A tendência é de uma redução gradual dos atuais níveis de inadimplência, ao longo desse segundo semestre, segundo a Serasa Experian
Por Karin Fuchs
A economia brasileira cresceu no primeiro semestre puxada pela alta do consumo das famílias. Ainda que o resultado do PIB do segundo semestre

não tenha sido divulgado, Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, comentou que o PIB do primeiro trimestre já havia apontado para esse crescimento. “Embora ainda não saibamos o resultado do PIB do segundo trimestre, os dados mensais mais recentes relativos às vendas do varejo, ao emplacamento de veículo, às concessões de crédito e às vendas de imóveis, continuaram apontando na mesma direção”, afirmou.
Segundo ele, o mercado de trabalho está bastante aquecido com taxa de desocupação em queda, recuo da inflação, taxas de juros menores neste ano do que no mesmo período do ano passado, e maior grau de confiança do consumidor. “Tudo isto pavimentou a expansão do consumo das famílias neste primeiro semestre, com impactos positivos e relevantes para o varejo nacional”, acrescentou.
Quanto ao crédito, o impulso deve ser menor nesse segundo semestre. “Setores que dependem do crédito tiveram, no geral, um bom desempenho na primeira metade de 2024. Contudo, o Banco Central já sinalizou que, muito provavelmente, os juros só deverão voltar a cair a partir do próximo ano. Assim, deveremos ter um impulso menor destes setores durante o segundo semestre, tornando a se acelerar quando os juros retomarem sua tendência de queda”.
Inadimplência em alta
Rabi disse também que a inadimplência não melhorou, mas que a tendência é de uma redução gradual nesse segundo semestre. “Estamos com cerca de 72 milhões de brasileiros inadimplentes, o que representa algo como 44% da população adulta do País. É claro que isto atrapalha o crescimento do varejo e da economia como um todo. Pois, o consumidor inadimplente acaba tendo que reservar uma parcela do seu rendimento para saldar seus atrasados ou renegociar seus débitos, recursos estes que poderiam estar sendo direcionados diretamente para o consumo, movimentando ainda mais a roda da economia. Mas acreditamos que ao longo do segundo semestre deveremos presenciar uma redução gradual dos atuais níveis de inadimplência”, concluiu.