Por Valtermário Rodrigues*
Oito ou oitenta é uma expressão popular na língua portuguesa utilizada para definir algo de extremos, ou seja, tudo ou nada. É geralmente associada à personalidade ou ao comportamento de alguns indivíduos. Esta expressão é relacionada às pessoas que não têm meio-termo ao tomar uma decisão.
Sobre o oito, na cultura chinesa, é considerado o número da sorte. É o número que simboliza poder e representa a união perfeita das duas forças do Universo. A energia que vem da Terra e sobe para o Universo e a energia que desce para ser descarregada na terra.
Agosto, do latim “mensis augustus”, é o oitavo mês do calendário civil, constante do calendário juliano e do atual calendário gregoriano. É o mês dedicado ao Imperador César Augusto, o filho adotivo de Júlio César.
Ainda sobre o mês oito, muitas pessoas acreditam ser o mês do azar. A clássica rima “agosto é o mês do desgosto” surgiu em Portugal. Na época das grandes navegações os portugueses criaram a expressão “casar em agosto traz desgosto”, pois as caravelas costumavam partir nessa época. Conta a história, portanto, que as namoradas dos navegantes nunca marcavam a data do casamento em agosto, pois achavam que casar em agosto traria desgosto.
De acordo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a expectativa de vida da população brasileira subiu para 77 anos, com base no ano de 2021 e não se levando conta à mortalidade proporcionada pela pandemia da Covid-19. Considerando a população feminina, a esperança de vida, ao nascer, é de 80,5 anos.
No segundo domingo de agosto é celebrado o Dia dos Pais. Em 1953, o publicitário Sylvio Bhering lançou a ideia da comemoração do Dia dos Pais com o objetivo de tornar a data muito lucrativa no Brasil, assim como outras datas comemorativas.
O segundo domingo de agosto é a quarta comemoração mais lucrativa para os lojistas, atrás do Natal, Dia das Mães e Dia dos Namorados.
No mês oito, comemora-se também, portanto, datas importantes de nosso calendário, como: “Dia da Infância”, em 24 de agosto; “Dia Mundial da Juventude”, em 12 de agosto.
Sobre o número oitenta, podemos citar fatos marcantes acontecidos na década de 80, tais quais: a primeira videoconferência da história das telecomunicações aconteceu em 1980; a “Queda do Muro de Berlim”, em novembro de 1989; o movimento civil “Direta Já”, que ocorreu em 1983 e 1984, que reivindicava eleições presidenciais diretas; em 5 de outubro foi promulgada a Constituição Brasileira.
Nessa edição do mês oito, abordaremos o tema “oito ou oitenta” sob outra perspectiva:
No contexto da idade entre mais ou menos oito e oitenta anos, abrimos, portanto, um “parêntese” para abordar um tema de extrema importância: o processo de sucessão em empresas familiares:
Salvo as empresas criadas para atender a uma determinada necessidade do mercado, que já nascem com a previsão para sair de cena, a longevidade empresarial é uma meta de qualquer empreendedor.
Em 2022, com base em dados do Mapa de Empresas, elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o Brasil registrou o fechamento de 1.695.763 empreendimentos em 2022.
Longevidade empresarial é como se fosse a vida do negócio. Para uma vida longa e com saúde financeira, o empreendimento requer um grande desafio por parte da gestão, principalmente no que se refere à cultura organizacional, de forma que todos os colaboradores estejam engajados em prol dos objetivos do negócio. Daí a importância de montar um planejamento estratégico que contemple o curto, médio e longo prazos. É um erro ignorar estratégias de longo prazo, pois isso pode comprometer o sucesso da empresa.
Em consequência do avanço da idade da empresa e dos sócios fundadores, fazse necessária a troca de gestão. No caso de empresas familiares, mais cedo ou mais tarde chega o momento de a próxima geração assumir o comando dos negócios.
Na infância, por volta dos oito anos, o garoto Leonardo já tinha a curiosidade em conhecer as atividades do pai, na revendedora de automóveis, afinal, desde pequeno adorava passear de carro com os pais e sua irmã mais nova.
O sonho do pai, Sr. Carvalho, no auge de seus 42 anos, era vê-lo sucedendo-o nos negócios da família. Passados trinta anos, o garoto, hoje com trinta e oito anos e o pai com oitenta, chegou o momento da sucessão.
Durante os últimos trinta anos, o hoje empresário Leonardo se preparou para assumir a alta gestão da empresa e honrar a trajetória vitoriosa do pai até aqui. Concluiu o ensino médio, ingressou na faculdade de Administração de Empresas; fez Liderança/ Coaching e outra graduação em Tecnologia da Informação.
Sempre acompanhou o pai em diversos eventos da área automotiva, tais como: Automec, Autonor, corridas de Fórmula I, Stock Car, dentre tantos outros eventos. Sempre buscou manter-se informado através de leituras relacionadas ao setor automotivo, fica ansioso por receber, mensalmente, a versão digital da Revista Balcão Automotivo e lê todas as páginas, principalmente, os artigos de Valtermário Rodrigues, colunista da revista desde a edição número 136, da seção “Comportamento”, afinal, gosta de ler, sobretudo, conteúdos relacionados à gestão de pessoas e cultura organizacional, pois entende a importância da tecnologia aliada às pessoas motivadas e comprometidas com o objetivo estratégico da empresa.
Essa é uma história fictícia a qual retrata o sonho de muitos empreendedores quando se fala em sucessão familiar, contudo, nem sempre o processo de sucessão acontece dessa forma.
Muitas vezes, por falta de interesse do herdeiro ou por falta de vocação, faz -se necessário buscar um sucessor fora do âmbito familiar, encerrar as atividades da empresa ou vender-la para empreendedores que enxerguem na empresa uma boa oportunidade de negócio.
A origem da expressão popular “Oito ou oitenta” vem de um gameshow da TV Excelsior, onde nos anos 70 os participantes concorriam a prêmios, caso respondessem afirmativamente as perguntas – respostas parcialmente corretas valiam oito pontos, enquanto as exatas valiam oitenta. Para causar suspense no programa, o apresentador dizia: “É oito ou oitenta”?
No processo de sucessão familiar, “oito ou oitenta”, expressão popular bastante comum em que as pessoas que não têm meio-termo ao tomar uma decisão, é possível afirmar que essa não é uma decisão que acontece da noite para o dia. O suposto sucessor descobre sua vocação ao longo do tempo até resolver ser o sucessor dos negócios da família ou seguir seu sonho em outra área de atuação.
Até a próxima edição!
*Analista Administrativo Sênior da Distribuidora Automotiva S/A – Filial Salvador; Bacharel em ADM; MBA em Gestão de Empresas; MBA em Liderança Coaching; Co-autor dos livros “Ser Mais Inovador em RH” – “Motivação em Vendas” e “Planejamento Estratégico para a Vida”