Ainda que o volume de emplacamentos tenha crescido no primeiro quadrimestre, a base de comparação com 2022 não reflete a realidade do mercado, e abril teve uma queda de 19,2%
Por Karin Fuchs
No acumulado do 1º quadrimestre deste ano, a produção de veículos (todas as categorias) totalizou 715 mil unidades, 33 mil a mais do que no mesmo período de 2022, e as vendas somaram 663 mil veículos, crescimento também quando comparado ao 1º quadrimestre do ano passado, que foi de 553 mil unidades. Porém, comparando o mês de abril com o mês anterior, foram 179 mil unidades produzidas, ante 222 mil, e as vendas no mercado interno tiveram uma retração de 19,2%, somando 160,7 mil unidades.
Márcio de Lima Leite, presidente da entidade, lembrou que a comparação com o primeiro quadrimestre de 2022 não reflete a realidade do mercado, pelo período no ano passado ter sido impactado pela forte crise de semicondutores, limitando o mercado pela oferta e não pela demanda. Neste ano, o cenário é outro. A produção foi ajustada para a demanda de mercado e no mês de abril, 9 fábricas foram paralisadas, somando um total de 13, desde o início do ano.
“No primeiro quadrimestre foram 80 mil veículos vendidos a mais do que no mesmo período de 2022. Analisando apenas o mês de abril, nós temos uma queda explicada, pois foram 5 dias úteis a menos do que em março. Cada dia representa cerca de 5% do mercado no final do mês, em torno de 23% em um período de 5 dias. Trabalhando em percentual, nós teríamos um crescimento de abril, em relação a março, na ordem de uns 3%”, disse Leite.
Média diária de vendas – A média diária de vendas em abril foi de 8,9 mil unidades, acima do resultado do mesmo mês do ano passado, que foi de 7,7 mil unidades. Segundo Leite, “com cinco dias a menos em abril deste ano, são cerca de 44 mil unidades que poderiam ser adicionadas e chegaríamos a mais de 200 mil unidades vendidas. Nos primeiros dias de maio, esta média foi de 7,7 mil unidades, ante 8,1 mil, em maio do ano passado. O início do mês não tem reagido como a gente gostaria, mas estamos em linha com o projeto, sem nenhuma surpresa positiva para fazer crescer este mercado”.
Projetado e realizado – Pelas projeções da Anfavea, a produção de veículos no primeiro quadrimestre era de 762 mil unidades e chegou a 715 mil. Para as vendas, era de 474 mil e o quadrimestre terminou com 633 mil unidades. “Não é uma diferença que faça a Anfavea rever a sua projeção, pois é uma realidade que temos condições de recuperarmos. As vendas estão em um cenário alinhado, mas o mercado precisa reagir. Em 2022, nós tivemos um primeiro quadrimestre muito ruim, mas a partir de maio, teve uma boa reação. É o que esperamos que aconteça a partir de agora”, comentou Leite.
Destaque para as locadoras – No segmento de veículos leves, em abril, as locadoras tiveram uma participação de 50% nas vendas e no acumulado do primeiro quadrimestre do ano, elas adquiriram 150 mil unidades. “Nós temos que monitorar as vendas para locadoras, pois esse não pode ser um mercado que vai crescendo com vendas para frotistas. Nós temos que ver o real crescendo do mercado para o varejo, embora, as locadoras e frotistas sejam fundamentais para a estratégia de qualquer montadora”, expôs o executivo.
Veículos pesados – No segmento de pesados, o mercado continuou impactado pela entrada do Proconve P8, conforme explicou o vice-presidente da Anfavea, Gustavo Bonini. “A produção foi afetada por paradas das fábricas ao longo de abril, para caminhões e ônibus, e com a introdução do Proconve P8 isso se acentuou mais”. No primeiro quadrimestre, a queda de produção de caminhões foi de 28,6% no comparativo com o mesmo período de 2022, e entre os meses de abril e março, a retração foi de 41,1%. Para ônibus, as quedas foram de 23% e de 16,9%, na mesma base de comparação.
Quanto aos emplacamentos, do total de 36.440 caminhões no primeiro quadrimestre deste ano, 32.145 foram fabricados antes de 2023. E, entre as
7.628 unidades emplacadas de ônibus, 7.516 foram produzidas antes de 2023.
“Na média dos últimos 5 anos, essa proporção deveria ser ao redor de 20%. O maior desafio que temos para o segmento de pesados é a fase do Proconve P8 e o quanto o mercado está demorando para reagir a essa nova tecnologia”.
Exportações – Nos comparativos entre abril de 2022 com o mesmo mês deste ano, as exportações de veículos passaram de 45 mil para 34 mil, e quando comparado abril deste ano com o mês anterior, houve queda também. Em março foram 44 mil unidades exportadas. No entanto, em valor, a alta foi de 25,4%, efeito do dólar e de maior volume de caminhões exportados.
Nos principais países em que o Brasil exporta, também houve queda de seus
mercados internos, de 18% no México, 13% na Argentina, 20% na Colômbia e de 48% no Chile. Chama a atenção o aumento de participação das exportações para o México, representando hoje 37% do total, ante 16% em 2022. A Argentina continua sendo um importante país, com 30% do total.
Conduzindo o futuro da eletrificação – Logo no início da coletiva de 08/05, Leite falou sobre este evento que será realizado no dia 14 de junho, em Brasília, em que será apresentada a visão da Anfavea, das montadoras e dos governos de fora do País, com o objetivo de chamar a atenção das autoridades que envolvem todo o ecossistema da eletromobilidade.
Em números, o executivo mostrou o volume de emplacamentos de novas tecnologias por propulsão, com destaque para o elétrico puro. “Apenas neste segmento, nós tivemos um crescimento de 20% neste ano, em relação ao ano anterior. Temos trabalhado muito para que o crescimento deste segmento seja contínuo e com infraestrutura adequada”. Pontos importantes que serão apresentados no evento.





