O canal no YouTube se transformou em um grande negócio, valorizando as marcas nacionais e tornando-se uma referência para os profissionais do setor e para o público em geral. A nova empreitada é a expansão de oficinas
Redação Balcão Automotivo
Hoje, com 7 milhões de visualizações por mês e 1,4 milhão de inscritos no YouTube, além de 459 mil seguidores no Instagram, a Auto Super tornou-se uma grande referência, tendo sido o primeiro canal na plataforma de vídeos online a ser family friendly, ou seja, com uma linguagem para todos os públicos, e o único canal automotivo Top Creators do YouTube, prêmio recebido em 2018, que tem como principal métrica o watch time ou minutos assistidos.
“A Auto Super tem um programa que se chama ‘24 Horas de Oficina’. São 24 horas dentro da nossa oficina que a gente copila em vídeos de 25 ou 30 minutos. O nosso watch time médio é de 17 minutos, a única plataforma de streaming que tinha um tempo maior que a Auto Super naquele momento, em que nos tornamos o único canal automotivo Top Creators, era a Netflix”, comenta Filipe Bueno de Lima, sócioproprietário.
Hoje, a Auto Super, além do canal no YouTube, tem loja de peças online e uma oficina em São Paulo. “O nosso objetivo é abrir uma oficina em cada capital do Brasil e sermos vistos como um modelo para espelhar quem está nesta área”, afirma Lucas Fontana, também sócio-proprietário. O grande mote da Auto Super é valorizar a indústria nacional, mostrando as marcas e peças de boa qualidade.
Primeiros passos
Uma história que começou há oito anos. Lucas trabalhava como consultor no mercado financeiro e a empresa precisava de um profissional expert em redes sociais, o escolhido foi Filipe que tinha uma agência de publicidade, especializada justamente em redes sociais. Na época, Lucas tinha uma página no Facebook, onde compartilhava conteúdos inéditos e detalhados de limpeza de carros. “O Filipe foi trabalhar comigo e vendo a minha página, se propôs a me ajudar. A partir dali nós criamos a Auto Super”, recorda-se Lucas.
De 12 amigos no Facebook, a Auto Super foi ganhando cada vez mais novos seguidores. “A Auto Super foi o primeiro portal de compartilhamento de notícias que atingia 3 milhões de pessoas por semana. E começamos a ter problemas, pois não tínhamos o direito de compartilhar matérias. Para resolver isso, nesse meio tempo, nós saímos da empresa em que trabalhávamos e publicávamos conteúdos só como Auto Super, 24 horas por dia, de hora em hora, todos os dias da semana”, conta Filipe.
O conteúdo era produzido na garagem do pai de Filipe, mostrando o que eles faziam em seus próprios carros. “Arrumei uma câmara emprestada, comprei o tripé e começamos a gravar o nosso próprio conteúdo. Foi a partir daí que existiu a Auto Super como ela é hoje. Foi um divisor de águas, passamos de um portal de notícias para um canal criador de conteúdo”, diz Filipe. O passo seguinte foi migrar do Facebook para o YouTube.

Marcas
A primeira delas foi pela Auto Super ter sido o primeiro canal no YouTube a fazer um projeto de carro, a reforma de um Peugeot 306, 1.6, ano 1995, comprado por Filipe. “A galera começou a assistir este conteúdo e a gostar muito, porque é bem o nosso dia a dia. A Auto Super é conhecida por filmar não só o que é bom. O carro é usado, desgastado e a nossa mágica era sempre tentar recuperar o que dava de peças, por questão financeira, trocá-las por outras e fomentar o mercado nacional”, comenta Filipe.
Ele acrescenta que Lucas sempre falava da sua ideia de trazer a indústria nacional para frente do mercado. “Nós temos peças de extrema qualidade, mas que não são aplicadas porque o brasileiro gosta de importadas”. Eles começaram a ter patrocinadores. “O nosso conteúdo sempre foi voltado para o público e, com um segundo olhar, voltado para as marcas, pois o Auto Super não se sustentaria só com a receita vinda do YouTube. Carro tem custo e é caro”, diz Filipe.
A segunda foi um acidente com o Chevette 1974 deles, em Interlagos, sem danos ao “piloto”, um produtor da Auto Super, mas praticamente considerado como perda total para o carro. Acidente que resultou em uma grande oportunidade para eles. Um patrocinador lhes disse que queria um carro deles no Salão do Automóvel e a ideia foi recuperar o Chevette. Trabalhando direto no carro, eles estrelaram no Salão de 2018 em grande estilo.
“Falamos que o carro seria revelado no 1º dia do Salão, às 20 horas, e ele ficou coberto até esse horário. Na hora da revelação, havia um exército de pessoas para ver aquele carro. Foi um dos nossos grandes marcos e nós tivemos a maior aglomeração da história do Salão do Automóvel para o lançamento de um carro, que era um Chevette 1974”, ressalta Filipe.
