje vai muito além de vender: é orientar, resolver e agregar valor”, descreveu.

Por conta de tudo isso, ele procura estar sempre atualizado por meio de cursos, treinamentos e acompanhando as novidades do setor automotivo. “Tenho, inclusive, uma certificação do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), órgão que regula o setor automotivo no Brasil, como vendedor de autopeças. Além disso, busco aprimorar constantemente meus conhecimentos sobre ferramentas digitais, catálogos eletrônicos e novas tecnologias dos veículos. Acredito que o vendedor que se adapta às mudanças e se mantém em aprendizado contínuo está sempre um passo à frente, tanto no atendimento quanto nos resultados”, concluiu.

A tecnologia nos dias de hoje

Aprofundando um pouco mais o tema tecnologia, Camila Silveira, especialista em Marketing Digital e Desenvolvimento Empreendedor, mostrou o quanto os aplicativos, marketplaces B2B e plataformas digitais estão transformando completamente a rotina dos balconistas. “Não podemos esquecer que as redes sociais nada mais são que os novos ‘balcões’ do mundo nas ruas mais movimentadas do mercado. Automatizar e ter agilidade nas tarefas que antes tomavam muito tempo e energia é uma solução fundamental dentro da tecnologia. Hoje, em vez de depender apenas do telefone ou da presença física do cliente, o balconista pode realizar orçamentos, consultar estoques e fechar pedidos diretamente pelo celular ou computador. Isso traz agilidade, autonomia e mais tempo para o que realmente importa: o relacionamento humano e estratégico com o cliente”, relatou.

Ranieri Leitão, presidente do Sincopeças
Brasil e do Sistema Sincopeças/Assopeças/
Assomotos Ceará (SSA/CE) – Foto: Divulgação

Em se tratando de autopeças, Camila sintetizou que o WhatsApp ainda é o canal mais utilizado, mas que para se destacar, não basta somente ele. “O WhatsApp é rápido, direto e cria uma sensação de proximidade. Mas para se destacar, é importante ir além: ter um catálogo digital atualizado; manter presença ativa em marketplaces B2B, que ampliam a visibilidade da loja; usar CRM ou planilhas inteligentes para acompanhar o histórico de cada cliente; e, claro, redes sociais profissionais como Instagram e LinkedIn, que reforçam credibilidade e fortalecem a marca. Essas ferramentas, quando integradas, transformam o uma comunicação direta e automatizada entre fabricantes, distribuidores e oficinas, reduzindo custos operacionais e erros nos pedidos”, especificou.

Mirian Alves da Cunha, vendedora na Ray
Maco Chan, em Bragança Paulista (SP – Foto: Divulgação

E para os vendedores que ainda têm resistência às tecnologias, Camila deixou um recado. “Existe uma resistência natural, especialmente, entre profissionais que começaram suas carreiras antes da era digital. Mas o que costumo dizer é: a tecnologia não veio para substituir o vendedor, e sim para potencializar o que ele faz de melhor. Um bom vendedor continua sendo insubstituível, o que muda é o meio. Hoje, a tecnologia é uma aliada poderosa para vender mais, com menos esforço. Quem aprende a usá-la, ganha tempo, amplia seu alcance e se torna indispensável dentro da empresa. Quando o balconista une tecnologia + empatia, ele deixa de ser apenas um vendedor e se torna um consultor de confiança, conquistando clientes fiéis e resultados consistentes”, finalizou. Uma nova jornada para os vendedores que Giuliano Martins de Rezende, gerente Comercial da Casa da Transmissão, em Uberlândia (MG), conhece muito bem. “Os recursos tecnológicos ampliaram o alcance dos vendedores, permitindo que as empresas atinjam um público muito maior, tanto no varejo quanto no atacado, de forma rápida e eficiente. Proporcionam maior praticidade e agilidade nas transações, facilitando a comparação de preços, prazos e disponibilidade de produtos. No ambiente B2B, as plataformas permitem uma comunicação direta e automatizada entre fabricantes, distribuidores e oficinas, reduzindo custos operacionais e erros nos pedidos”, especificou.

