Por Valtermário Rodrigues*
No artigo anterior, abordamos o tema: “os cinco sentidos no ambiente de trabalho”. Nessa edição, abordaremos a tomada de decisões, pessoais e/ou profissionais, baseadas na intuição ou sexto sentido. Nós, humanos, possuímos cinco sentidos tradicionalmente conhecidos: visão, audição, paladar, olfato e tato, os quais nos permitem a captação de imagens, sons, sabores, odores e toques, garantindo uma percepção de todo um ambiente, o que nos possibilita meios para sobrevivência.
A habilidade intuitiva ou perceptiva, além dos cinco tradicionais sentidos, é popularmente denominada de sexto sentido, habilidade essa que nos proporciona a capacidade de perceber ou compreender algo sem o uso dos sentidos físicos.
É muitas vezes descrita como uma sensação inexplicável ou uma intuição profunda. É uma forma de conhecimento que vai além da lógica e da razão, alicerçada no pressentimento.
Intuição é um sentimento que os seres humanos afirmam manifestar ao tomar uma decisão sobre algo ou uma situação. Segundo a psicologia, é uma forma de conhecimento inconsciente.
Os palpites tomados pelos indivíduos são gerados na parte inconsciente da mente, por meio de experiências anteriores.
O neurologista Dr. Martin Portner explica que as mulheres possuem um sexto sentido mais aguçado do que os homens. As mulheres conseguem perceber detalhes e interpretar gestos, sinais corporais e imagens. Captam o estado emocional de alguém com mais facilidade e isso se dá, segundo o neurologista, porque as meninas são mais afetivas que os meninos, transformando-as em mulheres mais intuitivas que os homens, os quais são mais racionais.
Elas analisam rapidamente a coerência de algo e correlacionam dados, tudo ao mesmo tempo. Entre um e outro sinal, acontece a união de circuitos cerebrais que detectam possibilidades que elas nem imaginam.
No nosso dia a dia, podemos observar situações que podemos relacionar com o sexto sentido:
- Sexto sentido x estatística: Profetizar, no futebol, está na moda. Muitos torcedores que profetizam tentam prever, adivinhar, dizer antecipadamente o que há de suceder nas partidas. Nem sempre usam o sexto sentido, a intuição, pois seus palpites são baseados em estatísticas e dados matemáticos, o que lhes possibilitam um elevado percentual de acerto e, consequentemente, ganho financeiro.
- Sexto sentido x falta de comunicação: Conta uma história sobre o casal que, no dia de suas bodas de prata, tomava café. A mulher passou a manteiga na casca do pão e a entregou ao marido, ficando com o miolo, e pensou: “sempre quis comer a melhor parte do pão, mas amo demais o meu marido e, por 25 anos, sempre lhe dei o miolo”. Por sua vez, o marido agradeceu pelo presente e disse: “meu amor, durante 25 anos, sempre desejei comer a casca do pão, mas como você sempre gostou tanto dela, jamais ousei pedir!”.
- Sexto sentido x preconceito: Dois clientes entram na concessionária: um deles de paletó e gravata; o outro de bermuda, camiseta, chinelo e boné. Automaticamente, o vendedor avisou ao colega que iria abordar o senhor de paletó e gravata e sugeriu que ele atendesse o senhor que estava usando bermuda. Após atendimento finalizado, o senhor de bermuda comprou um SUV e pagou à vista. O senhor de paletó, em horário de almoço, entrou na concessionária apenas para apreciar alguns modelos de veículos, sem pretensão de comprar, pois estaria passando por um momento financeiro delicado.
- Sexto sentido / intuição x falta de comprometimento: Todo um semestre para se preparar para responder uma importante prova, porém, optou por viajar, curtir, trabalhar…. Respondeu praticamente toda a prova com base na intuição, no “achômetro” e, como resultado, foi reprovado.
- Sexto sentido x falta de conhecimento: Decisões equivocadas no trânsito causaram um grave acidente. Ao ser questionado sobre as causas e consequências do acidente, o senhor que há um bom tempo não dirigia, respondeu: “ouvi a voz da minha intuição e tive a certeza que o outro motorista iria seguir para a direita, virei à esquerda e a colisão aconteceu”. Mas pela sinalização da via, disse o agente de trânsito, “o outro motorista não poderia virar a direita, pois estaria cometendo uma infração de trânsito”.
