BA|204 O desempenho do setor e as expectativas para este último semestre

Varejistas e empresários da reparação automotiva ilustram o cenário do ano até aqui, o que está por vir e os principais fatores que sensibilizam os resultados

Por Karin Fuchs

Como geralmente acontece todos os anos, o segundo semestre é melhor para os resultados do varejo. Agora, neste último trimestre, a expectativa é grande para impulsionar as vendas de peças e serviços. Segundo Marco Flores, fundador da 2D Consultores Associados, no acumulado do ano até setembro, o varejo de autopeças não cresceu, houve uma redução de consumo, mas não de demanda, o que é positivo.

“O segmento de reposição automotiva não teve uma redução de demanda, mas de consumo. Isso é um dos vetores mais poderosos em favor do segmento e essa demanda está sendo impulsionada por duas elevações: horizontal e vertical. A primeira é a quantidade de veículos que entra no mercado de reposição por ano, de 2023 para 2024, entrarão não menos que 800 mil veículos e não mais que 1,2 milhão de veículos com capacidade de reparabilidade”, afirmou.

Marco Flores, fundador da 2D Êxito Consultores Associados

Em números, Flores calculou que “levando em consideração que cada veículo que entra no mercado de reposição consome no ano entre R$ 1.400,00 a R$ 1.600,00, são cerca de 1 milhão de veículos consumindo em média R$ 1.500,00 no ano, isso vai trazendo volume para o mercado”. A segunda, a vertical, é a idade média da frota. “Ela nunca foi tão velha no Brasil, neste ano, talvez fique entre 10,6 anos e 11 anos”, previu.

Desempenho do varejo

Sobre os resultados do varejo de autopeças no acumulado do ano até setembro, Flores esclareceu que o varejo nominal (sem descontar a inflação) cresceu 6,65%. Descontando a inflação, o segmento não cresceu. “Tanto em operações, número de vendas e número de cupons emitidos ao longo desse período, e no elemento quantitativo de peça a peça, não houve nenhuma evolução em 2023, por enquanto. No entanto, pelos meus mapeamentos, produtos de reparabilidade imediata não tiveram nenhuma retração”.

Segundo ele, são vários os motivos para este resultado, entre eles, a taxa Selic, que apesar da redução para 12,75% ao ano, ela continua alta, o aumento das despesas para os empresários que aderiram ao programa do Governo de concessão ao crédito durante a pandemia, somado ao aumento das contas de consumo. “Pelos dados do Banco Central, no dia 31 de dezembro de 2021, comparado ao dia 31 de dezembro de 2019, cresceu em 78% o endividamento das empresas do nosso segmento. Elas nunca estiveram tão endividadas e, neste ano, elas estão com um desempenho muito pior nos seus resultados, pois o mercado não cresceu e as suas despesas aumentaram”, colocou.

Cláudio Araújo, sócio-diretor da Êxito Consultoria

Para este último trimestre, disse Flores, “todas as séries indicam que a economia é impulsionada por um conjunto de fatores, um deles é o 13º salário”. No entanto, em especial neste ano, o Programa Desenrola Brasil, que possibilita a renegociação de dívidas, pode afetar os resultados. “A demanda existe para o setor de reposição automotiva, mas este programa retirou muito dinheiro que ia para outros setores e foi para as instituições financeiras. O consumidor deixou de reparar o seu veículo para resolver um problema que ele tinha na linha de crédito (negativação do nome)”, argumentou.

Retomada em novembro

Pelas previsões do sócio-diretor da Êxito Consultoria, Cláudio Araújo, a retomada do setor acontecerá em novembro. “A nossa perspectiva é que teremos uma retomada na segunda quinzena de novembro, quando começar a entrar o 13º salário. Tem que se preparar, pois vai entrar dinheiro, tem uma demanda reprimida e a tendência é de um crescimento acelerado, que irá refletir no setor até janeiro ou talvez até o Carnaval, em fevereiro de 2024”.

