Sexismo ainda é uma realidade global em vários ambientes da sociedade

No Brasil, o índice de preconceito é muito elevado quanto à integridade física e o direito de a mulher decidir querer ou não ter filhos, em relação às mulheres na política e no mundo dos negócios

Por Karin Fuchs

O sexismo, uma discriminação ou preconceito contra um gênero, seja de homens ou entre as próprias mulheres, ainda é lamentavelmente uma realidade global. Prova disso foi um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado em 2023, realizado em 80 países, o que corresponde a 90% da população mundial, independentemente de gênero.

Para o levantamento, foram avaliadas quatro dimensões sobre preconceito de gênero – integridade física, educacional, política e econômica. Entre os entrevistados, quase 90% da população mundial, independentemente de gênero, têm algum tipo de preconceito contra as mulheres; percentual similar no Brasil (84,5%). Chama a atenção que o preconceito contra mulheres aumentou no País, na comparação com o levantamento de 2012, 15,2% disseram não ter esse tipo de preconceito, ante 10,2%. Por aqui, nas quatro dimensões avaliadas, as principais constatações foram:

– 75,56% dos homens têm preconceito em relação à integridade física e o direito à decisão de querer ou não ter filhos, entre as mulheres 75,79% têm esse tipo de preconceito. Globalmente, mais de um quarto da população mundial acham justificável um homem bater em sua esposa;

– 39,91% têm preconceito de gênero e acreditam que mulheres não são tão boas políticas como os homens ao desempenharem a função. Globalmente, quase metade das pessoas acreditam que os homens são melhores líderes políticos do que as mulheres;

– 31% dos brasileiros afirmaram que homens teriam mais direito ao trabalho do que as mulheres ou homens fazem melhores negócios do que as mulheres. Globalmente, mais de 2 em cada 5 pessoas acham que os homens são melhores executivos de negócios do que as mulheres;

– O menor índice de preconceito no Brasil é para a educação, 9,59% disseram que a universidade é mais importante para homens do que para as mulheres;

– Considerando todos os quesitos avaliados, o Brasil apresentou resultados semelhante a países como a Guatemala, Bielorrússia, Romênia, Eslováquia, Trinidad, Tobago, México e Chile.

Ranking global

Pelo último relatório Global Gender Gap, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial também no ano passado, entre 146 países analisados, o Brasil subiu no ranking global com melhor paridade entre os gêneros, da 94ª posição em 2022 para a de 57ª. Numa escala de 0 a 1, o Brasil alcançou nota igual a 0,7 pontos, com destaque para oportunidades educacionais e de saúde, porém, com grande disparidade de gênero na participação econômica e mais ainda na política.

O Brasil ficou atrás de Croácia e Bolívia e à frente de Panamá e Bangladesh. Os melhores classificados em equidade de gênero foram, nos três primeiros lugares, a Islândia (0,912 pontos), Noruega (0,879) e Finlândia (0,863), enquanto o Afeganistão (0,405 pontos), ficou bem abaixo do penúltimo colocado.

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