Na Casa da Transmissão, o meio mais utilizado ainda é a rede social. “Nela conseguimos enviar promoções e ações de marketing proporcionando uma experiência muito interessante ao cliente”, informou. Ele disse também que com os sistemas digitais é possível monitorar estoques em tempo real, prever demanda e evitar rupturas (falta de peças). “Além disso, aplicativos de entrega e rastreamento permitem acompanhar o transporte das peças, otimizando a logística e garantindo a satisfação do cliente”, acrescentou.

Rezende também citou algumas ferramentas digitais para ganho de produtividade e fidelização de clientes. “Power BI, para acompanhar KPIs de vendas, produtividade e satisfação do cliente. Sistema ERP, o histórico de interações com clientes e facilitar a comunicação entre áreas. O resultado é maior agilidade nas respostas, decisões baseadas em dados e melhoria da coordenação interna. Decisões mais rápidas e assertivas, com base em dados em tempo real”.

Alexandre Xavier, superintendente do Instituto
da Qualidade Automotiva (IQA – Foto: Divulgação

O balconista moderno

Para Ranieri Leitão, presidente do Sincopeças Brasil e do Sistema Sincopeças/ Assopeças/Assomotos Ceará (SSA/CE), o balconista moderno precisa ser um verdadeiro consultor técnico. “Não basta mais conhecer o nome das peças, é preciso entender o funcionamento dos sistemas automotivos, as diferenças entre modelos de veículos e as novas tecnologias embarcadas. A base do bom atendimento está na combinação entre conhecimento técnico, agilidade na identificação da peça correta e capacidade de traduzir o problema do cliente em uma solução assertiva. Hoje, quem trabalha no balcão precisa também dominar o uso de catálogos digitais e ferramentas de gestão, compreender o estoque e o perfil do cliente, garantindo rapidez e confiança na venda”, pontuou.

Para Ranieri Leitão, presidente do Sincopeças Brasil e do Sistema Sincopeças/ Assopeças/Assomotos Ceará (SSA/CE), o balconista moderno precisa ser um verdadeiro consultor técnico. “Não basta mais conhecer o nome das peças, é preciso entender o funcionamento dos sistemas automotivos, as diferenças entre modelos de veículos e as novas tecnologias embarcadas. A base do bom atendimento está na combinação entre conhecimento técnico, agilidade na identificação da peça correta e capacidade de traduzir o problema do cliente em uma solução assertiva. Hoje, quem trabalha no balcão precisa também dominar o uso de catálogos digitais e ferramentas de gestão, compreender o estoque e o perfil do cliente, garantindo rapidez e confiança na venda”, pontuou. Ranieri disse, ainda, que vender solução é entender o contexto. “O cliente chega com um problema e o papel do balconista é ouvir, interpretar e oferecer o que resolve, e não apenas o que está faltando. Isso exige empatia, escuta ativa e uma visão mais ampla da venda: entender a aplicação da peça, o impacto dela no funcionamento do veículo e até sugerir produtos complementares.

O vendedor moderno precisa sair do papel de ‘tirador de pedido’ e assumir o papel de ‘consultor de confiança’, alguém que o cliente sabe que pode recorrer sempre que precisar. A fidelização nasce da experiência positiva, e isso está diretamente ligado à capacidade do balconista de entregar valor, não apenas preço”, ressaltou. E que o grande diferencial hoje são as soft skills. “Podemos ensinar o técnico, mas o humano é o que conecta. O balconista que sabe se comunicar bem, que demonstra empatia e que escuta com atenção o cliente, consegue transformar uma simples venda em um relacionamento de longo prazo. Essas habilidades tornam o ambiente mais acolhedor, ajudam a evitar erros e aumentam o nível de satisfação do cliente. O futuro da profissão passa justamente por esse equilíbrio entre o conhecimento técnico e as habilidades comportamentais, o que chamamos de inteligência relacional”.

