São mais de 4.400 empresas afetadas, entre oficinas, varejistas e atacadistas, e as perdas são bilionárias. O retrato dessa situação foi mostrado na live da Fraga Inteligência Automotiva, “O papel do Mercado de Reposição de Autopeças na reconstrução do Rio Grande do Sul”
Por Karin Fuchs
O setor da reposição automotiva do Rio Grande do Sul precisa de ajuda urgentemente e de medidas do Governo Federal que realmente surtam efeitos para a sua recuperação. Até agora praticamente nada foi feito pelo Governo, além de antecipar pagamentos que já eram de direito da população, postergar por três meses os pagamentos de impostos e pelo mesmo prazo, os depósitos do Fundo de Garantia, e oferecer como “ajuda”, a linha de financiamento Pronampe, que cobra juros de mercado.
Para apresentar a situação do setor no Estado do Rio Grande do Sul, a Fraga Inteligência Automotiva, com a ajuda de indicadores do setor e de estatísticas de outras entidades, preparou a live “O papel do Mercado de Reposição de Autopeças na reconstrução do Rio Grande do Sul”, que teve as participações de distribuidores e do presidente do Sincopeças-RS, Marco Antônio Vieira Machado.
O Rio Grande do Sul tem a 4ª maior frota de veículos do Brasil. São 2,5 milhões em circulação e desse total, cerca de 270 mil foram afetados nas áreas alagadas, praticamente, impossibilitados de serem reutilizados. “Isso levanta uma série de questões. O que acontecerá com esses veículos? Qual será o plano de recuperação dessa sucata? Como esses carros irão voltar formalmente ou informalmente para o nosso setor? Tudo isso é uma incógnita que ainda não tem resposta”, afirmou Danilo Fraga.
Perdas para o setor
O Brasil tem 102 mil oficinas, 8.365 estão localizadas no Rio Grande do Sul, e de um total de 14.500 empresas varejistas e atacadistas de autopeças, 935 estão no Estado gaúcho. Pelos dados levantados pela Fraga Inteligência Automotiva, são 3.956 oficinas em áreas afetadas. Elas têm um faturamento de R$ 3,8 bilhões e a estimativa é de uma perda de R$ 3,4 bilhões em faturamento.
Entre os varejistas e atacadistas, praticamente a metade, 497 empresas, estão em áreas afetadas e o prejuízo é grande. “Praticamente, um faturamento de R$ 4,57 bilhões afetado de alguma forma”, afirmou Fraga. Só de estoque, o prejuízo estimado é de R$ 381 milhões, e em dias sem faturar, pode chegar a R$ 1,15 bilhão para os comerciantes e distribuidores de autopeças nas regiões afetadas.
“Precisamos urgentemente traçar um plano para a recuperação do fôlego dessas companhias, pois elas vão precisar, é um prejuízo que não tem como o empresário individualmente recuperar sozinho. Vamos precisar de todo o ecossistema, principalmente para os regionais. Os nacionais têm necessidades para serem cobertas, mas têm outras plantas que acabam mitigando um pouco o prejuízo”, comentou Fraga.
Ajuda urgente!
Marco Antônio Vieira Machado, presidente do Sincopeças-RS, falou sobre as medidas do Governo Federal. “As medidas até agora ofertadas pelo Estado foram a postergação de três meses para o pagamento de impostos, a postergação de três meses para depósitos de Fundo de Garantia e o Pronampe, que foi oferecido no limite de R$ 150 mil e na prática, ele não chegou ainda. Os gerentes do Banrisul, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil nem sequer receberam instruções para operá-lo. E o Pronampe tem juros de mercado, Selic + 6%, dinheiro dos balcões de crédito”, lamentou.
Para o presidente da entidade, “se o Estado não tiver um olhar especial para as empresas, nós teremos mais desempregos, um empobrecimento mais grave, nós teremos aumento de violência. Desemprego e fome trazem violência embutida. Estamos trabalhando a ideia de uma repactuação nacional por esse tremendo prejuízo e ainda, pelo não faturamento que pode multiplicar por não sei quantas vezes”.
Machado também falou sobre a Substituição Tributária (ST), ainda mais agora, que o setor no Rio Grande do Sul computa perdas milionárias com o estoque. “O Estado encontrou um mecanismo de arrojo e aumento tributário sem procedentes no setor. As entidades do setor vêm lutando há muito tempo para que tenhamos uma equiparação tributária pelo menos com o Estado vizinho, e hoje, esse problema do nosso estoque só se agrava com a ST. Nós trabalhamos só com a ST, precisamos recuperar esses impostos que foram antecipados”, defendeu.
Perdas com o estoque que também foi uma preocupação colocada na live. Como ele será descartado e o risco de ir para o mercado ilegal. Perguntas que ainda não têm respostas.
Assista a live completa, acessando: https://www.youtube.com/watch?v=l-rFYkw933g






