BA| 210 A presença da inteligência artificial no setor automotivo

Por Karin Fuchs

A inteligência artificial está cada vez mais presente no nosso dia a dia, até mesmo sem percebermos, e no setor automotivo não seria diferente. Ela já é utilizada nas mais diversas aplicações, como na linha de produção, reposição do estoque, entregas e muito mais. O grande benefício é a otimização de processos. Confira nesta matéria como os players do nosso setor têm utilizado a inteligência artificial e os ganhos mensuráveis.

Começando por Wagner Andrade, CEO da dataRain, empresa 100% orientada à computação em nuvem com experiência real, com foco em inovação e transformação digital, ele especificou o uso da IA na linha de produção, a necessidade de profissionais especializados para lidarem com esta tecnologia e exemplos de aplicabilidade no setor de reposição.

“Na linha de produção, a inteligência artificial (IA) traz vantagens significativas para as montadoras e a indústria de autopeças. A IA pode otimizar processos de produção, reduzindo desperdício e aumentando a eficiência. Além disso, a manufatura preditiva usa IA para prever quando os componentes do veículo precisarão de manutenção, ajudando a prevenir falhas e reduzir os custos de reparo. Ainda pode ser usada para realizar testes do veículo e de seus componentes, melhorando a confiabilidade e segurança do produto”, afirmou.

Andrade destacou que “o acúmulo de dados e os estabelecimentos de limites cada vez mais rigorosos de acuracidade nas medições, com parâmetros de tolerância cada vez menores, trazem um ganho significativo na qualidade do produto final, além de criar uma base de conhecimento que será muito útil para o aperfeiçoamento, tanto do produto quanto dos processos produtivos e até mesmo do desenvolvimento de novos produtos, num círculo infinito de melhoria contínua”.

No entanto, a precisão e a eficácia dos modelos de IA dependem da qualidade dos dados usados para treiná-los. Se os dados forem imprecisos, incompletos ou tendenciosos, os modelos de IA podem produzir resultados imprecisos ou tendenciosos. E nunca se esquecer da segurança dos dados, uma vez que eles podem ser alvo de ataques cibernéticos.

“Por isso é tão necessário realizarmos uma correta governança e sanitização dos dados antes de pensarmos em qualquer modelo de IA, para todos os setores e indústrias, particular e, especialmente, para aqueles que tratam de informações sensíveis dos clientes finais, permitindo assim que a privacidade desses dados esteja protegida em cada etapa de seu processamento”, alertou.

Wagner Andrade, CEO da dataRain

Aplicabilidade na reposição

No setor de reposição automotiva, a inteligência artificial pode ser utilizada de várias maneiras, conforme mencionou Andrade. “Por exemplo, a IA pode ser usada para gerenciar de forma inteligente o inventário de peças e componentes automotivos. Os algoritmos de IA podem prever quando certos itens estarão em falta e sugerir medidas proativas, garantindo que as empresas tenham suprimentos adequados no momento certo, minimizando assim o tempo de inatividade na produção. Além disso, pode ser aplicada para coletar, armazenar e processar grandes quantidades de dados que produziram insights acerca da durabilidade, ciclo de vida de produtos e componentes, assim como suas necessidades em termos de manutenção e monitoração. Vale ressaltar que deve haver uma preocupação constante na identificação e prevenção de ameaças cibernéticas. Inclusive, sobre esse tema, produzimos um e-book com vários exemplos de aplicação de IA, disponível no link: https://conteudo.datarain.com.br/ia-nosetor-automotivo”.

Especialização

Segundo Andrade, toda e qualquer aplicação de IA demanda profissionais especializados e com profundo conhecimento em seus domínios, envolvendo competências em matemática, programação, aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural, para o desenvolvimento das aplicações (engenheiros de dados), além do próprio conhecimento específico da área ou indústria a qual a aplicação se destina para que se possa fazer uma precisa análise e interpretação dos dados a fim de obter os insights e soluções de problemas complexos (cientistas de dados).

“Quando se trata do setor automotivo, é importante ter um conhecimento profundo de sua aplicação na indústria, para, juntamente com as demais partes estratégicas da empresa, estudar o real impacto que o produto dessas aplicações pode causar. A dataRain possui profissionais altamente qualificados, uma equipe que soma mais de 200 certificações oficiais, e experientes para auxiliar os cientistas de dados no desenvolvimento dessas soluções”, finalizou.