Guilherme Dietze, assessor econômico da FecomercioSP

Araújo ilustrou que o ciclo de desempenho mensal mudou depois da pandemia. “Normalmente, o segundo semestre sempre tem um comportamento mais ativo, a gente já vem acompanhando isso há alguns anos, a curva sempre melhora no segundo semestre. Mas esse ciclo mudou da pandemia para cá, antes, havia um pico no começo do ano, em janeiro e fevereiro, caia um pouco nos meses seguintes, retomava um pouco em julho e agosto, havia um ciclo de queda em setembro e outubro, retomando em novembro para dezembro”.

Neste ano, disse ele, “janeiro foi um mês muito bom, fevereiro foi ruim porque é um mês curto por causa do Carnaval, março foi bom, abril muito ruim, porque também foi um mês curto e, em seguida, maio a julho sempre muito bons, em ascendência e com resultados bacanas. E, por uma pesquisa que eu fiz, setembro foi o pior mês do ano até agora, isso porque a população está com menos dinheiro, o que resulta em uma dificuldade de consumo”.

Assim como Flores, Araújo também falou sobre a demanda existente. “Quando há uma queda de demanda no mercado de reparação automotiva, isso geralmente está atrelado a uma retenção de demanda, ou seja, apesar de o cliente não estar indo à loja, os carros estão rodando e se desgastando. Sempre que há uma redução, em seguida vem uma onda mais positiva”.

Júlio César Sampaio, o Balconista dos Pampas, de Porto Alegre (RS)

O que percebe-se, afirmou Araújo, é que o consumidor está consumindo somente o necessário e pedindo mais prazo de pagamento nas oficinas. “Isso também está aumentando o endividamento da população, refletindo na queda de demanda. E com a dificuldade financeira, o cliente que fazia o serviço completo começa a restringir parte do serviço. Tudo isso vai gerando um reflexo na injeção de dinheiro no mercado”, concluiu.

Comércio varejista de São Paulo em alta

Pelas previsões da FecomercioSP, o comércio varejista de autopeças e acessórios no Estado de São Paulo deve crescer 11% neste ano. No acumulado do ano até julho, pela Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista no Estado de São Paulo (PCCV), concessionárias de veículos cresceram 16,5% e autopeças e acessórios, 12,6%. Guilherme Dietze, assessor econômico da FecomercioSP, especificou alguns motivos para este resultado.

Matheus Huff, do Mundo do Caminhão, de Vacaria (RS)

“Acreditamos que autopeças e acessórios estão sempre em um momento favorável, pois se aumentam as vendas de veículos novos, será preciso mais peças, mais acessórios e mais componentes para adicionar ao veículo. E quando aumenta a busca pelos seminovos, as pessoas tendem a fazer uma revisão no seu veículo. É um setor que é motivado pelas vendas de veículos novos e pelo seminovos, e que segue em expansão nos últimos anos”.

Em sua opinião, a expansão do segmento de autopeças e acessórios surpreende um pouco neste ano. “O setor automobilístico depende muito de crédito ao consumidor, a taxa de juros está nas alturas, o consumidor está endividado, o que limita a capacidade de consumo. Ao longo deste ano, não somente nos meses que tiveram o benefício do Governo para a compra do veículo novo, os meses anteriores tiveram resultados bastante satisfatórios”.

Por outro lado, disse ele, “com o preço do carro novo mais elevado, acima da inflação oficial dos últimos anos, isso contribui para o aumento do faturamento do varejo de autopeças”. Sobre a previsão de crescimento de 11% para o comércio varejista de autopeças e acessórios no Estado de São Paulo neste ano, Dietze afirmou que o cenário é bastante favorável.

“Mesmo em um cenário de juros elevados e crédito caro, as concessionárias de veículos e autopeças e acessórios têm tido uma performance bastante satisfatória e a tendência é que continue por conta da redução da Selic e os impactos no cenário de crédito em 2024”.

