Automobilismo: o projeto Fórmula FEI ganha destaque no cenário internacional

Sete vezes campeão nacional na categoria Combustão e duas vezes campeão nacional na categoria Elétrico, a equipe Fórmula FEI foi a única que ficou por três vezes entre os 10 melhores projetos na competição mundial nos Estados Unidos

Por Karin Fuchs

Coordenado pelo professor de engenharia elétrica da FEI, Fabio Delatore, o projeto Fórmula FEI tem como objetivo desenvolver um carro do tipo fórmula, desde sua concepção, projeto detalhado, construção e testes, com a participação dos alunos do curso de engenharia. Para isso, eles utilizam os laboratórios da FEI, com toda tecnologia e suporte técnico.

A equipe recebeu um certificado de premiação pelo desempenho na Challenge Virtual da SAE Brasil & Siemens Automotive, além de desenvolver um veículo movido a hidrogênio, e ganhar destaque em um evento exclusivo organizado pela Scania para uma exposição do projeto. Nesta matéria, Delatore fala sobre as etapas para o desenvolvimento do projeto e os próximos passos.

 

Fabio Delatore, professor de engenharia elétrica da FEI

Balcão Automotivo – Quais foram as etapas para o desenvolvimento do projeto Fórmula FEI?

Fabio Delatore – A equipe se orgulha em seguir metodologias de projeto e desenvolvimento muito semelhantes às empregadas em grandes montadoras. Utilizamos ferramentas computacionaispara simulações e validações, um extenso sistema de aquisição de dados para análise de desempenho em pista, entre outras.

BA – Quais foram os materiais utilizados para o desenvolvimento do fórmula?

FD – Hoje, o carro é construído na íntegra em fibra de carbono, em um chassi de características similares a um Fórmula 1. Somos a única equipe brasileira a usar essa tecnologia e pioneira no Brasil em usar essa tecnologia em um Fórmula Elétrico.

BA – Qual é a velocidade que ele consegue atingir e qual é o consumo de combustível?

FD – A velocidade final não é expressiva, cerca de 120km/h, até mesmo porque, tanto por regulamento e pela característica da prova, as velocidades finais não são altas. Porém, a aceleração é expressiva, demorando aproximadamente 4 segundos para o carro chegar a 100km/h. O consumo de combustível é algo que não é muito importante, apesar de termos uma pontuação de eficiência na prova de enduro, onde o carro percorre 22 km. Então, o projeto além de ser rápido, deve ser econômico.

BA – Quais são os principais ganhos em relação a outros combustíveis utilizados em competições?

FD – Os nossos protótipos usam Etanol e Eletricidade, que são atualmente os dois combustíveis dentro do cenário de carbono zero e/ou baixa emissão. 

BA – O projeto Fórmula FEI foi sete vezes campeão nacional na categoria Combustão e duas vezes campeão nacional na categoriaElétrico. Onde foram essas competições?

FD – É verdade, é fato, somos a equipe mais vencedora do Brasil e a única a conseguir por trêsvezes ficar entre os 10 melhores projetos na competição mundial nos Estados Unidos. As competições no Brasil, há alguns bons anos, acontecem no ECPA – Esporte Clube Piracicabano, na cidade de Piracicaba (SP).

BA – Quais foram os principais atributos que levaram o veículo a receber o certificado de premiação pelo desempenho na Challenge Virtual da SAE Brasil & Siemens Automotive?

FD – Nessa competição, em particular, usamos como base o projeto do Fórmula FEI Elétrico RB4, campeão em 2015, mas passando a utilizar a propulsão elétrica em conjunto com duas fontes de energia: Bateria e Célula H2. Apresentamos um extenso relatório de projeto e algumas simulações de previsão de desempenho, pois é uma ferramenta atualmente usada pela equipe.

BA – De que forma esse projeto pode ou tem ajudado no desenvolvimento de novas tecnologias com foco na descarbonização?

FD – Os recursos empregados, as técnicas desenvolvidas e materiais empregados, seja no Fórmula Combustão ou no Elétrico, capacitam os alunos a estarem aptos a atender as demandas que serão solicitadas pelas empresas. Muitos dos nossos ex-alunos já estão atuando na área de eletrificação e em projetos com Etanol, desde em motores como em células de H2. Dessa forma, além de desenvolver tecnologia dentro da FEI para ofuturo, capacitamos os alunos para essa demanda.

BA – Agora, quais serão os próximos passos?

FD – Nós teremos para o ano de 2023 os projetos de tração 4WD do fórmula elétrico e do emprego do turbo para o fórmula combustão, permitindo que os protótipos possam entregar um desempenho mais expressivo e com um menor gasto energético.

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