As marcas chinesas conquistaram o mercado de veículos eletrificados no Brasil

Em outubro, a GWM liderou o ranking de vendas de carros híbridos e do segmento premium. A BYD liderou as vendas de veículos 100% elétricos. Ambas continuam investindo fortemente no Brasil e mais novidades vêm por aí

Por Karin Fuchs

A história da BYD no Brasil começou com a comercialização do SUV Premium de 7 lugares BYD Tan em dezembro de 2021. No ano seguinte, foram lançados o BYD Han EV (Sedã 100% elétrico), o BYD Song Plus (SUV híbrido) e BYD Yuan Plus (SUV 100% elétrico), que fizeram a companhia fechar o ano com a venda de cerca de 400 unidades. Em junho de 2023, a BYD lançou o Dolphin (Hatch 100% elétrico), atual líder de vendas da companhia no Brasil.

“O Dolphin mudou a história do mercado de carros elétricos no País com milhares de unidades vendidas em poucas semanas e ocupa o posto de BEV mais comercializado este ano. Outro sucesso de vendas foi o Seal (Coupe esportivo 100% elétrico) que esbanja conforto, elegância e potência. A previsão geral para este ano é chegar próximo a 15 mil unidades”, prevê Alexandre Baldy, conselheiro especial da BYD.

Ele conta que o modelo Dolphin “fez com que todas as montadoras revissem suas políticas de preços e é um modelo que já está ganhando diversos prêmios no mercado”. Em relação aos lançamentos, diz ele, “a BYD continuará com sua estratégia de trazer ao mercado brasileiro seus modelos que já são sucesso em outros países e terá muitas novidades ao longo de 2024”.

Alexandre Baldy, conselheiro especial da BYD

Market Share

No mês de outubro, a BYD vendeu 1.632 veículos 100% elétricos (BEV). “O que significa que no décimo mês de 2023 a marca comemora 69% de participação de mercado. Quando o recorte é o acumulado do ano, até o mês de outubro foram vendidos 10.095 veículos 100% elétricos no País, deste total 4.558 foram da BYD, uma fatia de 45% do mercado”, especifica Alexandre.

Investimentos

Neste ano, a companhia anunciou o investimento de R$ 3 bilhões para o complexo fabril em Camaçari (BA). “Esta será a primeira fábrica de carros da companhia fora da Ásia e promete ser o maior polo industrial da BYD fora da China, o que é uma mensagem clara de como a companhia acredita, aposta e investe em longo prazo no potencial do mercado brasileiro, um dos mais importantes do mundo”, comenta Alexandre.

Além disso, a BYD investirá na construção de um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Salvador (BA). “Dentre os diversos estudos que vai fomentar, ele terá como um dos principais objetivos desenvolver tecnologia de um motor híbrido-flex, para combinar o etanol brasileiro com o motor elétrico”, antecipa.

Garantia

Os carros da BYD no Brasil têm 8 anos de garantia no motor elétrico, ou 200 mil quilômetros. “Já a bateria Blade que equipa os carros da greentech possui 8 anos de garantia sem limite de quilometragem. Outro detalhe importante é que BYD oferece 5 anos de revisões grátis ou 100 mil km nos carros elétricos. Atualmente a marca conta com 34 lojas abertas, distribuídas nas principais cidades brasileiras e já há mais 75 nomeadas em processo abertura. Para 2024, a previsão vai chegar a 200 unidades em operação”.

A BYD não trabalha com oficinas credenciadas. “Porém, as concessionárias da marca são completas, com pós-venda e assistência técnica. A BYD também montou um grande centro de reposição de peças no Estado do Espírito Santo para atender de forma rápida qualquer necessidade dos consumidores”, afirma.

Descarbonização

Alexandre destaca que a BYD coloca o Brasil em uma posição de vanguarda na descarbonização graças às altas tecnologias aplicadas nos modelos. “Um futuro mais verde e o uso de uma bateria segura e de altíssima performance nos veículos da marca fazem parte desse caminho. No lugar de usar o silício como principal componente, a BYD criou uma tecnologia própria e disruptiva, à base de lítio, metal encontrado em abundância no Brasil. Com química LFP (lítio, ferro e fosfato), as Baterias Blade revolucionaram a indústria de veículos elétricos por terem um carregamento mais rápido, mais autonomia e mais potência, ocupando menos espaço e com a maior durabilidade do mercado”.

Tecnologia

O BYD SEAL é o primeiro veículo da marca a adotar a tecnologia Cell-to-Body (CTB), uma inovação que atua de forma integrada com a bateria Blade e a estrutura da carroceria, aumentando a segurança do veículo. “Ou seja, a tecnologia CTB permite que a bateria Blade atue como piso da carroceria, formando uma estrutura única, em camadas sobrepostas, entre a própria bateria e o piso. Esse sistema pode assegurar uma rigidez de torção de 40.500 N.m/º, equivalente a automóveis de luxo”, explica.

Alexandre acrescenta que “a tecnologia CTB garante ainda uma vida útil mais longa e maior espaço interno ao veículo. Outra grande vantagem é garantir uma vedação perfeita que permite ao veículo ficar mais baixo em relação ao solo e com excelente estabilidade, aumentando o seu desempenho esportivo e performance. Particularmente, no BYD Seal, a tecnologia CTB mostrou um coeficiente de arrasto de apenas 0,219 Cd”.

