“Acreditamos na transição de forma gradual e sustentável da cultura de mobilidade a combustão para mobilidade elétrica numa proporção de até 10% ao ano. No entanto, o mercado vai se regular entre motos 50% elétricas e 50% a combustão até 2030”, disse o CEO, Thiago Freire
Por Karin Fuchs
A Boram Eletric Motors estreou no mercado nacional em 2020, com a importação de motocicletas elétricas, e neste mês de agosto ela começa a produzir localmente. Desde 2020 já foram contabilizadas 1,2 mil unidades vendidas, a previsão para este ano é chegar a 1.800 unidades, 14.760 em 2025 e, em 2030, praticamente dobrar, com 30.996 motocicletas vendidas.
Sediada em Manaus (AM) e considerada a maior empresa de mobilidade elétrica na região Norte do País, a Boram tem cinco motos elétricas no portfólio e oito lojas operando em três estados, Amazonas, Roraima e Rondônia. Em 2022, a empresa faturou R$ 13 milhões e com a abertura do mercado para outras regiões do País, o faturamento projetado para este ano é de R$ 69 milhões ou 400% superior ao do ano passado.
Nesta matéria, Thiago Freire, CEO da Boram Eletric Motors, falou sobre o portfólio da empresa, os planos de expansão, as diferenças entre as infraestruturas elétricas para motos e carros e as iniciativas para a expansão dos postos de recarga.
Portfólio e autonomia – A começar pelo portfólio da Boram, ele contou que as motos elétricas são majoritariamente para uso urbano e deslocamentos de até 70 km. “Na média, elas têm autonomia de 70 km, mas podem ser carregadas durante o percurso ou adicionar bateria extra. A velocidade máxima é de 85 km/h e o tempo de carga em torno de 4 a 5 horas para uma carga completa”, especificou.
Já a bateria tem garantia de 1 ano. “Mas, a vida útil é medida em 1.500 ciclos de carga e descarga completa. Simulando uma carga completa todo dia, a vida útil seria 4,1 anos”, afirmou. Sobre os planos de expansão, “as metas são de expansão de quatro estados por ano, começando por São Paulo e Minas Gerais, ainda em 2023”, informou Thiago.
Pontos de recarga – Segundo Thiago, há várias iniciativas de eletrificação de cidades acontecendo dentro da Boram e fora por agentes terceirizados independentes. “No caso das motos elétricas, a melhor solução são as estações de swap de baterias, estamos buscando padronizar as baterias entre diferentes marcas do setor para compartilhamento das mesmas soluções de troca de baterias”, afirmou.
Ele esclareceu ainda que muito embora a infraestrutura elétrica para motos elétricas seja diferente da infraestrutura elétrica dos carros elétricos, é possível pontos de carregamento compatíveis para ambos. “Soluções em estacionamentos de lugares de entretenimento e conveniência para os usuários de veículos elétricos em geral, como shopping, restaurantes, supermercados, serão compartilhados entre carros e motos”, citou.
Híbridas ou 100% elétricas – Questionado se o maior potencial de crescimento para os próximos anos será para motos elétricas ou híbridas, Thiago respondeu: “Acreditamos na transição de forma gradual e sustentável da cultura de mobilidade a combustão para mobilidade elétrica numa proporção de até 10% ao ano. No entanto, entendemos que o mercado vai se regular entre motos 50% elétricas e 50% de motos a combustão até 2030. Tudo isso sem contar com modelos híbridos e considerando que a partir de 2030, as decisões governamentais podem direcionar para um incentivo maior para a mobilidade elétrica ou outra sustentável, o que aumentará a velocidade de transição para veículos de duas rodas 100% sustentáveis”, concluiu.