Mercado 0Km dá sinais de reaquecimento, o desafio é impulsionar as vendas

O mês de outubro foi o segundo melhor do ano, com 218 mil unidades vendidas (todas as categorias). No período, o segmento de automóveis cresceu 12%, impulsionado pela maior demanda das locadoras

Por Karin Fuchs

Pelos números da Anfavea, outubro foi o 2º melhor mês do ano em vendas de veículos, com 218 mil unidades (todas as categorias), atrás de julho, com 226 mil unidades. A média diária de venda foi de 10,4 mil unidades, aproximando-se do patamar pré-pandemia, quando foram emplacadas, em média, 11 mil unidades/dia. “O mercado está dando sinais de reaquecimento”, disse o presidente da entidade, Márcio Leite. No acumulado do ano foram 1,847 milhão de unidades emplacadas, 9,7% acima do mesmo período de 2022.

Especificamente o segmento de automóvel cresceu 12% em outubro em relação a setembro. “Esse crescimento foi impulsionado pela demanda das locadoras. A venda ao varejo foi relevante, mas para as locadoras houve um crescimento de 29%, algo em torno de 75 mil unidades que foram emplacadas, contra cerca de 50 mil nos meses anteriores. O varejo não está ruim, está crescendo, mas não na mesma proporção que vêm crescendo as vendas diretas”, comentou Leite.

No acumulado do ano, as vendas para o varejo somaram 1 milhão de unidades, ante 1,1 milhão em 2022. Segundo Leite, “a partir do momento em que as vendas para o consumidor são reduzidas, por conta de financiamentos e taxas de juros, as vendas diretas não são impactadas por isso, elas têm outra lógica. Percebemos que as vendas diretas se mantiveram na faixa de 900 mil unidades, enquanto o varejo perdeu força”.

Ele também ilustrou o quanto as vendas caíram, tomando como base o ano de 2014. “Nós tínhamos um mercado de 2,5 milhões de unidades no varejo e 1 milhão de venda direta. O grande desafio do setor é fazer o varejo crescer. O mercado consumidor tem que ter o seu carro, acesso ao crédito e maior rapidez e agilidade. Atualmente, cerca de 77% das propostas nos bancos são recusadas, algumas não são nem avaliadas”.

Novas tecnologias

No segmento de automóveis e comerciais leves foram 67,1 mil unidades emplacadas com as novas tecnologias de propulsão no acumulado deste ano, sendo 75% híbridos e 25% elétricos. Em comparação aos anos anteriores, o volume de emplacamentos desses veículos cresceu 36,1% em relação a 2022, 40,8% acima de 2021 e 77,7% quando comparado a 2020.

No resultado de outubro, foram 9,6 mil unidades emplacadas, 13% acima do mês anterior e 114% quando comparado a outubro de 2022. “Apenas o veículo elétrico passou de 1,8 mil unidades emplacadas para 2,4 mil, entre setembro e outubro. Um crescimento de 30%. O elétrico já representa 25% do total dos eletrificados, em outubro de 2023 esse percentual era de 22% e de 14% no mesmo mês de 2022. Então, os híbridos acabam tendo uma performance um pouco menor. É uma tendência os elétricos começarem a fazer parte do dia a dia do mercado junto aos híbridos na eletrificação”, afirmou Leite.

Produção

Em outubro, foram produzidos nas montadoras 200 mil veículos, abaixo do resultado do mês anterior (209 mil), impactadas pelo aumento de 27% nas importações de veículos. Ao todo, foram 57,6 mil unidades no acumulado do ano. Na análise do presidente da Anfavea, “os estoques se mantiveram praticamente inalterados, o que vem impactando a produção são as importações”.

Ainda de acordo com ele, as importações têm tido um foco especial da Anfavea e das montadoras. “Elas inibem os investimentos não só no Brasil, mas na Argentina, e tivemos também importações da Argentina. A nossa produção vem sendo impactada, apesar do aumento das vendas e das exportações (em outubro)”. No acumulado do ano foram produzidas 1,951 milhões de veículos, resultado 0,6% inferior ao mesmo período do ano passado.

Veículos pesados

No segmento de pesados no acumulado do ano, as vendas de ônibus já ultrapassaram a marca de todo o ano de 2022, totalizando 17,4 mil unidades e 30,7% acima do ano passado. Já caminhões, ainda que em outubro tenha sido registrado um aumento de 7,7% nas vendas (9,4 mil unidades), no acumulado do ano a queda foi de 14,9%.

“Essa queda é explicada pelas mudanças nas regras do Proconve, o que dificulta a penetração de produtos com a tecnologia P8 no atual mercado brasileiro”, analisou o economista da Anfavea, Vinícius Pereira. Ainda que outubro tenha tido um crescimento de 7,7% comparado com o mês anterior, em relação ao mesmo mês de 2022, a queda foi de 12,5%.

Já no segmento de ônibus, Pereira mostrou outro cenário. “No acumulado do ano, o crescimento de 30,7% está muito relacionado ao contexto que o segmento de ônibus vem passando. No pré-pandemia (2019) foram emplacadas cerca de 21 mil unidades e os anos seguintes foram muito prejudicados pela pandemia (abaixo de 17 mil unidades ao ano) e o crescimento de 30,7% tem a ver com o volume baixo dos anos anteriores”.  

Também no acumulado, aumentou em 3,6 mil unidades o volume de emplacamentos de ônibus urbanos. “90% de crescimento (dos 30,7%) é explicado pelo maior volume de emplacamentos de ônibus urbanos”, especificou Pereira.

Quanto à produção de pesados, foram 10,5 mil unidades de caminhões em outubro, alta de 27,5% em relação ao mês anterior, e no acumulado do ano, alta de 37,8% quando comparado a 2022, chegando a 82,2 mil unidades. Ônibus tiveram um crescimento de 12,5% nos comparativos mensais (2,1 mil unidades) e alta de 35,2% no acumulado do ano, somando 17,5 mil unidades.

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