A esperança é que a tragédia do Rio Grande do Sul não traga um desajuste na cadeia nacional do transporte rodoviário de cargas
Por Karin Fuchs
No ano passado, os transportadores de carga de São Paulo e região enfrentaram problemas com a falta de insumos e componentes. Nesse ano a situação já está normalizada. A preocupação é com a situação no Rio Grande do Sul e outros desafios enfrentados por eles. Nesta entrevista, Marcelo Rodrigues, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), conta quais são eles, neste setor que sempre tem oportunidades.

Balcão Automotivo – A falta de insumos e componentes já está totalmente normalizada?
Marcelo Rodrigues – Em 2023, os transportadores encontraram desafios com relação à falta de insumos e componentes. Segundo o IPTC, 72% das empresas do setor enxergaram essa dificuldade em comprar determinados insumos. Porém, em 2024, essa situação foi normalizada e não temos notícias recentes de associados que tenham tido problemas com fornecimento de peças.
BA – Hoje, quais são os principais desafios para as empresas transportadoras de cargas?
MR – Atualmente, o setor enfrenta uma série de desafios que diariamente impactam as empresas. Eles são diversos, aqui destaco as políticas tributárias, questões trabalhistas, falta de mão de obra, principalmente de motoristas, o roubo de cargas, a defasagem do frete e a infraestrutura precária ao redor do País.
Além disso, estamos apreensivos e na esperança de que o impacto da tragédia do Rio Grande do Sul não traga um desajuste na cadeia nacional do transporte rodoviário de cargas, em função da representatividade do Estado no PIB, apontado pelo IPTC com 6,5%, além dos demais dados abaixo apontados pelo IPTC.
Até março de 2024, pelos números revelados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o País registrou um total de 46.236.308 empregos, com o Estado do Rio Grande do Sul contribuindo com 2.826.757 dessas ocupações. Além disso, o TRC, Transporte Rodoviário de Cargas, também desempenhou um papel significativo, somando 1.274.460 empregos em todo o País, dos quais 94.478 estavam concentrados no Rio Grande do Sul, representando 3,34% do total de empregos no Estado.
BA – Hoje, quais são os principais custos para essas empresas?
MR – Os principais custos dessas empresas são mão de obra, combustíveis, e, não menos importante, entram os insumos como pneus e peças.
BA – Sobre a falta de mão de obra, qual é a proporção?
MA – Com certeza, esse vem sendo um dos principais desafios do setor de transporte. Principalmente com relação aos motoristas, a falta de mão de obra qualificada é crescente e com o aumento das tecnologias nos caminhões e nas operações, esse desafio parece cada vez maior.
Dados do Registro Nacional de Condutores Habilitados, fornecidos pelo SENATRAN, revelam uma diminuição de aproximadamente 1,1 milhão de motoristas entre 2013 e 2023, representando uma queda de 20% em uma década. Além disso, destaca-se a preocupação com o envelhecimento dessa mão de obra, com a idade média dos motoristas atualmente em 53,5 anos, um aumento de 9% desde 2013. Além disso, nas áreas administrativas, o setor de transporte compete com outros segmentos, o que também traz desafios para as empresas.
BA – E quais são as principais oportunidades para as empresas transportadoras de cargas?
MA – Por ser uma atividade meio, o transporte rodoviário de cargas sempre terá boas oportunidades, apesar dos desafios. Atualmente, o TRC tem muitas oportunidades voltadas ao agronegócio e outros segmentos que estão com resultados positivos. Além disso, a digitalização traz consigo oportunidades voltadas à assertividade das operações, o que auxilia no crescimento das empresas.