Saúde: estresse e burnout, você sabe qual é a diferença entre os dois?

Os sintomas podem até ser similares, mas há um patamar que os diferencia e a empresa pode ajudar os seus colaboradores

Por Karin Fuchs

Uma pesquisa do International Stress Management Association (Isma) revela que o Brasil, atrás apenas do Japão, é o segundo País do mundo com o maior número de casos de síndrome de burnout, afetando 30% dos trabalhadores. Considerada como uma doença ocupacional pela Organização Mundial de Saúde (OMS), os sintomas são similares ao estresse, porém, há diferenças consideráveis, conforme explica nesta matéria o Dr. Kayo Barbosa, psiquiatra da Holiste Psiquiatria e instrutor de mindfulness, palavra que vem do latim “meditare” e significa desligar-se do mundo externo e voltar-se para dentro.

“O burnout é um tipo de estresse e as reações são as mesmas, tanto fisiológicas, psíquicas e relacionais. Uma das diferenças é que a síndrome de burnout é causada por uma sequência de experiências vivenciadas no ambiente de trabalho, por isso, ela também é conhecida como a síndrome de esgotamento profissional”.

Dr. Kayo Barbosa, psiquiatra da Holiste Psiquiatria e instrutor de mindfulness

Sintomas

Entre os sintomas psíquicos é comum a pessoa sentir tristeza, angústia, ansiedade, sentimento de culpa, falta de perspectiva e de esperança e falta de prazer pelo que faz, “geralmente, isso é causado por um aumento de demanda de trabalho, uma situação de assédio ou de conflito”, esclarece.

Fisicamente, os sintomas mais comuns são o cansaço, alteração do padrão do sono, dores persistentes e crônicas. O resultado é a queda da produtividade. Já o relacional refere-se à mudança de comportamento, como o isolamento social. “O indivíduo passa a ter um comportamento mais intempestivo, uma irritabilidade muito grande nas relações, falta de paciência e acaba brigando mais com as pessoas e criando mais conflitos”, afirma.

Diferença entre estresse e burnout

O estresse nada mais é do que uma resposta do nosso corpo à uma situação de alerta ou que impõe risco, ou demanda uma reação mais intempestiva ou mais rápida. O que segundo o Dr. Kayo, garantiu a nossa evolução como espécie. Mas quando ele se torna um problema?

É exatamente quando o cortisol, o hormônio do estresse, aumenta e não volta à normalidade. “Esse hormônio funciona como um sistema de alerta para todo o corpo. Passado o pico de estresse, o cortisol volta à normalidade em um período de minutos ou no máximo em horas. Por ser um hormônio altamente inflamatório, se isso não ocorrer, ele gera consequências físicas, psíquicas e relacionais, por dias, semanas, meses e até anos, e se torna problemático”.

O papel da empresa

Para o Dr. Kayo, o cuidado com a saúde mental do trabalhador será tão importante quanto o investimento em pesquisa e desenvolvimento de novas ferramentas para produção. Considerada uma das doenças do século XXI, a síndrome de burnout tem sido uma das principais causas de afastamentos dos trabalhadores. A dica dele é criar um espaço de escuta nas empresas para os seus colaboradores, de forma que ele se sinta confortável para falar sobre qualquer situação que esteja passando no ambiente de trabalho, como um desgaste psíquico ou um sofrimento emocional.

“Nas pesquisas que observamos, ter esse espaço de escuta causa um impacto muito positivo. Um espaço que seja um núcleo de referência de acompanhamento de saúde, assim como tem a medicina do trabalho, e dentro dela, tem um campo específico para saúde mental”, orienta.

Além desse espaço, ele diz que é importante desenvolver um programa contínuo de prevenção, com estratégias, psicoeducação, conversas sobre o tema e com palestras recorrentes para sinalizar os sintomas ou sinais de alerta, pois, muitas vezes, o colaborador nem percebe os sinais. “Esse é o melhor caminho e menos custoso para a empresa. Quando há um cuidado adequado com o colaborador, o quadro dele melhora e se resolve de forma bem positiva”, conclui.   

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