Com as intensificações de novas tecnologias de motorização e de biocombustíveis, o estudo da Anfavea prevê uma redução de 280 milhões de toneladas de CO2 emitidas nos próximos 15 anos. Volume que pode chegar a 400 milhões no mesmo período com outras iniciativas
Por Karin Fuchs
Pelo estudo da Anfavea, “Avançando nos Caminhos da Descarbonização Automotiva no Brasil”, em parceria com a Boston Consulting Group (BCG), atualmente, o setor de transportes, incluindo o aéreo, responde por 13% de todas as emissões de CO2 do Brasil, correspondendo a 242 milhões de toneladas de CO2 por ano. Se continuar nesse ritmo, serão 256 milhões de toneladas de CO2 emitidas ao ano em 2040.
Pelo estudo, a combinação dos esforços de intensificação das novas tecnologias de propulsão com maior uso de biocombustíveis pode gerar uma redução de 280 milhões de toneladas de CO2 nos próximos 15 anos. Com a soma de outras ações, tais como a inspeção veicular; renovação da frota, já em fase de regulação no MOVER, e o aumento do poder calorífico dos biocombustíveis, a redução pode chegar a 400 milhões de toneladas de CO2 por ano no mesmo período.
O estudo foi apresentado à imprensa pelo presidente da entidade, Márcio de Lima Leite, e por Henry Joseph Junior, diretor de Sustentabilidade e de Parcerias Estratégicas e Institucionais da Anfavea, na presença de Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Para a redução das emissões, a intensificação de novas tecnologias de motorização e a intensificação de biocombustíveis são necessárias e para atender a demanda, infraestrutura.
Previsão para os eletrificados
As projeções apresentadas apontam que até 2030 mais de 50% dos veículos vendidos terão as novas tecnologias de eletrificação, entre elétricos e híbridos, principalmente, híbridos biocombustíveis. Para 2040, a previsão é que esse percentual chegue a 90%. “A tecnologia de propulsão e aplicação de biocombustíveis são vetores para a descarbonização do setor automotivo. Cada vez mais estão surgindo novas tecnologias de motorização e o aumento do uso de biocombustíveis é fundamental. Temos isso pronto e sabemos fazer isso como ninguém, tanto em tecnologia como em plantio”, disse Leite.
O presidente da entidade defendeu que o Brasil não pode ser uma cópia do que acontece em algumas regiões e trabalhar apenas nesse vetor. “Se isso acontecer, significa que aumentaremos o volume de importações e continuaremos a ter a mesma emissão de CO2. Os biocombustíveis são responsáveis pelo processo de descarbonização. O estudo foi feito muito na lógica de intensificação de novas tecnologias de motorização e na intensificação de biocombustíveis. Essa combinação de esforços levará à redução de 280 milhões de toneladas de CO2”.
Medidas complementares
Para evitar a emissão de 400 milhões de toneladas de CO2 nos próximos 15 anos, a Anfavea defendeu que medidas complementares precisam ser feitas. Segundo o presidente da entidade, “o Governo Federal já tem tomado algumas medidas, tais como, a renovação da frota, inspeção veicular e aumento do poder calorífico dos biocombustíveis. O etanol tem 7% de água, chegando a 6% ou 5%, aumenta a eficiência. Adoção de programas de reciclagem veicular, mais informação ao consumidor, mais etanol nas bombas, com isso, poderemos chegar a 400 milhões de toneladas de CO2, que é um número muito expressivo, emitimos pouco em comparação a outros países”.
Com essa redução, Leite sintetizou que o setor automotivo terá uma redução na participação das emissões de CO2 no Brasil, de 11%, excluindo o aéreo, para 8% ou 9%. “Esse é um desafio que estamos trabalhando e queremos trabalhar em conjunto com o Sindipeças, fabricantes, Governo brasileiro e com os importadores. Todos nós trabalhando nessa mesma lógica”, ressaltou.
Infraestrutura necessária
Joseph Junior apresentou o que será necessário para as projeções do estudo se concretizarem. “Nós fabricantes sabemos o que podemos desenvolver de tecnologias, o que colocar no mercado e sabemos as limitações que existem para essas tecnologias. Principalmente, a parte de infraestrutura e dos combustíveis, que não depende dos fabricantes de veículos. Para que tenhamos 90% de veículos híbridos e elétricos nas vendas de veículos leves, como previsto no estudo em 2040, isso demandará um aumento de 50 mil Gigawatt (GW) de energia elétrica por ano para atender o aumento da eletrificação”.
No segmento de pesados também para 2040, o previsto é 60% das vendas de veículos com novas tecnologias. “Para isso, teremos que aumentar a produção de biocombustíveis, principalmente, de biodiesel HVO (óleo vegetal hidrotratado) para mais de 15 bilhões de litros por ano. Teremos também a necessidade de 9 bilhões de litros adicionais de biodiesel, possível de ser feito, intensificando ainda mais o uso desses biocombustíveis”.
Outra conta mostrada por ele foi a necessidade de aumentar a produção de gás. “Para que possamos atingir a mistura de 30%, 35%, de etanol na gasolina, como já se fala hoje, mas ainda está em fase de estudo, e para que nós possamos aumentar de 20% a 30% o biodiesel HVO no mercado, além do que já está previsto, precisaremos de mais 11 mil metros cúbicos por dia de produção de gás para atender as demandas de novas tecnologias e até 370 mil toneladas a mais por ano de demanda de hidrogênio, prevendo o hidrogênio verde entrando principalmente nas células de combustível”.
O que tem sido feito
Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, falou sobre os avanços na área de biocombustível, entre eles, com a aprovação do projeto de lei dos “combustíveis do futuro” na Câmara dos Deputados, que tem como proposta prevê incentivo ao diesel verde e aumento da mistura de etanol à gasolina, e aguarda pela sanção do presidente da República.
“Em 2023, passou de 10% para 12% o bio no diesel, nesse ano, de 12% para 14% e em 2025 irá para 15%. O combustível do futuro ainda prevê uma elevação maior. 85% da nossa frota de veículos é flex. Temos o carro a etanol e o a gasolina com etanol anidro, o combustível do futuro também prevê passar de 27% para 30% a participação do etanol na gasolina. Prevê também trocar o querosene dos aviões por biocombustível”.
Alckmin também citou o projeto de lei do biometano, o diesel verde, feito com lixo orgânico em fase de aprovação na Câmara dos Deputados; a lei do hidrogênio de baixo carbono para o transporte marítimo e outras aplicações, e a lei que cria o Programa Brasil Semicondutores (Brasil Semicon), sancionada pelo presidente da República na primeira quinzena de setembro. O objetivo é promover o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva brasileira neste setor.
Para finalizar, Alckmin destacou o MOVER. “Uma luta de todo o setor. Ele representa um estímulo à eficiência energética, inovação, qualidade dos produtos, e à pesquisa e desenvolvimento. Neste ano, foram R$ 3,5 bilhões em crédito financeiro, no ano que vem, R$ 3,8 bilhões, e chegaremos a R$ 19,5 bilhões até 2028. Essa foi uma das razões para os investimentos anunciados de R$ 130 bilhões só neste ano e a criação de 57 mil novos empregos na indústria automotiva”.
Rumo à COP 30
O estudo da Anfavea, “Avançando nos Caminhos da Descarbonização Automotiva no Brasil”, será apresentado na COP 30, a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em novembro de 2025, em Belém (PR). Para a elaboração do estudo foram mais de 3000 entrevistados, entre CEOs, executivos, autoridades do Governo, consumidores e frotistas, dentre outros, da China, Europa, Estados Unidos, América Latina e Índia.