Marco Flores, fundador da 2D Consultores Associados

Feito para o setor

Marco Flores, fundador da 2D Consultores Associados, vai desenvolver uma inteligência artificial para atender o setor de reposição, exatamente por perceber uma demanda latente. “Todos os modelos relacionados à gestão empresarial ainda não estão estruturados com parâmetros objetivos para criar uma inteligência artificial com capacidade de aprendizado. Esse processo é pouquíssimo estruturado dentro das empresas. Hoje, a IA responde por coisas um pouco desconectadas com operações relacionadas à tomada de decisões”.

O que Flores fará é treinar o robô. “Eu já contratei uma solução digital e vou ensinar o robô quais são os parâmetros matemáticos que eu utilizo, os dados estatísticos que eu me baseio e os indicadores financeiros de uma empresa que devem ser aplicados, através da minha experiência com as soluções digitais que eu venho implementando nas empresas no Brasil há mais de dois anos”, explicou. O objetivo é proporcionar ao setor uma solução para a tomada de decisões, como, por exemplo, para o momento certo da compra, evitando, assim, a ruptura do estoque, ou mostrando a produtividade de um vendedor que precisa melhorar em determinada região do País.

Flores não tem dúvida de que a IA substituirá processos que não requerem mais a intervenção humana. “Quanto mais técnica e mais estruturada em elementos previsíveis for a função, mais substituível ela será. A gerência comercial, seja de compra ou venda, terá um impacto bastante previsível e substituível, porque ela é pautada em métricas”, afirmou.

Segundo ele, “o que um bom gestor comercial precisa fazer é ser um bom analista dessas informações e agir quando precisa. Se esses parâmetros forem vivos e estruturados dentro de qualquer base de dados e com robôs que cada vez mais simulem como é a pessoa, com rosto, fala e voz idêntica, isso vai escalar e alcançar um espaço que ainda não alcançou. Para isso, é preciso humanizar o processo, ter pessoas que utilizem a minha ferramenta e analistas de negócios dentro da minha empresa que extraiam os dados e verbalizem”. Exatamente o que ele está fazendo e propondo ao setor.

Claudio Araújo, idealizador de “O Segredo das Oficinas Lucrativas”

AutoTech

Juntos, Marco Flores e Claudio Araújo, idealizador de “O Segredo das Oficinas Lucrativas”, um programa de consultoria em gestão de oficinas e centros automotivos, desenvolveram a AutoTech, uma plataforma digital de inteligência artificial conectada ao sistema da oficina. Lançada no mês passado, com ela, o usuário tem acesso a várias informações sobre o seu negócio de maneira rápida e precisa para a gestão de clientes, de pátio e de peças.

De acordo com Araújo, “a plataforma permite ao empresário conhecer melhor o perfil e o comportamento do seu cliente, de forma que ele identifique o retorno à oficina e/ou entenda quais são os clientes que ele está perdendo. Na gestão do pátio, a plataforma permite verificar o número e o giro de veículos na oficina, gerenciar a produtividade de cada mecânico e o ticket médio, percentualmente por faixa de valores. Ele consegue ter a ideia do que está acontecendo naquele momento e pode verificar também outros períodos de forma muito ágil”.

Na interface gestão de peças, a plataforma mostra se está sendo comprado a mais ou a menos e se há, por exemplo, concentração de compra em algum fornecedor. “Ele também tem informações sobre a precificação média das peças, que é o markup. Ele consegue ver isso por peça, por ordem de serviço e por fornecedor. Isso dá um salto absurdo na gestão da oficina e a gente consegue também mostrar ao empresário se em determinado momento a oficina dele está com o custo errado”, citou, entre outras funcionalidades.

João Pelegrini, da Casa do Chevrolet, de Uberlândia (MG)

Velocidade com qualidade

Na Casa do Chevrolet, em Uberlândia (MG), o empresário João Pelegrini começou a implementar em março deste ano a inteligência artificial para as entregas, dentro do seu planejamento que começou no ano passado e que tem como mantra: velocidade com qualidade. “Nós fazemos 1.700 entregas por mês. Temos todos os indicadores e percebemos que a velocidade maior na entrega, no menor tempo possível, tem feito a diferença no nosso negócio, e buscamos um programa que nos ajude a digitalizar todo esse processo com a inteligência artificial”, afirmou.

