Vendas de veículos estimuladas pela MP 1175/23 não justificam novas projeções

O ápice de vendas se concentrou no final de junho, mais números serão computados em julho; mas para os pesados, o estímulo não se concretizou

Por Karin Fuchs

Com a participação de Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Anfavea apresentou o balanço do programa instituído pela MP 1.175/23, o que para ambos foi um sucesso. Para veículos leves (autos e comerciais), no aporte de R$ 500 milhões em créditos tributários para as montadoras para disponibilizarem o bônus aos consumidores, foram adicionados mais R$ 300 milhões, beneficiando também as pessoas jurídicas.

Segundo Alckmin, “o programa para veículos leves se encerra com grande sucesso. Ele salvou empregos, estimulou a atividade industrial, ajudou os consumidores a terem carros com mais tecnologia, melhor segurança e o meio ambiente mais preservado”. Na coletiva realizada na última sexta-feira (7/07), Alckmin também comentou que apenas nas três primeiras semanas de junho foram 95 mil veículos (comercializados) e com base em dados da Fenabrave, alguns modelos de carros tiveram um crescimento de 238% nas vendas. “Embora o estímulo tenha sido para veículos de até R$ 120 mil, também foram vendidos mais veículos acima deste valor, pois despertou o interessou do consumidor”, afirmou.  

Emplacamentos – Com 999 mil unidades emplacadas (todas as categorias) no acumulado do primeiro bimestre, resultado 8,8% superior ao mesmo período de 2022, e especificamente em junho, que totalizou 189,5 mil, alta de 7,4% sob o mês de maio, Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, falou sobre os resultados. “As vendas em junho se concentraram em pessoas físicas, o que foi importante, pois este era o objetivo do programa: redução de preço e a possibilidade de o consumidor ter acesso ao carro novo. Houve a redução de preço por parte do bônus tributário concedido pelo Governo e automaticamente houve uma disputa entre os fabricantes para atenderem esses consumidores. Alguns veículos tiveram uma redução de preço de até R$ 20 mil”.

Recorde de vendas – Na última semana de junho, a Anfavea registrou a maior venda diária média dos últimos dez anos e a terceira maior da história. “Este é um dado para ser comemorado”, disse Leite. No período de 26 a 30 de junho, a média diária foi de 16,2 mil unidades, com um pico de 27 mil unidades, no dia 30 de junho. “Boa parte do faturamento dos últimos quatro dias de junho, cerca de 79 mil veículos, só apareceu nos emplacamentos de julho (pelo intervalo entre a venda e o emplacamento). O início de julho tem sido o melhor início de mês que estamos vivendo nos últimos anos”.

Por faixa de preço – No licenciamento de veículos leves para pessoas físicas, de maio para junho, a expansão foi de 51%, totalizando 55 mil unidades. O principal destaque foi para veículos de até R$ 80 mil, que tiveram um crescimento de 238% nas vendas, seguindo pelos que se encontram na faixa de R$ 90 mil a R$ 100 mil, com alta de 112%, no comparativo dos dois meses. “Na última semana de junho, houve um crescimento muito expressivo para veículos de até R$ 120 mil, contemplados pelo programa, e um crescimento também interessante para os acima de R$ 120 mil”, disse Leite.  

Varejo e venda direta – Nos resultados do mês de junho sobre as vendas para locadoras, Leite disse que há uma demanda reprimida, com potencial para os próximos meses. Em junho, o varejo teve uma participação de 58% nas vendas, o que representa um crescimento expressivo nas vendas para a pessoa física. “O número de emplacamentos para locadoras é entre 40 mil e 50 mil unidades/mês. 35,6 mil em junho gera uma demanda reprimida que pode refletir para os próximos meses”.

Produção – No primeiro semestre foram 1,132 milhão de unidades produzidas (todas as categorias), alta de 3,7% sob o primeiro bimestre de 2022. No comparativo mensal, foram 189 mil unidades produzidas em junho, 3,7% inferior a maio, o que se justifica pela adequação de estoque. “Dentro da estratégia e das condições dos fabricantes houve redução na produção, também em função da redução das exportações, para o equilíbrio dos estoques. Neste momento não tem nenhuma fábrica parada”, afirmou Leite. Junho terminou com um estoque de 223,6 mil unidades, a maior parte, 138,1 mil nas concessionárias. Somando montadoras e concessionárias, o estoque é de 35 dias, ante 40 dias, no mês de maio.

Balanço geral e perspectivas – Conforme colocado por Leite, foram em torno de 150 mil veículos contemplados pelo programa, 54 mil é a estimativa de vendas contempladas em junho, 79 mil foram vendas realizadas no mês e ainda não emplacadas. Do total de recursos disponíveis, R$ 800 milhões para veículos leves, R$ 710 milhões já foram consumidos até o dia 30 de junho.

Ainda que os números do final de junho sejam animadores e considerando que o programa tem prazo para terminar, de até 120 dias contados a partir de 6 de junho, o presidente da Anfavea afirmou que não há motivo para revisar as projeções para este ano. “Não acredito que isso motive uma revisão dos números, ainda é cedo, porque começamos o ano com números baixos e o início de junho foi ruim. O que aconteceu acaba dando uma puxada no mercado, mas agora temos que ver como se comportará os meses de julho e agosto. Ainda não há fundamento para revermos os números”.

Pesados – Pela MP 1.175/23, o crédito tributário para as montadoras totalizou R$ 1 bilhão para veículos pesados, dividido em R$ 700 milhões para caminhões e R$ 300 milhões para ônibus. Fato é que para eles, o programa ainda não surtiu efeito e tem prazo para terminar, de 120 dias, contando desde o dia 6 de junho. “Para caminhões já foram utilizados R$ 100 milhões e para ônibus, R$ 140 milhões”, disse Geraldo Alckmin.

Os efeitos da MP 1.175/23 ainda não se materializaram e a queda de vendas de caminhões foi de 4,1% em junho em comparação a maio, e de 28% comparando os dois primeiros semestres de 2022 e 2023. A produção de caminhões teve uma queda de 16,2% no comparativo dos dois meses e de 34,6% entre os semestres. “Ainda há uma concentração de estoque do P7, fabricado em 2022. As montadoras estão adequando seu volume de produção, de acordo com a demanda do P8”, justificou Gustavo Bonini, 1º vice-presidente da Anfavea.

No segmento de ônibus, a produção retraiu 0,1% em junho em relação a maio e 28,4% entre os semestres. Já o volume de emplacamentos teve alta de 54,9% no primeiro bimestre deste ano quando comparado ao mesmo período de 2022 e uma queda de 7,6% em junho em comparação ao mês anterior. Para ambos os segmentos, Bonini falou sobre a comercialização de veículos, ainda com a tecnologia anterior, Proconve 7, produzidos em 2022.

“No primeiro semestre deste ano, 22,8% dos caminhões comercializados foram fabricados em 2023. Se acompanharmos as estatísticas dos últimos 5 anos, deveria estar em 44%”, comparou. No segmento de ônibus, apenas 11% do volume comercializado, também no mesmo período, foi produzido neste ano, seguindo a mesma análise estatística, o percentual deveria ser de 36%. “Nós continuaremos a usar esse indicador, pois ele mostra o quanto tem de estoque de P7 sendo comercializado e em qual mês ele terminará”.

 

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