Nenhuma empresa está imune. Incidentes graves podem comprometer o caixa e até a sua operação. Exemplos de sinistros não faltam, veja como estar protegido
Por: Karin Fuchs
No dia a dia, muitos empresários estão tão atentos aos seus negócios que não se dão conta que imprevistos podem acontecer e gerar prejuízos. E aí que entra o seguro empresarial. Segundo Bruno Campos, sócio da Positivo Seguros, conselheiro do Grupo A12+, “a proteção patrimonial é essencial para qualquer empresa, independentemente do segmento. Incidentes graves podem interromper as operações de uma oficina mecânica ou de uma loja de autopeças”.

Campos acrescentou que dentro do seguro empresarial a cobertura de lucros cessantes garante a indenização por prejuízos financeiros decorrentes da paralisação ou diminuição das atividades da empresa em caso de sinistro coberto. “Como por exemplo, incêndio, vendaval, danos elétricos e outros. O seguro permite que o empresário honre com seus compromissos e mantenha seus fluxos financeiros enquanto recompõe a sua operação”.
Além dos benefícios tradicionais das coberturas de incêndio, roubo, disse Richard Furck, CEO da H&H Corretora de Seguros, “é importante observar que as oficinas tratam com veículos dessegurados; veículos das pessoas e muito comumente tem o tráfego desses veículos dentro das oficinas. E não é só isso. Às vezes, os veículos estão fazendo serviços em elevadores, e a gente já ouviu falar diversas histórias de veículos que eventualmente caíram desses elevadores, então, essa proteção do seguro, que cobre também os riscos ocorridos em veículos de clientes é uma das coberturas mais buscadas, mais procuradas, pelos seguros de oficinas mecânicas e varejo de autopeças”.

Exemplos de sinistros
A H&H Corretora de Seguros é especializada nesse tipo de seguro, de centros automotivos, oficinas mecânicas e, sobretudo, concessionárias, que é um grande foco pelo porte. E exemplos não faltam de sinistros, conforme contou Furck. “Nós temos diversos sinistros já que aconteceram em virtude desse tipo de situação e temos histórias interessantes. Uma primeira história é o fato de eles pegarem um carro de um cliente e o levarem de uma oficina para outra. Esse carro sofreu algum tipo de colisão durante o trajeto. Isso é relativamente comum, deve acontecer uma vez por mês”. Outra, foi em uma concessionária, em uma avenida de grande movimentação pela Marginal (em São Paulo).
“Um Mustang passou em alta velocidade e ao tentar fazer uma curva, derrapou e entrou dentro da loja. O carro foi projetado dentro da loja, e constatou-se depois que o motorista do Mustang estaria com nível etílico alto, o que impossibilitou a cobertura do seguro desse Mustang para cobrir os danos da loja. E olha que interessante, o seguro da loja acabou cobrindo, porque para o seguro da loja não faz diferença se o condutor do Mustang, do carro que avariou a loja, estava embriagado ou não, o seguro vai cobrir a loja, com uma cobertura chamada impacto de veículos. É uma cobertura interessante também para você colocar em lojas que ficam em grandes avenidas, de grande movimento, e muita gente às vezes não se dá conta”, afirmou.
Furck retratou mais um sinistro. “Nós tivemos também um caso de uma oficina que ficava no final de uma ladeira e um ônibus perdeu o freio e entrou na frente dessa oficina. Então, você vê: são coberturas, são situações interessantes que acontecem, que a gente nunca espera, mas é para isso que o seguro existe, justamente para proteger o cliente ou proteger o segurado. A grande vantagem de uma oficina fazer o seguro é ela poder mostrar para o seu cliente que o carro do cliente vai estar protegido enquanto estiver lá”.
Campos também comentou sobre várias situações que podem ocorrer. “Como por exemplo, um veículo que caiu do elevador quando estava suspenso e gerou uma perda total. E, infelizmente, vários roubos de peças em estoque ou mesmo em veículos, como centrais eletrônicas. Um detalhe importante é que existem companhias que não oferecem cobertura para furto parcial de peças de veículos. Somente um corretor especialista, que estudou a fundo as cláusulas de cada seguradora, consegue este tipo de assertividade”.
