Automóveis e comerciais leves, híbridos e elétricos, superam o volume de vendas de todo o ano passado, com 49,1 mil de unidades, sendo 43,2 mil híbridos
Por Karin Fuchs
No acumulado do ano até o mês de agosto, a Anfavea computou 1,432 milhão de veículos vendidos, somando todas as categorias, o resultado foi 9,4% superior ao mesmo período do ano passado. Já o volume de produção de 1,542 milhão de veículos, também no acumulado do ano, foi praticamente similar à somatória dos oito primeiros meses de 2022, 1,549 milhão.
No segmento de veículos leves, destaque para os eletrificados que já ultrapassaram o total de unidades vendidas em todo o ano de 2022. “Em agosto em relação a julho foram 25% mais veículos emplacados com as novas tecnologias e quando comparado com a agosto de 2022, o crescimento foi de 120%. No cenário anual, foram 49,1 mil unidades até agosto, contra 49,2 mil em todo o ano de 2022 e no início de setembro, já ultrapassamos essa marca”, apresentou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. Das 49,1 mil unidades vendidas neste ano, 43,2 mil foram veículos híbridos.
Vendas com o fim do incentivo do Governo
Em julho, terminou o programa de incentivo do Governo para veículos leves de até R$ 120 mil. Em agosto, sem o bônus, nota-se um aumento da participação das vendas de SUVs no volume total, de 38% para 40%, enquanto os hatches tiveram uma queda e participação de 28,6% para 22,7%.
No mês de agosto em relação ao mês anterior, houve uma queda de 7,9% no volume de emplacamentos, totalizando 207,7 mil unidades. Especificamente automóveis tiveram uma retração de 13,2% no período e comerciais leves cresceram 11,6% com destaque para as picapes.
Na avaliação de Leite, o resultado não foi ruim para o segmento de leves, já que praticamente a totalidade das vendas em agosto foi sem o bônus do Governo Federal. “O mês de julho foi muito importante com o incentivo. Das 225 mil unidades vendidas, 160 mil foram com o bônus. Quando analisamos agosto, das 207,7 mil vendidas, 205 mil foram sem bônus”, comparou.
Considerando todos os segmentos, o presidente da Anfavea mostrou que a média diária de vendas deste ano praticamente superou o mesmo período de 2022, com destaque para o mês de agosto.
Pesados
Nos segmentos de caminhões e ônibus, o primeiro registrou um aumento de 11,3% no volume de emplacamentos em agosto quando comparado ao mês anterior ou um total de 9,3 mil unidades, e uma queda nos comparativos anuais de 14%, somando 70,2 mil unidades. Ônibus tiveram uma retração de 2,7% nos comparativos mensais, com 1,5 mil unidades no mês de agosto e alta de 39,2% nos primeiros oito meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 14,3 mil unidades.
Nota-se que as vendas de pesados com a tecnologia Proconve P8 ainda não emplacaram totalmente. Em agosto, 33% dos caminhões vendidos foram fabricados neste ano, na média dos últimos 5 anos para o mês, o percentual foi de 66%. No segmento de ônibus, a participação foi de 35%, enquanto a média dos últimos 5 anos para o mês era de 52%.
Leite comentou que para o segmento de pesados ainda há cerca de R$ 700 milhões disponíveis pelo programa de incentivo do Governo Federal. “Embora não tenha chegado a sua potência máxima, cerca de 400 caminhões utilizaram o bônus do programa, ainda tem cerca de R$ 700 milhões disponíveis e o programa que se encerra no dia 3 de outubro”.
Para ônibus, ele destacou o anúncio do programa Caminho para a Escola. “16 mil ônibus serão licitados, o que contribui para suavizar o momento em que o setor atravessa. A expectativa inicial era de 11 mil ônibus”, afirmou.
Produção
O sinal mais positivo no mês de agosto foi que o setor não registrou a paralisação de nenhuma fábrica. No mês foram produzidas 227 mil unidades de autoveículos, ante 183 mil no mês anterior, o que representou uma alta de 24% e uma redução de 4,6% em relação a agosto de 2022, que foi o melhor mês do ano passado.
“Não tivemos paradas de fábricas e ficamos praticamente igual a maio, mês que antecedeu o anúncio do plano do Governo de incentivo às vendas de automóveis de até R$ 120 mil, quando as montadoras trabalharam muito para aproveitarem o que seria anunciado em junho. A ausência de paradas de fábricas é um sinal muito positivo em função do que vínhamos vivendo nos últimos anos e meses”, disse Leite.
Competitividade
Não somente no quesito exportações, mas também no mercado interno, o presidente da Anfavea chamou a atenção para o crescimento das exportações da China para a América Latina na última década, de 4,6% para 21,2%, tornando-se o principal exportador para os países que são foco das exportações do Brasil.
“O dado mais preocupante é como o nosso País está perdendo competitividade no nosso quintal. O destino das nossas exportações é principalmente para a América Latina e na última década a participação da China aumentou. O risco é o crescimento substancial de produtos importados vindos da China e de outros países asiáticos para o nosso mercado destino de exportações e igualmente no nosso País”, afirmou.