Já a tecnologia BYD DM-i, diz ele, “mescla inovação e solução exclusiva na linha de modelos híbridos, apresentando uma série de melhorias, incluindo baixo consumo de combustível, rápida aceleração, dirigibilidade suave e silenciosa, além de baixa emissão de CO2. Quando comparados aos veículos tradicionais à combustão, os modelos equipados com a tecnologia híbrida DM-i se destacam como produtos inovadores e de menor dependência aos combustíveis fósseis”.

e-Platform 3.0

O objetivo da e-Platform 3.0 é promover o desempenho dos veículos elétricos nos fatores de segurança, condução em baixa temperatura e experiência na direção inteligente, para construir veículos elétricos mais eficientes. “Portanto, a nova geração da plataforma eletrônica BYD abrange veículos de diferentes tamanhos, desde pequenos a grandes, e ainda estará aberta à indústria para facilitar o desenvolvimento de veículos elétricos inteligentes em todo o mundo.

A plataforma ainda possibilita muito mais conforto com um maior entre eixos que garante mais espaço interno para o motorista, passageiros, especialmente no banco traseiro”.

Build Your Dreams

A sigla BYD nasceu da combinação de três palavras em inglês, Build Your Dreams. Segundo Alexandre, “a junção dessas letras será tão lembrada por gerações atuais e futuras como a principal marca da revolução automotiva. Isso ocorrerá porque a BYD está muito além da comercialização de veículos elétricos e da criação placas solares, mas atua, principalmente, na construção de um planeta mais sustentável, melhorando a vida das pessoas com soluções de energia que vão desde a geração de energia solar, fabricação de baterias, veículos, ônibus, caminhões, empilhadeiras e outros modais”.

Iniciada em 1995, na China, pelas mãos do químico Wang Chuanfu, com a missão de combater as mudanças climáticas do planeta e de transformar a energia do sol em movimento, a BYD alcançou sólida experiência na construção de baterias recarregáveis e se tornou uma defensora do desenvolvimento sustentável, expandindo suas soluções dentro e fora do País.

“O sólido negócio e o vasto conhecimento no segmento de baterias fizeram com que a BYD enxergasse um ecossistema de energia com emissões zero, compreendendo a geração de energia solar, o armazenamento e o transporte eletrificado. Em consonância com os temores e alertas climáticos da última década, a BYD tem a missão de ajudar a reduzir em 1º C a temperatura do planeta”, conclui Alexandre.

GWM lidera no ranking de vendas de carros híbridos

No mês de outubro, a GWM, mais uma vez, liderou o ranking de vendas de carros híbridos no mercado brasileiro, com o SUV Haval H6. Foram emplacadas 1.450 unidades do modelo, sendo este o segundo maior volume de vendas da marca no País desde abril (em agosto foram 1.452 veículos). Em apenas seis meses, a Autotech brasileira já emplacou mais de 7 mil veículos de um único modelo. Considerando todos os veículos eletrificados, híbridos, plug-in e elétricos, o GWM Haval H6 fica à frente até mesmo do BYD Dolphin 100% elétrico (1.365) e do Toyota Corola Cross híbrido (1.124).

Os resultados foram apresentados em uma live, que teve as participações de Oswaldo Ramos, CCO da GWM Brasil, e de Ricardo Bastos, diretor de Assuntos Institucionais. De acordo com Oswaldo, “a GWM vem se consolidando no Brasil, em um patamar médio de vendas de 1.500 unidades por mês, lembrando que no início das nossas operações, o projeto inicial era de que fossem comercializadas 700 unidades por mês. Isso comprova o sucesso da marca, que chegou para revolucionar o mercado brasileiro”.

A GWM também está em primeiro lugar em vendas no segmento premium (acima de R$ 300 mil), onde marcas como BWM, Audi e Volvo tradicionalmente dominavam. Entre os cinco modelos mais comercializados em outubro, o 1º lugar foi para o Haval H6 GT (486), seguido por BMW X1 (418), Volvo XC60 (323), BMW 320I (310) e Audi Q5 (246).

Mais lançamentos

Durante a live, os executivos Oswaldo Ramos e Ricardo Bastos falaram sobre a Autotech Experience, uma viagem realizada à matriz da empresa chinesa, em Baoding, junto com clientes, concessionários, executivos da marca e parceiros, para conhecer os processos de produção, novas tecnologias e, principalmente, os próximos produtos que serão lançados no Brasil. Na ocasião, Ricardo antecipou. “O nosso País é prioridade global da marca. Serão 10 lançamentos em 3 anos, com produtos de altíssima qualidade e tecnologia, e sempre adaptados ao gosto do consumidor brasileiro”.

Oswaldo Ramos

Modelos

A GWM tem quatro linhas de veículos, Haval, Ora, Tank, Poer e Wey. Por enquanto, somente o Haval H6 é vendido no Brasil, mas até o fim do ano, será a vez do Ora 03 (100% elétrico) e, para 2024, a GWM terá novidades destas e das outras linhas. “Serão modelos inéditos, que ainda nem foram lançados na China. Não vamos lançar aqui o que já existe lá, nós vamos sempre lançar o próximo”, antecipa Ricardo. 

Na família de SUVs urbanos Haval mais dois modelos com variações de carroceria estão previstos para o mercado brasileiro. Na linha off-road, a Tank virá para o Brasil com dois ou três modelos. Um deles, com sete lugares e muito luxo interno. A família Wey também deve entrar no portfólio.

No segmento de picapes, a Poer será comercializada aqui, com um ou dois modelos, também inéditos. “As novidades não param por aí. Nós vamos trazer para o Brasil uma tecnologia inovadora para veículos híbridos off-road 4×4, uma plataforma que vai servir para os modelos Poer e Tank, com motorização flex”, disse Ricardo.

A marca

No Brasil desde 2021, a GWM é a maior empresa automotiva chinesa de capital 100% privado, 4ª maior fabricante mundial de picapes médias, segmento que ela lidera na China há 24 anos, onde tem uma participação acima de 50%. Em 10 anos, a GWM investirá mais de R$ 10 bilhões na sua operação no Brasil, com veículos eletrificados e conectados.

Compartilhe