Com ela, a partir do momento em que o vendedor emite a nota fiscal, todo o processo, ou melhor, o tempo é mensurado, a separação da peça, saída do estoque e a entrega pelo motoboy, que tira foto e envia para o sistema online. Inclusive, a rota de entrega é feita também pela inteligência artificial. “Todos esses indicadores permitem fazermos correções, como, por exemplo, identificar o porquê de estar demorando para separar uma peça ou por que a expedição demorou para liberar o motoqueiro. Tudo isso administrado pela inteligência artificial e registrado para que se tenha maior velocidade na entrega e de uma forma muito mais assertiva”.

Daniel Destro, gerente de Tecnologia da Rede Ancora

Solução criada em casa

Pelo menos desde 2020, com a criação de seu catálogo eletrônico de produtos, a Rede Ancora vem adotando a inteligência artificial. “Isso nos permitiu criar uma área de inteligência de informações de produtos que sustenta 100% das nossas vendas no B2B e apoia o processo de venda e qualidade de informações no balcão das lojas para o varejo. Com essa solução criada 100% dentro de casa, foi possível não só uma maior produtividade na catalogação dos produtos de mercado, mas também no aumento significativo na qualidade e veracidade das informações utilizadas em nossos processos de venda do B2B e do varejo”, contou o gerente de Tecnologia da Rede Ancora, Daniel Destro.

Segundo ele, “o mercado sofre muito com o desafio de mapear os produtos de mercado e entregar isso como vantagem competitiva para o negócio. Nós conseguimos fazer isso aliando o conhecimento e expertise de anos da nossa rede com a tecnologia e a IA. Sem isso, estaríamos anos lá atrás, pois demandaria muito esforço e tempo para tratar e disponibilizar os dados que disponibilizamos”.

Destro disse também que, paralelamente, eles têm outras frentes na companhia em andamento para a adoção ou evolução do uso de inteligência artificial e Machine Learning. “Isso passa por outros processos de negócio, como melhoria da inteligência de precificação, abastecimento e logística, por exemplo. Isso está dentro da nossa estratégia de dados, que é uma disciplina que apoia a nossa estratégia de inovação”.

A Rede Ancora tem um Big Data que trata volumes de dados, internos e externos, para explorar estudos e análises. “Permitindo refirmamos e evoluirmos os modelos e algoritmos para ter resultados mais assertivos do que é o core do nosso negócio. Algumas das metas estão relacionadas a uma maior assertividade no modelo ideal de preços e abastecimento, otimizando a rentabilidade e a competividade, sempre levando benefício para nossos lojistas”.

Bruna Monteiro, diretora Administrativa, RH e Comunicação da Auto Norte

O foco é também na segurança das informações. “A confidencialidade das informações é algo vital para a Rede Ancora, pois lidamos com dados sensíveis ao nosso negócio e nossos clientes. Portanto, considerado precaução na implementação das políticas de segurança de dados, segregação dos dados e permissões de acesso. Além disso, temos controles, monitoria e auditoria em tempo real sobre quem acessa os dados, evitando possíveis acessos indevidos, cópia ou vazamento de dados. Todo cuidado é pouco e estamos sempre atentos”, ressaltou.

Na avaliação de Destro, de maneira geral, o mercado carece de soluções inovadoras. “Esse é um mercado em transformação, apesar de ainda ter uma característica tradicional, mas que carece de soluções inovadoras quando comparamos com outros mercados bastante dinâmicos. Acredito que um dos grandes diferenciais que pode ajudar as empresas a melhorar a sua competitividade é na adoção da IA para melhorar o seu grau de análise e inteligência do negócio, seja de dentro para fora, quanto de fora para dentro”.

Segundo ele, “há muita energia gasta de forma pouco otimizada, quanto oportunidade desperdiçada por falta de clareza e visibilidade. Correlacionar dados e tendências pode trazer aprendizado sobre o negócio e Machine Learning possibilita isso. Destaco também o uso de IA e algoritmos com modelos de análise probabilística em vez de modelos preditivos, que podem ser a cereja do bolo na evolução da acuracidade do negócio. Como na Fórmula 1, a diferença pode ser estar nos detalhes”.

