O cenário econômico para 2025 e os impactos da oferta de crédito nas vendas de veículos

Em 2024, a oferta de crédito para o setor automotivo cresceu 31%. Neste ano o patamar será menor, com taxa de juros elevada e um menor crescimento do PIB

Por: Karin Fuchs

Em 2024, aumentou em 31% a oferta de crédito para o setor automotivo para pessoa física, em relação a 2023, bem acima do crescimento de 9,4% do crédito geral, repercutindo nas vendas de automóveis e comerciais leves novos. O ano terminou com 2.487.740 unidades emplacadas, 14,02% acima de 2023. Deste total, 53% foram financiadas, segundo a Fenabrave. “Há muito tempo não víamos um crescimento de crédito neste nível. Neste ano vai desacelerar, mas não será negativo”, afirmou a economista e consultora Tereza Fernandez, durante a coletiva de imprensa da Fenabrave, na segunda semana de janeiro.

A taxa de juros, risco de crédito e a probabilidade de inadimplência são os principais fatores que podem impactar na oferta de crédito. Ainda assim, a economista estimou que a oferta de crédito geral crescerá 5% neste ano e os financiamentos de veículos para pessoas físicas, uma alta em torno de 12% a 15%. Pelas projeções da Fenabrave, ao longo do ano, 2.608.977 unidades de automóveis e comerciais leves devem ser emplacadas, 5% acima de 2024. O segmento que terá o maior crescimento é o de motocicletas, 10% sobre 2024, porém, inferior ao resultado de 2024, 18,61% acima de 2023.

Marco Legal das Garantias

Sancionado pelo presidente Lula, em outubro do ano passado, o Marco Legal das Garantias mudou as regras para a retomada do bem em caso de inadimplência do credor com o objetivo de reduzir o custo do crédito. Ainda que o juro esteja elevado, isso ajudou no aumento da oferta de crédito em 2024. “O efeito é muito positivo ao custo das taxas de empréstimo”, disse Marcelo Franciulli, diretor Executivo da Fenabrave.

PIB e taxa Selic

O mercado financeiro ainda não divulgou o balanço do crescimento do PIB em 2024, estimado de 3,3% a 3,5%. “Estamos crescendo 3,5% ao ano, é um crescimento muito bom. A arrecadação (de impostos e contribuições federais) até novembro teve um crescimento real de quase 12%, nunca se arrecadou tanto no País (R$ 209,218 bilhões). Ainda assim, a gente não consegue resolver o problema da dívida fiscal”, comentou Tereza Fernandez.

Dívida fiscal que é o grande percalço para o País. “Enquanto os investidores e todos não acreditarem no equilíbrio fiscal brasileiro, não teremos investimentos e continuará tendo saída de dólar. Inflação e juros são basicamente oriundos destas incertezas”, esclareceu. Na última reunião do Copom, em 11 de dezembro de 2024, a taxa Selic subiu para 12,25% a.a. e pode chegar a 14,25% a.a. no mês de março. “Se houver alguma solução, mesmo que não definitiva na área fiscal, há chance de o juro desacelerar ao longo do segundo semestre para encerrar na faixa de 12,5% a 13% no final do ano”, colocou.

Para o PIB o crescimento estimado pelo mercado financeiro para este ano é de 2,02%. “É um crescimento bem razoável para o Brasil, lembrando que neste ano teremos diferenças regionais relevantes. Na agricultura, com um crescimento importante, a expectativa do agro é que a safra cresça em torno de 8%, com a soja crescendo 13% e outras plantações crescendo também. Norte e Nordeste seguem neste ano com menor tendência de crescimento”, analisou Tereza Fernandez.

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