Ainda de acordo com ele, “por mais caro que esteja, as famílias estão com acesso ao crédito, e a volta do trabalho presencial e das atividades demandam veículos (incluindo os de aplicativos). Talvez na pandemia elas não tenham trocado de carro e agora estão fazendo isso”, refletiu.

Questionado sobre como a inflação oficial (IPCA), que em um período de 12 meses, até agosto, acumulou 4,24%, interrompendo uma sequência de desaceleração que vinha desde maio de 2022, quando acumulava 12,2%, impacta o comércio varejista, Dietze respondeu, “quando a inflação está mais baixa, sobretudo, quando há uma deflação no grupo de alimentos e bebidas, principal grupo de consumo das famílias (cerca de 1/3 do orçamento delas), isso ajuda o poder de compra neste e, em outros segmentos do varejo. Inflação baixa é crucial para o crescimento sustentável e de longo prazo no comércio varejista”.

André Keppe, da Keppe Autopeças, de Curitiba (PR)

Em relação à taxa Selic, que teve mais uma redução em setembro, para 12,75% ao ano, ele frisou que os reflexos só serão sentidos no próximo ano. “Os efeitos nessa redução, que vimos a partir de agosto, ainda são muito tímidos. Para sentir um efeito tanto no consumidor quanto para os empresários, o prazo é de pelo menos 6 meses, então, a gente vai ver os impactos mais significativos na redução dessa taxa de juros em 2024”.

O assessor econômico da FecomercioSP sintetizou que a redução de juros significa maior poder de compra e menor drenagem para o sistema financeiro; menos juros pagos pelas famílias para o sistema financeiro. “Sobra mais dinheiro no bolso, amplia o consumo e ajuda a economia. Crédito mais barato é importante para estimular a compra de bens duráveis”, finalizou.

João Pelegrini, do Grupo Pelegrini, de Uberlândia (MG)

A seguir, empresários do varejo e da reparação automotiva contam como foi o ano até agora e o que preveem para o fechamento do ano.

Região Sul

Nas palavras de Júlio César Sampaio, o Balconista dos Pampas, de Porto Alegre (RS), “neste ano havia muita expectativa em relação ao novo Governo e com as especulações, o mercado automotivo teve pouco crescimento e é perceptível a mudança de comportamento do consumidor, gerando compras menores e apenas o realmente necessário. Muitas vezes, tendo que priorizar o mais urgente, em muitos casos, solicitando descontos e, em outros, o parcelamento em condições especiais”.

Neste ano, contou Júlio César, o Governo Estadual do Rio Grande do Sul aprovou a antecipação do 13º salário a fim de movimentar a economia. 90% do valor será depositado em 1º de novembro. “Com isso, o mercado automotivo espera recuperar um pouco dos dias menos produtivos e, com a proximidade do fim de ano e as férias de verão, tudo isso soma-se para um crescimento razoável para fechar o ano sem perder o ânimo para 2024”.

Porém, ele ponderou, “embora as perspectivas sejam otimistas, o crescimento deverá ser pouco, até porque algumas incertezas ainda existem, mas seguimos trabalhando com afinco esperando dias melhores para todos”, finalizou.

Em Vacaria (RS), Matheus Huff, do Mundo do Caminhão, mostrou um cenário oposto. “Os resultados surpreenderam, apresentamos um crescimento de 59% em relação ao primeiro semestre de 2022. Creditamos o sucesso à implementação de melhorias no processo logístico e na inclusão de produtos exclusivos”. Sobre o comportamento do consumidor, disse ele, “percebemos uma dificuldade maior na obtenção de crédito junto ao mercado financeiro”.

Para este último trimestre, ele projeta um crescimento maior ainda. “Em função da Black Friday (que acontecerá no dia 24 de novembro), esperamos seguir acelerando forte com um ritmo de até 80% de crescimento em relação a 2022, incluindo também, as melhorias que realizamos da porta para dentro, principalmente nos setores comercial e logístico”, especificou.

