Estudo da SBVC, em sua 6ª edição, mostra que a inteligência artificial se tornou prioridade na agenda de transformação digital neste ano e que a cultura organizacional contina sendo um empecilho no avanço da digitalização
Por Karin Fuchs
Em entrevista ao portal do Balcão Automotivo, Eduardo Terra, presidente da SBVC, Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, comentou os resultados da 6ª edição do estudo “Transformação Digital no Varejo Brasileiro”, desenvolvido pela SBVC em parceria com o OasisLab e apoio da Cielo. Pelo estudo, 64% dos participantes concordam que a inteligência artificial se tornou prioridade na agenda de transformação digital neste ano, 48% das empresas pretendem investir mais em transformação digital também neste ano, sendo que em 46% delas o investimento supera 0,45% do faturamento bruto.
“O que a gente percebe nesta edição é uma evolução em todos os aspectos, mais um ano de evolução na maturidade dos investimentos e algumas mudanças em iniciativas, como por exemplo, em inteligência artificial, um dos temas protagonistas”, afirmou o executivo.
Áreas principais
Neste ano, as principais áreas de investimento em transformação digital deverão ser as vendas online (foco de 69% dos varejistas entrevistados), CRM (69%) e omnicanalidade (65%). Além disso, mais da metade dos varejistas entrevistados estão incorporando a transformação digital às áreas de operações e infraestrutura e 31% estão investindo em ações na área logística.
Segundo Terra, “esses números mostram que a transformação digital tem um impacto amplo nos negócios, impactando as mais diversas áreas do dia a dia das empresas. É uma mudança de mindset que coloca o cliente como foco das ações e muda a maneira como os gestores têm de encarar suas atividades”.
Com o avanço da transformação digital dos negócios, também cresce o grau de automação das atividades cotidianas. Atualmente, 32% dos varejistas acreditam estar bastante ou muito automatizados em suas atividades, enquanto 41% se colocam em um estágio mediano nesse processo.
Patamar
Na análise do executivo da SBVC, o varejo caminha para a maturidade da digitalização. “Estamos chegando na adolescência, indo para a juventude. A digitalização é um processo de quase uma década e que foi acelerado pela pandemia. Costumamos dizer que a pandemia acelerou alguns anos em alguns meses, mas ainda não estamos na maturidade”.
Fato é que alguns segmentos estão mais avançados do que outros, “onde os canais digitais andaram mais rápido, como eletromóveis, e os segmentos que têm marketplaces mais embarcados. Um exemplo oposto é o de materiais de construção, que tem uma digitalização mais tardia. A maturidade por setor muda conforme o tema (canais digitais, dados, comunicação digital). Em comunicação digital, a moda está bastante avançada. Na maneira de ofertas e promoções, esse segmento avançou bastante”.
Para o varejo, os maiores benefícios trazidos pelos investimentos em transformação digital são o aumento da receita da empresa (77%) e o engajamento do consumidor (77%).
Barreiras
A 6ª edição do estudo “Transformação Digital no Varejo Brasileiro” também mostrou que uma das barreiras para o avanço da digitalização nas empresas é a cultura organizacional. “A agenda continua sendo a cultura das pessoas. Os investimentos e as ferramentas avançaram muito, mas gente continua sendo um gargalo”, expressou Terra. Tanto que pelo estudo os aspectos financeiros (32%), de mudança da cultura organizacional (28%), e em processos (24%), ainda representam dificuldades para evoluir ainda mais na digitalização.
Nesta edição do estudo, participaram executivos responsáveis pela Transformação Digital nas empresas de varejo, a partir de uma amostra de 30 dos maiores players do mercado brasileiro, em oito diferentes segmentos: moda, calçados e artigos esportivos; super, hiper, atacarejo e conveniência; lojas de departamento, artigos do lar e mercadorias em geral; drogarias e perfumarias; foodservice; eletromóveis; material de construção; e outros.