- Sexto sentido x experiência: Perguntou o diretor da empresa ao gerente geral de uma das unidades da Companhia: sua decisão foi baseada em quais fundamentos? Ao que obteve como resposta: “tomei a decisão com base na intuição, em minha experiência do saber vivido”.
- Sexto sentido x falta de clareza no que se pede e no que se entrega: O gestor passou uma importante tarefa para seu subordinado, porém, não deu detalhes de como deveria ser entregue, tais como: o prazo de entrega, o tipo de material a ser utilizado, o custo máximo possível, quantas pessoas poderiam ser envolvidas no projeto, enfim, sem essas informações, pela falta de clareza do gestor e por conta do subordinado não esclarecer o que lhe foi solicitado, executou a tarefa da forma que achou mais conveniente e o projeto foi um fracasso, pois não atendeu às expectativas do gestor.
- Sexto sentido x medo ou risco: Sem conhecimento técnico para executar determinada tarefa, por medo ou receio de ser considerado incapaz, aceitou o desafio, assumiu o risco e partiu para a execução tomando decisões equivocadas apenas com base na intuição e teve como resultado final, o fracasso.
- Sexto sentido x impulso: Em uma situação de conflito, o gestor, sem ouvir as partes envolvidas, com base apenas no que lhe contaram e na sua intuição, tomou uma série de decisões equivocadas e a situação ficou ainda mais delicada. A todo momento em nossas vidas, precisamos tomar decisões, das mais simples às mais complexas. Nesse contexto, é importante trabalharmos a boa comunicação, o comprometimento, o conhecimento, a experiência e, assim, evitar tomar decisões arriscadas, por impulso ou simplesmente na base do achismo.
O processo de tomada de decisões nas empresas:
São cinco os principais tipos de tomada de decisões: decisão intuitiva, decisão colaborativa; decisão baseada em valores; decisão especializada e a decisão racional.
A tomada de decisão intuitiva é a mais arriscada. Normalmente é tomada por profissionais que têm como característica a falta de planejamento, o que leva a uma conclusão baseada somente em experiências prévias, achismos e respostas emocionais, diferente da tomada de decisão racional, a qual leva em consideração uma série de fatores lógicos e, como o próprio nome já diz: racionais. Essa escolha aporta mais resultados aos gestores.
Já a tomada de decisão colaborativa é um tipo de decisão mais abrangente, tomada por mais de um profissional, tendo como principal vantagem o fato de agregar diferentes pontos de vista e opiniões.
A tomada de decisão baseada em valores demanda cautela, afinal são ações que podem ser influenciadas pela família, experiências de vida e profissionais, referências. Entre outros fatores, a visão, a missão e os demais conceitos que guiam o negócio também embasam as decisões, portanto, os valores pessoais podem entrar em conflito com os empresariais.
No universo organizacional, a tomada de decisão especializada é um dos tipos de decisão mais confiável. Consiste em fazer deliberações com a ajuda de especialistas (profissionais experientes em determinado segmento), o que pode ser crucial para uma atuação mais estratégica e competitiva no mercado.
O processo de tomada de decisões nas empresas não é tarefa fácil. Um bom gestor não deve agir por impulso, bem como não é adequado levar muito tempo para tomar decisões. As empresas possuem normas, procedimentos, ferramentas de gestão, treinamentos, códigos de ética e conduta, que ajudam a evitar que decisões sejam tomadas com base na intuição e no achismo.
É verdade sim que não devemos desconsiderar nossa intuição. Muitas decisões tomadas após seguirmos nossa intuição mostram que foram tomadas de forma acertada, contudo, é importante que nossa vida pessoal e profissional seja baseada em conhecimentos científicos, racionalidade, planejamento, comprometimento e foco.
Concluído esse artigo, espero que tenham gostado, pois essa é expectativa de todo escritor. Para a próxima edição, vou usar minha intuição ou uma criteriosa análise de perfil de vocês, fiéis leitores, que nos prestigiam, mensalmente, com a leitura dos mais de sessenta artigos já publicados na Revista Balcão Automotivo e tentar escrever algo interessante, uma leitura que faça algum sentido.