Nesta matéria, Nathan Marion, gerente geral da Yuno, pontua as fraudes mais comuns e as consequências para os varejistas
Por Karin Fuchs
A Black Friday está chegando, a próxima edição acontecerá no dia 24 de novembro, e muitos varejistas estão se preparando para aproveitarem a data para impulsionar as suas vendas. Segundo um levantamento da Méliuz, mais de 95% dos entrevistados pretendem comprar algo na data deste ano, sendo que 32% desejam gastar mais de R$ 1 mil. Para a grande maioria (98% do total) a preferência é pelo comércio eletrônico.
O período é bastante positivo em vendas, porém, os varejistas devem ficar atentos para se prevenirem contra as fraudes. Segundo Nathan Marion, gerente geral da Yuno, líder em orquestração de pagamentos na América Latina, isso pode se transformar em uma grande dor de cabeça, ocasionando muitos prejuízos para os comerciantes. “Por ser a época do ano em que mais vendem, os players desse segmento precisam ter cuidado na hora de lidar com as fraudes, evitando o bloqueio por acidente de consumidores idôneos e punindo aqueles que de fato estão com más intenções”, afirma.

Fraudes mais comuns
O especialista lista as fraudes mais comuns, a começar pela Fraude Pura. Nessa modalidade, os criminosos estudam bastante o sistema de detecção de fraudes do varejista e quando descobrem como burlá-lo, passam a fazer compras utilizando dados de clientes idôneos, adquiridos através de phishing (tentativas de fraude para obter ilegalmente informações como número da identidade, senhas bancárias, número de cartão de crédito, etc.) ou aquisição de bases de dados furtadas com cartões de crédito roubados e dados.
“Este é um tipo de crime em que o lojista leva prejuízo em dobro, pois além de perder os produtos comprados pelos malfeitores, ainda precisa ressarcir as vítimas que tiveram seus dados usados nas operações através do chargeback, isso sem contar o custo de imagem da marca”, alerta. Chargeback é quando uma cobrança é contestada pelo titular do cartão e o valor tem de ser devolvido.
Outra modalidade é o Teste de Cartões. Após roubarem um cartão de crédito, os criminosos fazem transações de pequeno valor para testar se o sistema antifraude do e-commerce as detecta. Quando passam despercebidas, eles começam a fazer compras de valores cada vez maiores e após a fraude ser detectada, eles desaparecem. “Também neste acaso, o varejista precisa ressarcir as vítimas e ainda perde os produtos que foram comprados”.
Para evitar que isso aconteça, Nathan destaca que é muito importante que todo o ecossistema digital trabalhe junto para evitar que os fraudadores achem brechas para testar cartões, mesmo em serviços simples onde não há grande perda caso o chargeback aconteça.
Já na modalidade Autofraude, os criminosos usam dados falsos para fazerem compras ou usam o cartão de um familiar e depois que o produto chega, ele abre uma reclamação e alega que a entrega não foi feita, ou simplesmente não reconhece. “Mesmo com a mercadoria em mãos, o comprador ou o criminoso ainda ganha um reembolso por ela, já que supostamente ele não a recebeu. Novamente, o varejista leva prejuízo em dobro, pois perde o item e o dinheiro que receberia por ele”.
Previna-se!
Para evitar fraudes, a dica de Nathan é o varejista usar mais de um método avançado de antifraude em suas plataformas, sempre mensurem e otimizar o processo, até porque, os criminosos estão cada vez mais habilidosos em tecnologia e conseguem quebrar os sistemas com facilidade, de modo que uma única solução pode não ser o suficiente.
“Ao contar com vários sistemas, a empresa dificulta o trabalho do fraudador, diminuindo para quase zero as chances de ele ser bem-sucedido em um golpe, pois ele terá que lidar com muitas informações e padrões diferentes ao mesmo tempo. É importante constantemente rever o processo de prevenção e atuar para melhorá-lo e não se tornar previsível”, afirma. Além disso, diz Nathan, com o investimento maciço em soluções antifraude, a empresa preserva seus clientes, garantindo maior credibilidade junto ao seu público final.