Antonio Marcos Silva Santos, o Tony Santos,
vendedor na Autopeças Perim, de Santos (SP) – Foto: Divulgação

Na visão de Ranieri, o vendedor moderno é aquele que une conhecimento, empatia e propósito. “É um profissional que entende o mercado, domina as tecnologias, valoriza o relacionamento e busca constantemente se aperfeiçoar. Ele é parte essencial da experiência do cliente e da sustentabilidade do negócio. Em resumo: o balconista moderno é um agente de transformação dentro do aftermarket, aquele que conecta a necessidade do cliente à solução certa, com técnica, sensibilidade e compromisso com a excelência”, concluiu.

Em vendas há quatro anos, Mirian Alves da Cunha, vendedora na Ray Maco Chan, em Bragança Paulista (SP), sabe bem o quanto as soft skills fazem a diferença. “Pratico soft skills diariamente, ouvindo o cliente com atenção, interpretando suas necessidades e comunicando soluções de forma clara e objetiva, garantindo um atendimento eficiente e de qualidade”, afirmou.

Em um passo a passo, ela contou que “procura entender primeiro a necessidade real do cliente, fazendo perguntas para identificar o problema que ele precisa resolver, seja uma falha no veículo, uma dúvida sobre compatibilidade ou uma busca por melhor desempenho. A partir disso, apresento a melhor solução, que pode envolver não apenas a peça certa, mas também orientações sobre instalação, manutenção preventiva e opções de custo-benefício. Meu objetivo é que o cliente saia satisfeito e confiante que encontrou uma solução completa, e não apenas um produto. Isso cria confiança, fideliza o cliente e valoriza o meu atendimento”, garantiu.

E ela está constantemente aprendendo. “Eu desenvolvo minhas competências buscando atualização constante sobre novas peças, veículos e tecnologias automotivas. Participo de treinamentos, consulto catálogos técnicos e troco experiências com colegas e clientes para aprimorar meu conhecimento no dia a dia. Pela minha experiência, o cliente valoriza principalmente confiança, atendimento de qualidade e soluções completas, buscando orientação segura e transparência na escolha da peça certa”, afirmou.

Para ela, o vendedor moderno é um consultor de soluções. “Ele une conhecimento técnico, empatia e boa comunicação para entender e atender o cliente com qualidade. Está sempre atualizado, usa tecnologia a seu favor e busca gerar valor e confiança em cada venda”, finalizou.

Desafios do Dia a Dia

Entre os principais desafios do dia a dia do vendedor de autopeças, Francisco Gomes citou a construção de relacionamentos duradouros, a transição de vendedor a consultor técnico, a necessidade de filtrar o que é correto na era da informação digital, a atuação multicanal e a otimização da lucratividade. “Além de resolver o problema do cliente, o balconista deve conhecer as margens dos produtos, identificar oportunidades de vendas complementares e itens de maior valor agregado para impactar positivamente o ticket médio e a rentabilidade da loja e da composição do seu salário”, explicou.

Para o superintendente do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), Alexandre Xavier, a palavra-chave é capacitação. “Cada vez mais, a complexidade dos produtos, a velocidade das mudanças e as” novas exigências do mercado tornaram a capacitação uma necessidade constante. O vendedor que deseja se destacar precisa estar em permanente atualização: estudando, participando de treinamentos e buscando certificações reconhecidas. É isso que o diferencia e traz mais confiança tanto para o cliente quanto para a empresa”, ressaltou.

Yago Leite, fundador da peça.com – Foto: Divulgação

No IQA, eles têm observado um aumento expressivo na procura por cursos e pela certificação de vendedores. “O que demonstra uma conscientização crescente sobre o papel estratégico da qualificação na valorização profissional e na competitividade do negócio. A certificação do IQA é um instrumento de reconhecimento e de desenvolvimento. O processo foi desenhado para avaliar o vendedor de forma ampla, desde o domínio técnico até as competências de atendimento, ética, comunicação e postura profissional”, afirmou.

Segundo Xavier, ao se preparar para a certificação, o vendedor revisa conceitos, atualiza seus conhecimentos e passa a entender melhor a importância do seu papel dentro da cadeia automotiva. “Isso se reflete diretamente no atendimento: um profissional certificado tem mais segurança para orientar o cliente, recomendar o produto correto e contribuir para a credibilidade da loja e da marca que representa”, acrescentou.