Silvio Ricardo Cândido, da Peghasus Powered Motors, de São Paulo (SP)

O empresário André Keppe, da Keppe Autopeças, em Curitiba (PR), também disse que o resultado foi positivo até agora, o que ele atribuiu à sua atuação nas mídias sociais. “Eu tenho uma presença muito forte nas mídias sociais, neste ano, também migrei para um software mais leve, que se comunica com as plataformas digitais de vendas, o que deu uma visibilidade para a minha empresa, tanto regional como nacionalmente. Geralmente, o cliente que compra comigo me conhece pela internet, ou por já comprar comigo, e eu estou sempre na loja”.

O que faz a diferença no seu negócio, disse ele, é a venda consultiva. “Desde que tenho esta loja há um ano e sete meses, a proposta é ensinar ao cliente sobre o seu carro e as peças, as diferenças entre as marcas e o que é melhor para ele. Talvez o meu atendimento seja mais demorado, mas muito mais eficaz. Então, minhas vendas são menores em quantidade, porém, maiores em valores. Estamos gostando muito de fazer essa consultoria que está dando bons frutos: vendas maiores e melhores”.

Silvano Ramalho, da Edson Auto Peças, de Cuiabá (MT)

A expectativa dele para os últimos três meses do ano é de que as vendas sejam bem impactantes no seu faturamento. “Com um crescimento de pelo menos 20%, influenciado também pelo 13º salário e as pessoas se planejam para viajar. Nós temos um atendimento muito forte com o consumidor final pelo WhatsApp e contratamos um novo funcionário”, finalizou.

Região Sudeste

Na análise de João Pelegrini, do Grupo Pelegrini, de Uberlândia (MG), com todo o cenário político e econômico nebuloso neste ano, o que fez a diferença no seu negócio foi a dedicação total e o envolvimento. “Essa dedicação e envolvimento de corpo e alma fez com que o negócio andasse também. Até agora, nós tivemos um crescimento em torno de 15%, preponderantemente, pela nossa dedicação ao negócio e por não cairmos na zona de conforto”.

Paulo César da Silva, da Imperial Auto Center, de Cuiabá (MT)

Ele aproveitou para deixar uma dica. “Nós estamos sempre na expectativa e buscando oportunidades para enxergar no dia a dia o que podemos melhorar, como, por exemplo, no atendimento e na gestão do estoque. O empreendedor tem que ter o seu negócio em suas mãos, todas as vertentes e os indicadores. Ele tem que ter o controle”, afirmou.

A previsão de Pelegrini para este último trimestre é de crescimento. “Seguindo com dedicação e influenciado também pelo 13º salário a partir de novembro, o que normalmente aumenta a movimentação e o volume de dinheiro no varejo. Percebemos também que houve uma acomodação no volume de carros novos, com isso, as pessoas arrumam seus veículos e evoluiu o nível de faturamento do varejo de autopeças”, justificou.

Silvio Ricardo Cândido, da Peghasus Powered Motors, em São Paulo (SP), sintetizou que quem tem carro usado está fazendo a manutenção. Para ele, o ano foi ótimo até agora. “Não posso reclamar de nada, teve altos e baixos ao longo do caminho, mas as metas foram batidas constantemente”. A oportunidade, disse ele, tem sido vender mais para o mesmo cliente e exemplificou com os filtros de arcondicionado.

“Antes, de uma média de 120 veículos por mês que passavam na oficina, a gente vendia em torno de 30% a 40% de filtros de ar-condicionado. Agora, esse percentual é de quase 90%. É uma grande oportunidade, as montadoras fazem isso e os clientes aceitam de bom grado. Os carros-chefes delas são filtros e higienização do ar-condicionado”. Quanto às expectativas para este último trimestre, “o 13º salário é sempre bom, o pessoal com um pouco mais de dinheiro faz o serviço. A nossa previsão é terminar o ano com um crescimento de 10% a 15%”, antecipou Cândido.

