BA | 234 Fauna Empresarial

O mês de abril é marcado por importantes datas, como o Dia do Descobrimento do Brasil, o Dia de Tiradentes, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o Dia Mundial do Livro e o Dia dos Povos Indígenas. Os povos indígenas nos oferecem importantes lições sobre a relação com o meio ambiente e com os animais que, ainda que não sejam humanos, não são coisas — são seres dignos do nosso respeito. Por isso, a luta pelos direitos indígenas, que também deve ser nossa, é também a luta pelos animais. Afinal, toda vida importa. E, por falar em animais, tirei alguns dias de férias. Ninguém é de ferro, e nada melhor do que aproveitar esse momento para ir ao encontro da Mãe Natureza. Estive na região do Baixo Sul da Bahia, na cidade de Ituberá, onde visitamos a comunidade quilombola Jatimane. A estrada até lá, o mesmo caminho que leva à praia de Pratigi, é simplesmente encantadora, pois corta uma densa vegetação, além de rios, manguezais e uma variada fauna. A cidade de Ituberá é muito ligada aos povos indígenas, pois nasceu de uma aldeia dos Aimorés, evoluindo, em seguida, para o povoado de Santarém e, posteriormente, para o município de Ituberá. Portanto, sua cultura valoriza as raízes indígenas e quilombolas da região. O Brasil possui uma das faunas mais diversas do mundo, com mais de 116 mil espécies de animais, distribuídas entre Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa. Muitas dessas espécies estão ameaçadas de extinção por conta do desmatamento, do tráfico de animais e da caça ilegal, como a onça-pintada e o tamanduá-bandeira, símbolos de campanhas de preservação. Essa viagem me fez lembrar alguns ditados populares com nomes de animais — ditados que, por analogia, podem ser relacionados ao mundo empresarial: 1. Quem não tem cão, caça com gato Esse ditado ressalta a importância de utilizar os recursos disponíveis de forma eficaz, em vez de esperar por circunstâncias ideais para agir. Trata-se de uma abordagem bastante relevante em um mundo dinâmico e em constante mudança. No ambiente profissional, adotar essa mentalidade demonstra adaptabilidade e capacidade de inovação, fatores críticos de sucesso nas carreiras. 2. Boca de siri Determinados assuntos no ambiente profissional requerem silêncio, sigilo e, por questões estratégicas, nem sempre podem ser compartilhados em grupo — ao menos até que chegue o momento oportuno. 3. Gato escaldado tem medo de água fria Significa dizer que quem passou por experiências negativas ou dolorosas adota uma postura de extrema cautela e medo de reviver situações semelhantes no futuro — assim como o gato que evita qualquer tipo de água após uma experiência ruim. A metáfora da “água quente” representa o trauma ou a dor, enquanto a “água fria” simboliza situações inofensivas que passam a ser evitadas por cautela. É um exemplo claro de como experiências negativas impactam comportamentos futuros, podendo causar medo generalizado. 4. Cada macaco no seu galho Quando cada macaco está no galho certo, como diz a metáfora, a árvore permanece equilibrada. Diferente de quando um tenta ocupar o espaço do outro, momento em que o caos se instala. No ambiente empresarial, é comum observarmos situações como: pessoas assumindo funções sem a devida preparação; líderes que acumulam tarefas quando poderiam delegar; profissionais talentosos subutilizados, atuando em atividades que não exploram seu potencial; e equipes atuando sem clareza de prioridades e papéis. 5. Sangue de barata Diariamente convivemos com pressões por resultados e tomadas de decisão. Dificilmente conseguimos nos isolar dessas demandas durante a jornada profissional. Nesse contexto, o autocontrole torna-se essencial, e competências como escuta ativa e empatia precisam ser constantemente desenvolvidas. 6. Macaco velho não mete a mão em cumbuca É sinônimo de experiência. Profissionais experientes aprendem a evitar riscos desnecessários e a tomar decisões mais assertivas. 7. Estar com a pulga atrás da orelha Expressão utilizada para indicar desconfiança ou um estado de alerta. No ambiente profissional, essa postura pode levar à observação mais cuidadosa das situações, ajudando a compreender melhor o que está acontecendo antes de agir. 8. Matar dois coelhos com uma cajadada só Expressão que ilustra situações em que se resolvem duas tarefas com uma única ação — demonstrando criatividade e capacidade de otimizar tempo e recursos. Matam-se dois coelhos com uma cajadada só quando, por exemplo: • estudamos para uma disciplina que abrange conteúdos cobrados em duas provas diferentes; • remarcamos uma consulta médica para o mesmo dia em que realizamos exames no mesmo local, evitando deslocamentos desnecessários. Para concluir, uma reflexão: no dia a dia, muitas vezes nos cobramos demais. Somos persistentes, não temos “preguiça” de ir à luta e seguimos firmes em nossos objetivos, enquanto o “povo” observa, comenta, critica — e nem sempre compreende nossas escolhas. Preparar-se e passar em um concurso, por exemplo, não é “zebra”. É fruto de esforço, disciplina e da capacidade de abdicar de prazeres momentâneos em prol de um futuro melhor. E é sempre gratificante ouvir: esse “cabra” é bom no que faz… é uma verdadeira “águia”.

Te esperamos, caro leitor, até a próxima edição! 

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