CRM e Big Data

No Grupo Auto Norte, parte da inteligência de compras já utiliza a inteligência artificial através de análises de dados internos, e eles estão em processo de implementá-la em projetos para área de CRM e Big Data. “A inteligência artificial traz ganhos em produtividade e assertividade das informações por meio de dados coletados internamente, como, por exemplo, pleno domínio sobre os itens parados, itens de curva a/b/c que estão sendo movimentados em nosso estoque e assim projetar compras futuras com maior segurança”, disse Bruna Monteiro, diretora Administrativa, RH e Comunicação.

Segundo ela, até agora o processo de implementação foi tranquilo. “Por enquanto, consideramos um processo de média complexidade, pois só estamos trabalhando com dados internos, ainda em fase de projetar e englobar mais informações de mercado”, comentou, complementando, “a nossa meta é realizar cruzamento com dados governamentais dentre outras fontes oficiais para compor nosso portfólio e, com isso, provisionar compras de peças e tendências automotivas”.

Quanto à segurança de dados, disse Bruna, “com toda nossa estrutura de tecnologia nas nuvens, contamos com servidores e ambientes de alta disponibilidade com padrão de segurança TIER III, potencializado com um Firewall e um Endpoint Security com regras de segurança e monitoramento reativo na camada de rede”.

Questionada como a inteligência artificial mudará o mercado de reposição automotiva, Bruna respondeu que deverá haver mudanças principalmente na forma de comercializar os produtos (compra e venda). “Pois, podemos prever e mapear cada cliente traçando um perfil único sendo mais assertivo no atendimento e no abastecimento de mercadorias, estendendo também para atendimentos personalizados, agilizando assim as tratativas com os nossos clientes”, concluiu.

Bruno Silva, gerente Sênior de Operações da ZF Aftermarket

De ponta a ponta

Gerente Sênior de Operações da ZF Aftermarket, Bruno Silva, contou que atualmente na companhia, todos os setores são beneficiados diretamente ou indiretamente pela inteligência artificial. “As inúmeras otimizações e transformações digitais que tivemos foram aplicadas em várias atividades. No Centro de Distribuição, onde concentramos as atividades de logística de peças das marcas ZF, LEMFÖRDER, SACHS e TRW, destinadas às linhas leve e pesada, as transformações foram baseadas em Big Data, IoT – Inteligência Artificial e Machine Learning e vêm trazendo cada vez mais eficiência à logística de peças da ZF Aftermarket na América do Sul. Quando falamos de inteligência artificial e automação, as inovações têm sido contínuas”.

Na ZF, muitos dos equipamentos utilizados na operação são robotizados e permitem a integração de dados. “Além dos robôs, o armazém conta com cinco elevadores automáticos, que quadruplicam a velocidade de atendimento dos pedidos, aplicando o conceito de Picking by Light de coleta, por indicações de lasers. Além disso, há máquinas de embalagens automatizadas, estas com o sistema Picking-by-Voice, método de separação de peças a partir de comandos de voz dos operadores, entre inúmeros outros avanços”, disse Silva.

A inteligência artificial também está presente na ZF Aftermarket no processo de previsão de demanda. “Através dos dados históricos, utilizamos algoritmos para entender a tendência dos dados e sazonalidade com o intuito de melhorar a acuracidade e os nossos níveis de estoque a fim de otimizar o nosso atendimento ao cliente. A utilização das soluções digitais e de automação também permitiram à ZF Aftermarket retirar definitivamente de cena o uso do papel em suas operações logísticas, tornando-se 100% paperless. Isso trouxe uma redução estimada de 320 mil folhas de papel que deixaram de ser utilizadas por ano em Itu, contribuindo de forma direta para o meio ambiente e metas de sustentabilidade da ZF com a redução da emissão de CO2 ”.

Bruno Rodrigo Costa, CEO da Juca Bala Racing, de São Paulo (SP)

Houve ainda a implementação do sistema Digital Twin, ou, gêmeo digital, conforme explicou Silva. “Ele faz réplicas virtuais dos processos para simular as melhores versões de trabalho na realidade. Com ele, conseguimos analisar todo o armazém em um ambiente virtual, introduzir elementos ou mudar estratégias para depois aplicarmos ao mundo real, visando a melhoria contínua. E em cada uma das atividades desenvolvidas dentro do CD há a utilização de recursos digitais, desde o recebimento armazenamento, embalagem, separação até a expedição final para o cliente”.