Rogério Nobre Façanha, da Truckão Autopeças, de Fortaleza (CE)

Região Centro-Oeste

Na Edson Auto Peças, em Cuiabá (MT), Silvano Ramalho comemorou os resultados. “Este ano foi acima do esperado. Com os juros altos, muitas pessoas não trocaram os seus veículos, deram uma segurada, e a gente acaba vendo isso mais com o pessoal reparando os veículos. As vendas variam muito (componentes) e acaba melhorando bastante o movimento. Crescimento que atribuo também a algumas mudanças que eu fiz na empresa, visual da loja, fachada, melhorei a parte interna e a minha logística”.

Kleybson Lucena, da Lucena Auto Service, de Recife (PE)

Para facilitar a vida dos clientes e a pedido deles, Silvano negociou com as administradoras de cartões de crédito os prazos de parcelamento. Foi uma soma de vários fatores que impulsionaram o seu crescimento e que se mantém. “Este mês começou bem, estamos na região do agronegócio e ele está muito forte. Mato Grosso é um dos maiores produtores de grãos do País e isso melhora muito o nosso movimento na parte de autopeças e em outros ramos também. Já abri mais uma loja (hoje são três) e vou abrir outra”, antecipou.

Na Imperial Auto Center, também em Cuiabá (MT), a empresa vai de vento e popa. “Vamos fazer sete anos em janeiro de 2024, atuamos com automóveis e caminhonetes, e este ano está sendo muito bom. Até agora, o nosso crescimento foi de 30% e se conseguirmos manter este resultado até o final do ano, nós já estamos no lucro. O 13º salário influencia bastante, o pessoal arruma o carro para viajar, além de outras coisas que influenciam muito na nossa economia”, afirmou Paulo César da Silva.

A estratégia dele tem sido a divulgação da Imperial pelas redes sociais e pelo Google. “Isso tem trazido bastante retorno, atraímos vários novos clientes por essas plataformas”, comentou acrescentando que eles também estão diversificando a oferta de serviços, em especial, para a linha de transmissão automática. “Só neste ano, entraram no nosso mercado automotivo 600 mil carros com transmissão automática. Isto é uma expectativa muito boa para quem está no segmento e nós fomos buscar conhecimento e tecnologia para dar o atendimento ao cliente final”, concluiu.

Região Nordeste

Na Truckão Autopeças, em Fortaleza (CE), Rogério Nobre Façanha falou que neste ano até agora, o crescimento foi similar ao dos outros anos. “Está de parabéns quem do setor teve crescimento aqui no Estado do Ceará, algumas empresas saíram do mercado e outras ficaram na média de 2022. Desde o ano passado vem explodindo o volume de parcelamentos, a população está com menos dinheiro, com dificuldade de honrar os seus compromissos, mas, desde o início do ano, o Governo tem feito um trabalho para acertar e temos que fazer a nossa parte para as coisas acontecerem”, defendeu.

Emerson Parente, da Parente Auto Peças, de Porto Nacional (TO)

Por indicadores, Façanha prevê que coisas boas estão por vir. “Acho que melhorarão as condições de compras da população, os indicadores mostram que o Brasil terá crescimento (PIB), os juros começaram a cair e esperamos que até 2024, isso esteja equacionado para começarmos a respirar melhor. Nós estamos nesse mercado competitivo e precisamos nos preparar para acompanhar para onde ele vai e tentar também levar a equipe”.

Para os últimos três meses deste ano, Façanha disse que a Truckão terá crescimento, principalmente, na área de serviços. “O 13º salário impacta na economia e no nosso negócio, com mais caminhões rodando e precisando de revisão. As nossas perspectivas são de um crescimento de 12% na área de serviços e de 4% a 5% em autopeças”, projetou.

