Anfavea: projeção de vendas para este ano tem aumento de 6% em relação a 2022

O alerta da entidade é para a participação dos veículos importados. “As importações são importantes, elas têm que trazer tecnologia e novidades para o consumidor, mas o importante é que haja um equilíbrio”, disse Márcio Leite

Por Karin Fuchs

Pelo balanço da Anfavea, no acumulado do ano até setembro foram 1.630.000 unidades emplacadas, 8,5% acima do mesmo período de 2022, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. No ano de 2022 foram 2.104.000 unidades e pelas projeções da entidade feitas em janeiro para este ano, o previsto era terminar o ano com 2.168.000 unidades emplacadas, um volume que foi revisado.

“Um crescimento de 8,5% do mercado interno, por si só, é um fator de comemoração. Agora, as nossas projeções para este ano são de 2.230.000 unidades, um aumento de 6% em relação a 2022”, disse o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. Pelas novas previsões, veículos leves devem terminar o ano com um crescimento de 7,2%, somando 2.102.000 unidades, enquanto pesados devem ter uma queda de 11,1%, com 128.000 unidades.

Fatia dos importados

Com as novas projeções, até o final do ano, 62.000 unidades devem ser vendidas, porém, a maior participação deve ficar para os importados, com 42.000 unidades ou 67% do total.  

“Este fenômeno não tem crescido apenas no Brasil, mas principalmente na Europa. Tem sido um problema para os fabricantes na Europa e o Brasil começa também a ser impactado pelo aumento das importações. Parte se explica pelo período de transição tecnológica, que ainda não se tem na produção local. Essa análise é muito importante, pois estamos falando de geração de empregos, de produção local, de autopeças e componentes”, afirmou Leite.

Segundo ele, a Anfavea tem trabalhado e discutindo muito com o Governo para que haja um equilíbrio entre o crescimento do mercado local, mas não desproporcional em detrimento da indústria local. “As importações são importantes, elas têm que trazer tecnologia e novidades para o consumidor, o que é importante para o setor e para a infraestrutura, mas é preciso que haja equilíbrio. É por isso que existem as regras regulatórias para que não haja uma desproporção e isso coloque o setor em risco”.

Desempenho das vendas

Comparado aos meses anteriores, setembro teve a melhor média diária do ano, com 9,9 mil unidades vendidas. “À exceção de julho, quando as vendas foram impulsionadas pelo programa de desconto do Governo para veículos de até R$ 120 mil. Não se percebe um mercado tão aquecido, mas tem que ser comemorado e acompanhado pelo setor”, analisou Leite.

Veículos leves – O ritmo de vendas se mantém, o que afasta o temor de que haveria uma retração após o fim do programa do Governo. “O mercado continuou com uma boa performance em termos de média diária de emplacamentos e o percentual de vendas diretas subiu, de 48% em agosto para 52% em setembro, indicando que ainda há uma demanda reprimida por parte das locadoras. É um setor muito importante para nós, mas não podemos crescer mirando apenas as vendas diretas, precisamos crescer com emplacamentos para o consumidor final, esse é o nosso grande desafio”, colocou Leite.

Veículos pesados – O programa do Governo que destinava R$ 1 bilhão em descontos para vendas atreladas à renovação da frota de veículos com mais de 20 anos (MP 1.175) expirou no dia 3 de outubro. Dos R$ 700 milhões destinados a caminhões foram usados R$ 130 milhões, e R$ 190 milhões dos R$ 300 milhões para ônibus.

Na análise de Leite, “foi um programa excepcional no contexto de privilegiar a renovação da frota. O setor defende muito a necessidade de uma Inspeção Técnica Veicular da renovação da frota, esse é o caminho para a descarbonização, para que avance para uma frota mais limpa e mais competitiva. É uma pena a economia ter perdido parte desses recursos que poderiam incrementar a indústria, que tem sofrido bastante”.

No segmento de caminhões, o executivo falou sobre a baixa performance em relação ao ano passado. “Principalmente em relação à produção, nós tivemos uma queda neste ano e o mercado consumiu produtos fabricados em 2022. O setor de caminhões vive um momento bastante especial. A MP 1.175 tinha destinado recursos para caminhões e ônibus, e precisava desse fôlego em função das novas tecnologias, mas não foi apreciado pelo Congresso e a MP expirou, conforme já havíamos sinalizado na última coletiva de imprensa”.  

Produção

Para o segmento de leves, as novas projeções da Anfavea apontam para a produção de 2.372.000 unidades até o término do ano, resultado similar a 2022. “Para a produção, que deveria ser o reflexo natural entre emplacamentos e exportações, as nossas projeções no começo do ano eram de 2.421.000 unidade e agora, 2.372.000 unidades”, especificou Leite.

No acumulado do ano até setembro, foram produzidas 1.751.000 unidades, incluindo todas as categorias, 0,3% a menos que no mesmo período de 2022. Já no mês de setembro foram 208.900 unidades, queda de 8% sobre agosto e alta de 0,5% quando comparado setembro de 2023.

“O cenário é de estabilidade. Setembro apresentou a melhor média diária de produção neste ano, com 10.400 unidades. Percebe-se uma pequena retração em relação ao mês anterior, de 8%, que se explica pelo menor número de dias úteis (três a menos), o que é natural que tivesse essa redução”, expôs Leite.

No segmento de pesados, o cenário é de retração, conforme mostrou Vinicius Pereira, economista e assessor da presidência da Anfavea. Em setembro foram produzidas 8.200 unidades de caminhões, 14,6% inferior ao resultado do mês anterior, e no acumulado do ano, com 71.800 mil unidades, a queda foi de 38,5% em relação ao mesmo período de 2022. Para ônibus, com 1.900 unidades produzidas em setembro, a retração foi de 8,9% em relação ao mês anterior, e no comparativo dos acumulados anuais, a queda foi de 35,5%, com 15.400 unidades.

“Houve uma queda bastante significativa em setembro em relação ao mesmo mês do ano passado, de 45% a 50%, explicada pela mudança das regras do Proconve do P7 para o P8. No último trimestre de 2022 houve uma antecipação de compra e a produção no período foi bastante forte, por isso a queda tão acentuada em relação ao mesmo período do ano passado”, explicou Pereira.

Exportações

A Anfavea também revisou as projeções de exportações para este ano. Em 2022, foram 481.000 unidades exportadas. “A projeção inicial para este ano era de uma redução de 2,9% e estamos projetando uma queda maior, de 12,7% ou 427.000 unidades exportadas. Infelizmente, pois as exportações são essenciais para as nossas fábricas e para os nossos investimentos”, lamentou Leite.

Desde setembro de 2021, setembro deste ano foi o pior mês para as exportações brasileiras. “O ano de 2022 foi marcado pelo crescimento das exportações e 2023 começou apresentando uma queda. Para o Chile e para a Colômbia, elas caíram de forma significativa no acumulado até setembro, 29% e 32% (respectivamente). São dois mercados importantíssimos para o setor e para a Argentina, a queda foi de 16%. Uma situação que hoje preocupa”, alertou Leite.

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