Assim como os demais entrevistados, Silva ressaltou também que todo cuidado é pouco com a segurança dos dados. “É vital manter a segurança da infraestrutura de TI, incluindo servidores, bancos de dados e sistemas de armazenamento de dados. Isso envolve a aplicação de patches de segurança regularmente, o uso de firewalls, sistemas de detecção de intrusões e outras medidas de proteção. Além disso, incorporar salvaguardas de privacidade em todos os aspectos do sistema, desde a coleta e armazenamento de dados até a implementação de algoritmos de IA”.

E, ainda, “estabelecer processos para auditar e monitorar o acesso e o uso dos dados ao longo do tempo é outro ponto importante. Isso permite identificar atividades suspeitas ou não autorizadas e tomar medidas corretivas imediatas, se necessário. Com todas as medidas de segurança, os projetos de IA podem garantir a proteção adequada dos dados, trazendo segurança para a empresa, que cumpre também obrigações legais e regulatórias”, afirmou.

Na opinião de Silva, a IA deverá otimizar muito e cada vez mais a cadeia de suprimentos, prevendo demandas, otimizando rotas de entrega, reduzindo tempos de espera e minimizando custos de transporte e armazenamento. “A partir dos algoritmos de IA, já é possível operar de forma mais eficiente e a atender às expectativas dos clientes em relação à velocidade de entrega. Por outro lado, os avanços na IA possibilitam também a implementação de sistemas de manutenção preditiva mais eficazes”.

Caminho sem volta

Bruno Rodrigo Costa, CEO da oficina Juca Bala Racing, contou que eles utilizam a inteligência artificial para ajudar a gerar imagens, controles e gerenciar suas redes e contatos dos treinamentos que ministram. “Tanto para os treinamentos online quanto presencial, nós temos o auxílio de IA para ajudar com as tarefas, organização, etc. Como temos treinamentos especializados BMW e em veículos importados, e a nossa base de alunos ultrapassa 8 mil, todos são monitorados e, para os seus cadastros, utilizamos a inteligência artificial”, especificou.

Para o mercado de reposição automotiva, ele avaliou que “a inteligência artificial será uma ferramenta de excelente ajuda. Pois, conforme utilizada, ela vai se adequando a novos assuntos e soluções de problemas. Ou seja, em questão de tempo, ela será uma enciclopédia infinita e isso não levará muito tempo”.

Já na reparabilidade dos veículos, “acredito que a IA reduzirá muito o tempo de um veículo parado, o tempo trabalhado e de espera das peças. Já que está tudo conectado, conseguiremos fazer o pré-diagnóstico mesmo com o veículo em utilização. Providenciando peças e itens, para quando o veículo parar para ser reparado. Não perder tempo, que é muito valioso. Afinal, tempo é vida!”.

E as mudanças já estão acontecendo, conforme ele expôs. “Essas mudanças já fazem parte de nossas vidas há uns seis meses e a tendência é performar cada vez mais em seu desenvolvimento e tecnologia. Então, amigo mecânico que está lendo essa matéria, te aconselho a procurar estudar sobre a inteligência artificial, pois ela será a nova onda que irá dominar a indústria 4.0”.

Na Auto Mecânica Scopino, o diretor de Produção, João Scopino, contou que por lá, a inteligência artificial é utilizada esporadicamente para a criação de conteúdo para as redes sociais da empresa. “Acredito que atendimento ao cliente e comunicação com o público possam ser uma boa implementação da IA em nossa oficina”, comentou, acrescentando que “a inteligência artificial mudará o mercado de reposição automotiva, principalmente, na linha de frente, no atendimento ao cliente, mas também na pesquisa e compra de peças e até em questões administrativas como controle de estoque da oficina”.

De acordo com ele, “o estudo e implemento de novas tecnologias devem ser mais constantes dentro das oficinas e as informações técnicas corretas estão sendo cada dia mais necessárias para a reparação automotiva. O prestador de serviço mais atualizado ante as informações da indústria estará sempre em destaque, e saber como ter acesso a estas informações é crucial, seja através de cursos, workshops, manuais de literatura, etc. As mudanças já estão acontecendo, com veículos híbridos, elétricos e cheios de eletrônica embarcada chegando cada dia mais nas oficinas independentes”.

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