Desde o lançamento da certificação, em 2023, mais de 118 vendedores de autopeças em todo o Brasil já foram certificados pelo IQA. “Esse número é aquém do que desejamos, mas expressivo para um momento de sensibilização, e nos motiva que a certificação mostra consistência no aumento de interesse crescente do mercado. Muitas redes e distribuidores têm estimulado suas equipes a buscarem esse reconhecimento, justamente porque percebem o impacto positivo que a capacitação tem sobre o desempenho das vendas e a satisfação dos clientes”, comentou.

Xavier disse também que entre os critérios para a certificação, as maiores dificuldades geralmente estão ligadas à interpretação técnica e à aplicação correta das peças, já que o mercado é muito dinâmico e o catálogo de produtos muda constantemente. “Por outro lado, a maior facilidade costuma aparecer nos aspectos de atendimento e relacionamento com o cliente, que são pontos fortes de muitos vendedores brasileiros. A certificação ajuda a equilibrar esses dois lados, reforçando o conhecimento técnico sem perder de vista o comportamento e a empatia, que são essenciais para o sucesso nas vendas”.

O próximo passo, antecipou Xavier, é ampliar o alcance da certificação em todo o País, fortalecendo parcerias com fabricantes, distribuidores e redes de varejo. “A meta é chegar a 500 profissionais certificados até 2026, consolidando o programa como uma referência para o setor de reposição automotiva. Acreditamos que o balconista é um elo fundamental na cadeia automotiva e investir em sua formação é investir na qualidade, na segurança e na credibilidade de todo o setor”, finalizou.

Antonio Marcos Silva Santos, o Tony Santos, vendedor na Autopeças Perim, em Santos (SP), sabe muito bem o quanto a capacitação é fundamental. “Os desafios do dia a dia têm exigido cada vez mais capacitação dos vendedores de autopeças. O mercado muda rápido, surgem novos modelos, novas tecnologias e até novas formas de atender o cliente. Por isso, é fundamental estar sempre aprendendo, seja por meio de treinamentos, cursos ou até trocando experiências com colegas e fornecedores. A experiência é muito importante, mas ela precisa caminhar junto com a atualização constante. Eu costumo dizer que, mesmo depois de tantos anos na área, a gente aprende algo novo todos os dias. É isso que mantém o trabalho interessante e nos faz evoluir sempre”, descreveu.

“Não podemos esquecer que as redes sociais são os novos ‘balcões’ do mundo, localizados nas ruas mais movimentadas do mercado. Automatizar e ganhar agilidade nas tarefas que antes exigiam muito tempo e energia é uma solução essencial dentro da tecnologia. Hoje, em vez de depender apenas do telefone ou da presença física do cliente, o balconista pode fazer orçamentos, consultar estoques e fechar pedidos diretamente pelo celular ou computador. Isso traz agilidade, autonomia e mais tempo para o que realmente importa: o relacionamento humano e estratégico com o cliente”.

Leandro Lucio, gerente de Produtos da Valclei – Foto: Divulgação

A Perim é referência no mercado de autopeças para a linha pesada e, segundo Tony Santos, o principal desafio de uma loja de autopeças é manter o equilíbrio entre estoque, prazo de entrega e a necessidade do cliente. “O mercado de caminhões e carretas exige agilidade, porque quando um veículo para o prejuízo é grande. Então precisamos ter as peças certas na hora certa. Ao mesmo tempo, não dá para manter um estoque muito grande, porque os custos aumentam. Por isso, é essencial conhecer bem os clientes, acompanhar as tendências de consumo e trabalhar em sintonia com os fornecedores. A experiência ajuda muito nisso. Com o tempo, a gente aprende a prever a demanda e evitar tanto a falta quanto o excesso de produtos”, afirmou.

