Nas concessionárias continuam os bônus concedidos aos consumidores. Para a Fenabrave, “o programa foi um sucesso para fazer bater o coração, mas é preciso dar continuidade”, disse o presidente, Andreta Jr
Por Karin Fuchs
No balanço da Fenabrave, a MP 1175/23, que começou a vigorar no dia 6 de junho, surtiu efeito mesmo a partir do dia 20 de junho, pelo tempo que leva a troca de notas fiscais entre concessionárias e montadoras, em média de 15 dias. Pelo programa, a concessão de créditos tributários às montadoras foi de até R$ 500 milhões para veículos leves (autos e comerciais) e de R$ 1 bilhão para pesados (ônibus e caminhões), para oferecerem bônus aos consumidores para a compra de veículos novos nas concessionárias, de R$ 2 mil a R$ 8 mil para veículos leves e de R$ 33,6 mil a R$ 80,3 mil para pesados. O maior registro de vendas foi para automóveis e para caminhões, o que deixou a desejar.
Em junho, foram emplacados 142.017 automóveis, alta de 11,41% na comparação com o mês anterior, e de 6,33% em relação a junho de 2022. No primeiro bimestre foram emplacados 733.442 automóveis, 7,37% acima do mesmo período de 2022. Ainda que comerciais leves tenham tido uma retração de 3,09% nos comparativos mensais, de maio e junho, com 37.674 unidades emplacadas em junho, o volume foi 18,19% superior ao mesmo mês de 2022 e nos comparativos anuais, a expansão foi de 19,51%, com 201.077 unidades.
O total de R$ 500 milhões destinados em créditos tributários às montadoras para a concessão de descontos para veículos leves já se esgotou e o Governo Federal já anunciou um novo aporte de R$ 300 milhões. “Ainda há muitos veículos em estoque nas concessionárias com o bônus concedido aos consumidores”, afirmou Andreta Jr., presidente da Fenabrave.
Balanço do programa – Pelos números da entidade, na segunda quinzena de junho, as vendas de automóveis e comerciais leves tiveram uma expansão de 340%, o que poderia ter sido maior a partir da edição da MP, no dia 6 de junho, se não houvesse o tempo de troca de notas fiscais entre concessionárias e montadoras. A partir do dia 20 de junho, o volume de efetivação das vendas passou a superar o volume diário de 5 mil unidades, com mais de 22 mil nos últimos dias do mês, similar ao alcançado em 2012.
Somente no 1º dia de julho, foram 11.326 carros e comerciais leves emplacados, resultado 75,68% superior ao mesmo dia de julho de 2022, sendo que as vendas no varejo (concessionárias) somaram 6.029 unidades, 55,87% acima de 1º de julho de 2022. Nas palavras de Andreta Jr., o programa foi um sucesso para fazer bater o coração, mas é preciso dar continuidade.
“Ele deu um impulso ao setor e vamos manter as projeções de vendas para 2023, feitas no primeiro dia deste ano. Se não fosse o programa, estaríamos hoje projetando uma queda para este ano. Mas é preciso que haja uma sequência deste trabalho. Na Fenabrave nós já estamos trabalhando com o nosso pessoal técnico para apresentar ao Governo um programa que vise aumentar o volume de vendas, o que é bom para todo o setor, autopeças, montadoras, concessionárias”. Em um curto espaço de tempo, pretendemos apresentar ao Governo um projeto que dê sequência”, afirmou.
Reavaliação para os pesados – Para veículos pesados, a MP 1175/23 previa a entrega do veículo usado com mais de 20 anos de uso, em condições de rodar, licenciado e regularizado, e a cargo da concessionária ficaria o encaminhamento para a desmontagem e baixa do veículo. Uma logística que não se resolve do dia para a noite, conforme explicou o diretor Executivo da Fenabrave, Marcelo Franciulli.
“Dentro do programa são necessários alguns ajustes para a retirada do caminhão de circulação, para que seja dada a sua baixa, ele seja escopeado e descontaminado. Nós estamos trabalhando no maior programa de renovação, o Renovar, na melhoria para a retirada desses veículos de circulação com todo o arcabouço legal. Estamos trabalhando junto ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) para que haja uma readequação dos valores que foram aprovados para o programa no Renovar”.
Em números, o volume de emplacamentos de caminhões no mês de junho foi de 7.722, abaixo das 7.893 unidades emplacadas no mês anterior e no acumulado do ano, 50.352, ante 57.282 no primeiro bimestre de 2022, ou uma retração de 12,10%. Ainda que no segmento de caminhões não tenha emplacado, a avalição da Fenabrave é que o programa instituído pela MP 1175/23 criou condições para movimentar esse mercado.
Já no segmento de ônibus, foram 2.115 unidades emplacadas em junho, inferior às 2.237 unidades emplacadas em maio, porém no comparativo entre os bimestres de 2022 e de 2023, a alta foi de 45,83%, com 13.399 unidades, o que se justifica pela retomada do rodoviário ante à alta das passagens aéreas e ao projeto Caminho da Escola. “Este projeto tem vida própria, orçamento, e uma grande possibilidade de continuar forte, pois a frota é antiga e tem muitos municípios que ainda não foram atendidos pelo programa”, disse Franciulli.