De lá para cá, eles criaram milhares de cases. A Auto Super só cresceu e passou a ser o canal automotivo de maior expressão no You Tube. “Começamos a fazer projetos mais ousados de preparação e de sair fora da caixa. Os nossos projetos têm o padrão dos carros serem totalmente reformados. No Brasil não existe quem faça isso, gostamos muito de ousar, de pegar os carros que ninguém olharia e fazer disso uma coisa especial. Esse é o grande lance da Auto Super”, diz Lucas.
Oficina diferenciada
O passo seguinte foi a criação da primeira oficina, em São Paulo (SP), idealizada em 2021, e em operação desde o ano passado. “Nós contratamos o Andrey, que veio do Grupo GTX, e está assumindo o nosso braço de relacionamento com as marcas. Ele já é um cara de mercado e quero cada vez mais apresentar um pouco desse mundo para as marcas, que tanto fomentamos no YouTube, que é a força da indústria nacional”, afirma Lucas.
Uma bandeira que Lucas sempre carrega. “Mostrar as peças de qualidade, a diferença entre ter algo bom ou ruim no seu carro, e mostrar que uma manutenção mal feita custa muito mais do que uma bem feita. Eu consumo muitos conteúdos americanos e europeus e eles defendem muito as suas bandeiras. Tem que fomentar isso no Brasil, consumir produtos nacionais”, defende.
Lucas acrescenta que a grande vantagem da Auto Super é ser um canal aberto de comunicação. “Talvez as marcas não consigam atingir o público final no nicho deles, às vezes, o mecânico é um ótimo profissional, mas não vê as novas marcas”. Afinal, o sonho das marcas é serem escolhidas pelos consumidores. Na oficina, eles testam as marcas até chegarem às melhores para cada veículo, o que está se transformando em um banco de dados.
“Hoje, nós estamos trazendo para o mercado formação para tudo, não só para quem vai trabalhar no carro. A ideia é conseguirmos educar o máximo de pessoas possíveis, seja o cara que vai trocar a peça, o que fabrica ou o que compra. Mostrar que tudo isso pode converger em economia, sustentabilidade. É criar todo o ecossistema para que o cara que tem um carro com 5, 10, 15 ou 20 anos de uso esteja dentro do mesmo fluxo, porque a gente vê uma frota começando a ficar sucateada e que não sabe como fazer manutenção. A nossa ideia é converger tudo isso em um ecossistema sustentável”, diz Filipe.
Referência
O foco é ser um modelo para os outros. “A gente vai criando um banco de dados para que daqui uns dois anos possamos abrir uma oficina em cada grande capital do Brasil e sermos vistos como modelo. As vendas de carros novos vêm caindo mês a mês, porque vivemos uma situação de pandemia, falta de matéria-prima, aumento de preços e poder aquisitivo mais baixo, o que tende a aumentar o mercado de oficinas, existe uma frota cada vez maior de carros sendo bem cuidados”, afirma Lucas.
“Muitos levam seus carros para fazer a manutenção e até a preparação dentro da nossa oficina, que é focada em manutenção preventiva e corretiva. Temos uma equipe super especializada, o nosso mecânico chefe é um engenheiro espacial”, destaca Filipe, comentando também sobre o poder da marca Auto Super. “Nós temos 7 milhões de visualizações mensais, 1,5 milhão de pessoas que são referências dentro dos seus núcleos familiares em relação ao assunto automotivo. Os nossos seguidores fazem stories e destacam a marca que eles compraram, esse é o poder da Auto Super”.
A Auto Super também é uma referência para os outros. “Ela sempre foi um centro de comunidade, que colabora com vários outros tipos de canais, independentemente de seus tamanhos. Hoje, para se ter uma ideia, fazemos projetos de influenciadores e pedimos pra que os mesmos divulguem na sua plataforma um pouco da marca que está sendo empregada no carro”, conclui Lucas.
Os sócios
Antes de abraçar a Auto Super, Lucas trabalhou no mercado financeiro por 17 anos. Ele é formado em Economia, com pósgraduação em Finanças. Saiu deste mercado, foi vendedor de açaí em postos de gasolina e criou a sua página no Facebook, compartilhando conteúdos inéditos e detalhados de limpeza de carros. De volta ao mercado financeiro, ele trabalhou com Filipe.
Coincidentemente, Filipe também trabalhou no mercado financeiro por cerca de 8 anos e abriu a sua agência de publicidade com um sócio. A agência se especializou em redes sociais, o que o levou a trabalhar com Lucas e os dois abraçaram a Auto Super, transformando-a em um grande negócio.