No dia a dia, Tony Santos utiliza bastante os sistemas de gestão para consultar estoque, preços e prazos de entrega em tempo real. “Também faço uso de catálogos online dos fabricantes, que ajudam muito a identificar rapidamente o código correto da peça. Além disso, aplicativos de comunicação facilitam o contato com os clientes, principalmente quando precisam enviar fotos de peças ou tirar dúvidas a distância. A tecnologia trouxe mais agilidade e precisão ao nosso trabalho e, quando bem usada, melhora muito a experiência do cliente. Hoje, conseguimos atender o cliente de forma mais rápida e assertiva, porque temos todas as informações na mão desde o código da peça até a disponibilidade no estoque e o prazo de entrega. Isso evita erros e retrabalhos”.

Para finalizar, ele contou como lida com clientes difíceis ou indecisos. “Isso faz parte do dia a dia de quem trabalha com vendas. Eu sempre procuro ouvir com atenção e entender o que o cliente realmente precisa. Muitas vezes, ele não está indeciso à toa, pode estar com dúvida sobre a peça certa, preocupado com o preço ou com o prazo. Então, a melhor técnica é ter paciência, conhecimento e transparência. Quando o cliente percebe que você quer ajudá-lo de verdade, e não apenas vender, ele confia em você. Com o tempo, esse tipo de cliente acaba se tornando um dos mais fiéis. Vender bem é, acima de tudo, saber ouvir e orientar com segurança”, concluiu.

HISTÓRIAS INSPIRADORAS

Uma vez vendedor,
sempre vendedor

Yago Leite, fundador da peça.com, começou no balcão em 2015, e ali descobriu uma paixão pelo atendimento e pela dinâmica do varejo automotivo. “Logo, eu quis aprender mais e fui para o estoque. Entendi que quem domina o estoque domina o negócio. Depois vieram as visitas às oficinas, as negociações com fornecedores, as feiras… eu mergulhei de cabeça no segmento. Em 2019, dei o passo mais arriscado e mais transformador da minha vida. Abri a primeira unidade da peça.com, pequena, simples, mas carregada de propósito. A partir daí, investi em pessoas, em processos e em tecnologia. Estudei, testei, errei e ajustei. Hoje, seguimos crescendo com visão, disciplina e fé em Deus”, relatou.

E os desafios foram muitos. “Aprender a gerir uma empresa do zero, controlar estoque, formar equipe, lidar com fluxo de caixa apertado, crises, pandemia, decisões difíceis. Mas, sem dúvida, o maior desafio foi vencer minhas próprias crenças limitantes. O medo de não dar certo, de arriscar, de crescer. Quando superei isso, as portas começaram a se abrir. As portas que Deus abriu foram maiores do que eu imaginava. Hoje tenho uma autopeça estruturada, referência no mercado e com resultados consistentes. Tornei-me palestrante em grandes eventos do setor, criei minha própria metodologia de formação para vendedores e empreendedores, e sou convidado para ensinar aquilo que um dia precisei aprender na prática. Crescer naquilo que amo fez meu propósito se tornar caminho para outras pessoas crescerem também”, ressaltou.

Segundo ele, “como vendedor, eu precisava dominar produto, aplicação e cliente. Como empresário, precisei dominar gente, gestão e números. Aprendi que motivar pessoas é tão importante quanto vender, que processos bem definidos salvam o negócio, que lucratividade vem da boa compra, do preço certo e do estoque saudável. Passei a olhar a empresa como um organismo vivo e não apenas como um balcão”, revelou.

E como dizem “uma vez vendedor, sempre vendedor”, Leite faz jus à frase. “Com toda certeza! Eu nunca deixei de ser vendedor. Posso estar como CEO, mentor ou palestrante, mas quando estou no balcão, atendendo um cliente, com o mecânico ou negociando com fornecedor, me sinto em casa. Ser vendedor não é só uma profissão. É uma identidade. Foi no balcão que tudo começou e é nele que meu coração continua”.