Coberturas
Questionados sobre o que o seguro empresarial cobre, Campos respondeu que as coberturas são diversas e destacou algumas. “Contra incêndio, raio e explosão, roubo e/ou furto qualificado de bens, danos a veículos de terceiros, danos a máquinas e equipamentos da oficina, dentre outras. Por exemplo, um dano externo provocado a um veículo de cliente pode ser amparado pela cobertura de Responsabilidade Civil Operações. Além disso, danos elétricos causados por curto-circuito, perda de lucro bruto ou despesas fixas, por interrupção das atividades, devido a incêndio ou explosão, etc.”.
Campos ressaltou que devido ao alto valor das peças e facilidade de revenda pós-roubo, mesmo os investimentos em modernos de segurança como câmeras, alarmes, cercas elétricas e até mesmo vigilantes diminuem os riscos, mas não são suficientes para impedir prejuízos. “Neste caso, uma apólice bem contratada, levando em consideração o risco e a operação específica de cada cliente se torna indispensável para a redução de danos e continuidade do CNPJ. Considero fundamental a contratação de cláusula de reposição por valor novo, sem depreciação, um opcional nas apólices que faz toda diferença em caso de sinistro”, orientou.
Furck destacou “a cobertura de riscos diversos e Responsabilidade Civil para veículos em reparos, enquanto fazendo reparos, fora o roubo de veículo, eventual roubo de um veículo ou de peças”.
Riscos não cobertos
Há também no seguro empresarial os riscos que não são cobertos. Segundo Furck, esses riscos são aqueles decorrentes do mal uso. “Por exemplo, se a oficina tiver um elevador e for constatado que este elevador caiu, e o veículo que estava no elevador caiu, mas isso foi decorrente de falta de manutenção, de mal utilização desse equipamento, isso provavelmente não terá cobertura, será uma exclusão em virtude de o dano ter sido, vamos dizer, ocasionado pela falta de manutenção. Basicamente os danos excluídos nessas apólices são danos decorrentes de mal utilização de equipamentos, etc.”.
Campos acrescentou que os riscos não cobertos pelo seguro empresarial para oficinas mecânicas geralmente incluem: danos causados por desastres naturais (quando não especificados), atos de vandalismo ou dano intencional, equipamentos ou ferramentas fora do local de trabalho, apropriação indébita, etc. “É importante que os proprietários de oficinas conversem com seus corretores de seguros e verifiquem cuidadosamente as condições da apólice para entender as exclusões e limitações ao longo da contratação. A atualização anual dos valores segurados também se faz necessária para acompanhar a valorização dos estoques”, afirmou.
Prêmio do seguro
Agora, você deve estar se perguntando, quanto custa esse seguro? Tanto Richard Furck como Bruno Campos esclarecem que não há um valor médio, pois depende do perfil da empresa. Começando por Furck, “o valor médio é muito difícil ser apurado, porque as oficinas são de portes diferentes. Para fazer uma comparação, o seguro médio de um veículo custa em torno de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil, você tem uma oficina com oito a dez vagas e que deve caber dez carros. Você paga entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, ou seja, é um seguro barato. E você tem até uma concessionária de médio grande e portes, o seguro pode custar R$ 30 mil, R$ 40 mil, R$ 50 mil a até R$ 100 mil. Aqui na corretora já fizemos seguros até de R$ 500 mil para grandes redes concessionárias”.
Campos também exemplificou para dar uma ideia do valor do seguro. “É impossível falar em custo médio, uma vez que o valores dos prêmios são diretamente atrelados aos valores em risco, regiões de atuação das empresas, das coberturas e das tratativas relacionadas ao contrato de apólice. Temos apólices emitidas com valor de R$ 1.400,00 até quase R$ 50.000,00, neste caso, para uma loja de varejo com diversas filiais no Estado de Minas Gerais”, finalizou.