BA|202 Um estado pulsante chamado Pernambuco

10ª maior economia do País, o setor de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas é composto por 75.062 estabelecimentos no Estado, o mercado de veículos usados e seminovos é pulsante e próxima a Recife, Goiana abriga o Polo Automotivo Stellantis

Por Karin Fuchs

Pelos dados do último censo do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 2022, Pernambuco é a 7ª unidade federativa mais populosa do Brasil. E pelas estatísticas do Instituto, de 2020, Pernambuco é a 10ª maior economia do País, com um PIB de R$ 179,9 bilhões e o 3º entre os estados do Nordeste. Outro indicador, de 2019, revela que a economia pernambucana é sustentada pelos comércios e serviços (75,8%), seguidos pela indústria (19,7%) e pela agropecuária (4,5%).

Economista da Fecomércio-PE, Rafael Lima de Souza, comentou que no primeiro semestre deste ano, o comércio em Pernambuco apresentou um avanço modesto, registrando alta de 2,5% nas vendas do varejo ampliado em março. “Esse resultado engloba setores como veículos, motos, partes, peças e material de construção. No entanto, o segmento de autopeças e veículos teve um desempenho menos favorável, com uma média de recuo de 5% nas vendas entre janeiro e maio”.

O principal fator que contribuiu para o resultado negativo do segmento em Pernambuco, analisou Souza, foi a restrição do consumo gerado pela elevada taxa Selic. “Os altos preços dos financiamentos comprimem o consumo e investimentos das famílias e das empresas, o que afeta negativamente o segmento de autopeças e veículos. A inflação no emplacamento e licença de veículos próprios também influencia esse cenário negativo para o segmento, que em Recife teve um acréscimo nos preços de 22,8% em 12 meses”.

No Polo, são gerados 14,7 mil empregos diretos em três turnos de produção; ao longo da cadeia produtiva, são gerados cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos

Número de estabelecimentos

Também com base em dados estatísticos do IBGE, do CEMPRE, Estatísticas do Cadastro Central de Empresas, Souza ilustrou com números o setor de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas. “O número total desses estabelecimentos alcançou a marca de 75.062 unidades. O salário médio mensal, situado em torno de R$ 2.005,89, reflete a média dos ganhos no setor. Além disso, a quantidade total de indivíduos empregados nesse ramo atinge a marca de 459.225 colaboradores”.

Mercado de seminovos e usados

No acumulado deste ano até junho, as vendas de seminovos e usados em Pernambuco cresceram 15,8%, em comparação ao mesmo período de 2022, totalizando 199 mil unidades. “Esse crescimento é basicamente em cima de uma atividade econômica que tem se sustentado e crescido razoavelmente bem. É algo a ser discretamente celebrado, porque a gente vem em uma balada boa e o mercado Pernambucano acompanha o crescimento do mercado brasileiro, que cresceu em torno de 14% ou 13% em comparação ao mesmo período de 2022”, comentou o presidente da Fenauto, Enilson Sales.

Também no acumulado do ano até junho, das vendas totais na região Nordeste, a participação de Pernambuco foi de quase 21% e de 20% no ano passado. “Pernambuco e Bahia são os estados do Nordeste que se rivalizam e têm um movimento de comércio de compra e venda de veículos muito semelhante, com participação sempre oscilando entre 20% e 22%, chegando eventualmente a 25% em relação ao resto do Nordeste. A Bahia tem o maior número de cidades do Nordeste, seguida por Pernambuco, o que colabora para que a Bahia rivalize com Pernambuco, e em terceiro lugar em números de cidades está o Ceará”, disse Sales.

Enilson Sales, presidente da Fenauto

De maneira geral, a frota nacional de veículos está envelhecendo e Pernambuco acompanha esse movimento. Segundo Sales, ela vem envelhecendo e o giro do seminovo vem acelerando. “Ela vem envelhecendo porque não tem carro novo no mercado suficientemente ou carro novo que faça com que o consumidor tenha acesso e quando ele não tem, ele vai atrás do usado. Pernambuco caminha nesse sentido, como todo o cenário brasileiro”.

Nas palavras do presidente da Fenauto, o mercado de seminovos e usados é pujante em Pernambuco. “Principalmente na cidade de Recife e na sua região Metropolitana, que é rica e demandadora de veículos. E vem crescendo razoavelmente a compra e venda de picapes, demonstrando que o mercado caminha muito para suportar e apoiar as atividades do mercado informal ou do eletrônico que acaba gerando uma demanda muito grande de entregas”. A Região Metropolitana do Recife é composta por 14 municípios e uma população de cerca de 3,7 milhões de habitantes.

Presença em Goiana

Desde que foi inaugurado em 2015, no Polo Automotivo Stellantis de Goiana, cerca de 63 km distante de Recife, já foram produzidos mais de 1,3 milhão de veículos e a sua capacidade de produção é de 280 mil unidades/ano. No Polo são gerados 14,7 mil empregos diretos em três turnos de produção, com capacitação constante e mão de obra predominantemente local. Ao longo da cadeia produtiva, são gerados cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos.

São cinco modelos produzidos no Polo Automotivo Stellantis de Goiana: Fiat Toro, Jeep Renegade, Jeep Compass, Jeep Commander e Ram Rampage. Além do mercado local, entre outros países latino-americanos, os veículos são exportados de Pernambuco para a Argentina, México, Panamá, Chile e Costa Rica. Sobre os impactos diretos e indiretos que o Polo Automotivo Stellantis de Goiana gera na região, a equipe da Stellantis respondeu.

Rafael Lima de Souza, economista da Fecomércio-PE

“Trata-se de um projeto de localização industrial, em que a montadora trouxe para seu perímetro um parque industrial com 18 fornecedores, e continua a atrair novos fornecedores. São 38 fornecedores instalados em Pernambuco e há negociações em curso para a ampliação da cadeia de fornecedores na região Nordeste. O compromisso com o desenvolvimento social, desde o início do projeto, é com a utilização predominante de mão de obra local e investimentos em capacitação profissional. Hoje, 85% dos trabalhadores são pernambucanos, principalmente do entorno da fábrica, e uma geração estimada de 60 mil empregos na cadeia produtiva”.

E mais, “no desenvolvimento local, Goiana subiu da 13ª posição em 2010 (1% = R$ 901 milhões) para a 4ª em 2019 (6% = R$ 10 milhões). A cidade também teve um impulso de 21% ao ano na produção de bens e serviços. Além disso, um aumento da arrecadação de ICMS de 29% entre 2015 e 2021, que passou de 14% para 60% na composição da receita total do município de Goiana”.

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