Stellantis investirá R$ 30 bilhões na América do Sul e prevê a descarbonização

Nesta entrevista, Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis para a América do Sul, fala sobre os investimentos e o futuro da eletrificação no Brasil e no mundo

Por Karin Fuchs

Desde 2021 até o primeiro bimestre deste ano, o setor automotivo anunciou um ciclo recorde de investimentos no valor de R$ 117 bilhões até 2029. O maior deles foi da Stellantis, de R$ 30 bilhões de 2025 a 2030, na América do Sul. Nesta entrevista ao Balcão Automotivo, Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis para a América do Sul, conta como serão direcionados esses investimentos e sobre o futuro da eletrificação no Brasil. Confira!

Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis para a América do Sul

Balcão Automotivo – A Stellantis anunciou investimentos de R$ 30 bilhões entre 2025 e 2030 na região da América do Sul. De que forma serão direcionados esses investimentos?

Emanuele Cappellano – Os investimentos serão utilizados no lançamento de mais de 40 novos produtos, oito novos powertrains, aplicações para eletrificação e segurança veicular, além de quatro novas plataformas globais associadas à tecnologia Bio-Hybrid.  

BA – Quais marcas da Stellantis serão mais contempladas?

EC – Os lançamentos serão realizados de acordo com o nosso plano estratégico regional, o Next Level, que em breve vocês conhecerão mais detalhes.  

BA – Do total de lançamentos, qual é o percentual de veículos 100% elétricos e híbridos?

EC – A Stellantis estabeleceu o objetivo de descarbonizar totalmente suas operações até 2038, com redução das emissões pela metade já em 2030. No que se refere à descarbonização do processo, 45% da redução está relacionada a ações e tecnologias no produto, enquanto 55% a ações na cadeia, seja na manufatura, supply chain, logística ou infraestrutura.

Certamente, o etanol é um forte aliado na redução das emissões de CO2 aqui no Brasil. Sua combinação com a eletrificação é uma alternativa competitiva de transição para a difusão da eletrificação a preços acessíveis. É um processo que começa no desenvolvimento de motores mais eficientes, passa pelo aprimoramento do etanol e sua utilização em sistemas híbridos de propulsão, que combinam o biocombustível com a eletrificação.

Hoje a tecnologia flex fuel está presente em cerca de 80% a frota brasileira de veículos leves. A combinação do etanol com a eletrificação em propulsão híbrida é uma alternativa adequada de transição, pois permitirá o acesso de faixas maiores do mercado consumidor às tecnologias de baixa emissão.

BA – Quando será lançado o primeiro produto com a tecnologia Bio-Hybrid, que combina eletrificação com motores flex movidos a biocombustíveis?

EC – No ano passado, apresentamos as nossas soluções de redução de emissão de carbono com a tecnologia Bio-Hybrid, que combina propulsão flex e eletrificação em três plataformas híbridas a serem adotadas por nossas marcas e produtos na região, além de uma plataforma elétrica. O primeiro produto equipado com a tecnologia Bio-Hybrid será lançado no mercado brasileiro até o final deste ano.

BA – Sobre o desenvolvimento de novas tecnologias Bio-Hybrid, quais são as metas? Isso inclui fornecer esta tecnologia para outras plantas globais, por Betim ser o polo dessa tecnologia no mundo?

EC – Todas as nossas fábricas no Brasil estão preparadas para receber o Bio-Hybrid. Vale destacar, ainda, que as marcas que compõem a Stellantis poderão utilizar a tecnologia Bio-Hybrid conforme suas estratégias de posicionamento e demandas dos consumidores. Com seu plano estratégico e as tecnologias Bio-Hybrid, a Stellantis será protagonista da mobilidade segura, sustentável e acessível no Brasil e região.

BA – Qual é o futuro da eletrificação?

EC – A indústria automobilística atravessa, no Brasil e no mundo, o mais rico período de transformação de sua história. Tudo está em evolução e este é um processo com várias etapas, com algumas tendências claramente desenhadas.

O futuro será da eletrificação, da assistência à condução, da conectividade e da descarbonização. De imediato, em nossa região, vamos evoluir para uma matriz múltipla de propulsão, em que conviverão motores a combustão menores e mais eficientes, motores a etanol, motores elétricos e sistemas híbridos. A tendência é a eletrificação, mas devido ao custo elevado desta solução, ela não evoluirá de modo igual em todo o mundo.    

BA – Quais países sairão na frente?

EC – China e Europa sairão na frente, seguidas pelos Estados Unidos, e depois pelos demais mercados, incluindo o Brasil. À medida em que a tecnologia se difunde, aumenta sua escala e os preços se tornam mais competitivos, permitindo que mais consumidores tenham acesso a ela.

Cada país e/ou região possui características únicas, incluindo a legislação, e a oportunidade de traçar a própria rota tecnológica para descarbonização. É exatamente por isso que a Stellantis projeta que, em 2030, todos os carros de suas marcas vendidos na Europa serão elétricos. Este índice será de 50% nos Estados Unidos e de 20% no Brasil.   

BA – Finalizando, no Brasil, quais são as tendências?

EC – No caso brasileiro, a eletrificação avançará na forma de modelos híbridos, combinando propulsão elétrica e a etanol. É uma solução inteligente e natural, que se apoia em uma vantagem competitiva nacional, a grande capacidade de produção e distribuição de etanol, que é de baixo impacto ambiental. A Stellantis prevê a descarbonização total de suas operações até 2038 e reduzirá suas emissões à metade já em 2030.

No Brasil e América do Sul a empresa lançará nos próximos anos uma extensa gama de produtos equipados com as tecnologias Bio-Hybrid, Bio-Hybrid e-DCT, Bio-Hybrid Plug-in e veículos elétricos, atendendo, assim, todas as faixas de consumidores do mercado, consolidando sua liderança e sendo protagonista de uma mobilidade segura, sustentável e acessível.

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