 

 

De vendedor de concessionária à loja própria

No final de 1983, o pai de Levino Malachias, Sérgio Malachias, era gerente de Peças e Serviços na concessionária Chevrolet Copivel e o levava para o trabalho. “Foi quando iniciei a famosa ‘boqueta’, atendendo e fornecendo peças diretamente aos mecânicos. Esse primeiro contato durou pouco mais de um ano, mas foi o suficiente para despertar em mim o gosto pela venda de autopeças. Com dedicação e vontade de aprender, fui promovido ao balcão de vendas da concessionária. Ali descobri que tinha o verdadeiro DNA de balconista e me tornei um dos principais vendedores da loja. Dois anos depois, recebi o convite para assumir o balcão da nova filial da Copivel, recém-inaugurada em Porto Ferreira (SP). Permaneci lá por mais dois anos, acumulando experiência e fortalecendo minha paixão pelo setor”, recordou-se.

Foi então que o seu pai compartilhou um sonho com ele, o de abrir uma autopeças. “Abracei esse sonho com ele e como ainda estava na concessionária, comecei sozinho em 1987. O primeiro ano foi desafiador, principalmente pela falta de experiência em gestão, mas logo meu pai convidou João Pavan, ex-gerente de uma concessionária Ford na cidade, para ser nosso sócio. Com sua bagagem e visão, nasceu a Malachias Autopeças”, contou.

A loja deslanchou rapidamente, tornando-se referência na região. “Infelizmente, em 2001, perdemos o João, que foi um verdadeiro mentor para mim. A partir daí, a sua esposa Rose começou a trabalhar conosco na área financeira e, mais adiante, meu pai Sergio se aposentou e veio agregar seu conhecimento e experiência na loja. A partir daí, com o apoio do meu pai e muita fé, assumi a administração da empresa. Pela graça de Deus, a Malachias Autopeças se consolidou como uma loja respeitada e referência em Pirassununga (SP), sempre pautada pelo bom atendimento, conhecimento técnico e compromisso com o cliente”, afirmou.

Hoje são cinco lojas e, desde o início, elas integram a Rede PitStop. “Principalmente, com sua consultoria, que nos elevou a outro patamar. Essa parceria nos proporcionou maior visibilidade, acesso a melhores condições comerciais e um suporte estratégico que impulsionou nosso crescimento e fortalecimento no mercado”, comentou.

Mas nem tudo foram flores. “Em novembro de 2024, um incêndio devastador consumiu por completo nossa matriz – edificação e estoque –, deixando-nos sem amparo de seguro e impondo um dos maiores desafios de nossa história. A perda não foi apenas física, o impacto se estendeu por toda a operação logística do grupo, exigindo resiliência e união para reconstruir o que o fogo levou. Foram três meses intensos, de esforço ininterrupto e fé inabalável, até que, em 31 de março de 2025, erguemos das cinzas uma nova matriz em Pirassununga. Três meses depois, o faturamento já estava plenamente restabelecido. O que antes parecia um sonho distante, voltara a ser horizonte. O crescimento, novamente, tornara-se possível”, contou.

E o caminho continua próspero. “Não pretendemos parar nas cinco lojas. Hoje, meu filho Raphael, que desde pequeno respira autopeças e teve sua formação na USP, já está envolvido na transição sucessória. Com ele, temos planos concretos de expansão e seguimos confiantes de que, com o apoio da Rede PitStop, continuaremos crescendo com solidez e inovação”, revelou.

Para concluir, ele deixou uma mensagem para os vendedores de autopeças. “Tudo na vida é aprendizado e dedicação. Desde jovem, fui incentivado pelo meu pai a entrar no setor de autopeças, e nunca fiz outra coisa. São 42 anos de trajetória, construídos com esforço, ética e paixão. Tudo o que sou aprendi nesse universo. Minha motivação sempre foi ajudar pessoas e crescer com propósito. Ver o impacto positivo do nosso trabalho é gratificante. Aos vendedores e jovens que estão começando: tenham foco, sejam honestos, atualizem-se sempre e atendam com excelência. O setor exige conhecimento técnico e paixão. Com dedicação, os resultados vêm. O mercado é desafiador, mas oferece grandes oportunidades para quem se entrega de verdade”. finalizou.

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