Na Lucena Auto Service, em Recife (PE), Kleybson Lucena ilustrou um cenário bem positivo neste ano. “A nossa empresa obteve um crescimento na casa dos 18% nas vendas de peças e de 26% nos serviços de mão de obra na reparação automotiva. Entendo que este crescimento esteja atribuído a alguns fatores: valorização da mão de obra especializada, facilidade na forma de pagamento ao cliente, variedade de peças e valorização dos colaboradores no que se diz a respeito à sua motivação e metas para serem alcançadas”.

Segundo ele, aumentou o ticket médio das vendas e o volume de parcelamento, em média, de seis vezes no cartão de crédito, e houve queda nas vendas à vista. Por outro lado, o custo das peças aumentou, conforme ele comentou. “Não encontramos dificuldade relacionada à aquisição das peças, mas percebemos um aumento significativo, de até 35% para algumas delas”.

Para o término deste ano, a expectativa de Lucena é de aumento de vendas. “Tendo em vista que, historicamente, nos anos anteriores sempre o segundo semestre é melhor. Nos feriados nos últimos meses do ano é de praxe os clientes viajarem e eles aproveitam para realizar checkup no seu veículo”, afirmou.

Região Norte

A região Norte do Brasil é muito influenciada pela agropecuária e os seus resultados refletem em todos os setores da economia e em autopeças não é diferente. Tanto que dois empresários da região traçaram o mesmo cenário neste ano. Na Parente Auto Peças, em Porto Nacional (TO), Emerson Parente contou que até agora eles não bateram as metas estipuladas no início do ano.

“No entanto, não está ruim, pois estamos conseguindo vender um pouco mais do que a média do ano passado, mas não está tendo aquele crescimento. Nós fizemos investimentos, ampliamos o nosso negócio, ampliamos o quadro de funcionários, reformamos e climatizamos a loja e há 60 dias montamos um auto center moderno, ainda não veio o resultado dele, o que vai levar uns dois ou três meses para engrenar”.

Um resultado que ele atribui à agropecuária “Nós tivemos um ano muito parado, os nossos clientes do agronegócio estão reclamando muito. O agro pesa muito na nossa região e o preço da (arroba) do gado caiu muito. Tudo isso está influenciando o nosso mercado a não ter crescimento”, analisou.

A expectativa dele é minimizar os resultados nos últimos meses do ano e, para isso, a Parente Auto Peças participará de duas campanhas de vendas. “O 13º salário sempre influenciou nas minhas vendas, tanto que estamos nos preparando para participar da Black Friday na última sextafeira de novembro e teremos outro evento no dia 8 de dezembro, em parceria com a Nakata. A minha esperança é tentar diminuir a diferença da média do ano, em novembro e dezembro. Até agora, estamos em quase 12% a menos que em 2022, no acumulado dos dez meses do ano. A minha intenção é diminuir esse percentual”, antecipou.

Imaral Pneus e Auto Center, de Buritis (RO)

Em Buritis (RO), município que também tem forte impacto da atividade pecuária, Dihones Lucas Porto, da Imaral Pneus e Auto Center, focada em automóveis e caminhonetes, pontuou o quanto a queda do valor da arroba do boi neste ano sensibilizou os negócios locais.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/ Esalq – USP), de janeiro deste ano até 11 de setembro, o valor da arroba teve uma queda de 30%. “A nossa região é muito voltada para a pecuária. É o que movimenta o nosso município e a baixa da arroba do boi afetou diretamente o nosso ramo e a todos”, lamentou.

A expectativa dele é que aconteça neste final de ano o mesmo que aconteceu nos anos anteriores. “O pessoal deixar para fazer a revisão de seus carros no segundo semestre para viajar. A nossa expectativa é de que isso aconteça para termos uma produtividade melhor na loja, mas olhando para o nosso dia a dia e a baixa da pecuária, este ano será bem aquém do esperado. Até agora, crescemos um pouco abaixo do resultado do ano passado e lançamos uma promoção na loja para incentivar os clientes”, finalizou.

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