Vendas de veículos novos e usados se mantêm aquecidas no 1º trimestre

Março também foi positivo nos resultados, mesmo com um dia útil a menos que fevereiro, por conta do Carnaval

Por: Karin Fuchs

Pelo relatório da Fenauto, no 1º trimestre deste ano 3.886.037 unidades foram transacionadas, 10,2% acima do mesmo período de 2024. Março, com 1.378.318 unidades, ficou 7,5% acima do mês anterior e com um acréscimo de 19,5% na média de vendas diárias, chegando a 76.573 veículos. Além disso, março registrou a melhor média de vendas diárias para o mês desde 2019 e 29,63% acima de março de 2024, só perdendo para dezembro de 2024.

Em março, o veículo mais procurado no mês foi o Gol (61.153 unidades), seguido pelo HB20 (33.902) e o Onix (32.849). Entre os comerciais leves, os destaques foram o Fiat Strada (32.486), VW Saveiro (18.891) e a Toyota Hilux (15.656). A maior procura de veículos usados se deu na faixa do zero a 3 anos de uso, 25,5% acima das demais faixas de idade, com 286.877 unidades transferidas.

No segmento de pesados houve um aumento de 21,2% no volume de transações, em relação ao mês anterior, com 34.060 unidades transferidas. A região Sul se destacou com um crescimento de 11,5% (302.714 unidades), liderando entre as regiões do País. Os mais procurados em marços foram o Ford Cargo (2.302), Volvo FH (2.1960 e o Ford F4000 (1.320).

Segundo o presidente da entidade, ao analisar o mês de março, “tivemos um mês atípico, com um número elevado de transferências, provocado principalmente pela renovação da frota das locadoras e pelo crescimento da venda de motos 0km, fatos que acabam impulsionando as vendas no mercado de veículos usados. Como o nosso mercado reage às variações da economia, vamos acompanhar atentamente os números dos próximos meses para nossos estudos e projeções do ano”, afirmou.

Autoveículos, caminhões e ônibus – Foto: Divulgação

Emplacamentos

Pelo balanço da Fenabrave, o 1º trimestre encerrou com 551.655 unidades emplacadas, 7,23% acima do mesmo período de 2024, com resultados positivos para os segmentos de leves e pesados, na mesma base comparativa: 399.704 automóveis (+6,12%), 118.034 comerciais leves (+10,73%), 27.121 caminhões (+4,83%) e 6.796 ônibus (+27,82%). Somente em março foram 195.489 unidades emplacadas, 5,70% acima do mês anterior, sendo 141.561 automóveis, 42.507 comerciais leves, 9.200 caminhões e 2.230 ônibus.  Incluindo motocicletas, implementos rodoviários e outros, o volume no mês chegou a 379.383 unidades emplacadas, 5,4% acima do mês anterior e 5,4% superior a março de 2024.

Na avaliação de Arcelio Junior, presidente da entidade, “o crescimento dos emplacamentos de todos os segmentos, à exceção dos implementos rodoviários, mesmo com menos dias úteis, demonstra a resposta positiva do mercado, mesmo ante as incertezas econômicas. Seguimos atentos aos desafios, mas o comportamento do consumo do setor tem se mostrado positivo”, comentou.

Vale destacar que no 1º trimestre, mesmo com os juros altos, o volume de emplacamentos de automóveis e comerciais superou a marca de 500.000 unidades; volume que foi alcançado em abril do ano passado. Entre os eletrificados, foram 37.650 emplacamentos de híbridos e híbridos plug-in 71,52% acima do mesmo período de 2024. Já os 100% elétricos estão perdendo mercado, a queda foi de 8,02% no comparativo entre os trimestres. Considerando apenas o mês de março, as 4.801 unidades emplacadas representaram uma alta de 6,88% sobre o mês anterior, porém, uma queda de 21,69% comparada a março de 2024.   

Destaques do 1* trimestre de 2025 – Foto: Divulgação

Os números da Anfavea

No 1º trimestre, 552.000 unidades de veículos leves e pesados foram vendidas, 7,2% acima do mesmo período de 2024. Em março foram 195.000 unidades, 5,7% acima do mês anterior e 4,2% a mais do que março de 2024, com uma média diária de 10,3 mil unidades, 11,3% a mais que no mês anterior. No 1º trimestre, os veículos importados representaram 61% do aumento das vendas. Foram 37.200 unidades adicionais, comparadas ao mesmo período de 2024, totalizando 112.800 unidades. Já as exportações avançaram 40,6%, quando comparadas ao 1º trimestre de 2024, somando 115.600 unidades.

Segundo o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, “nós emplacamos 551.000 unidades no 1º trimestre contra 514.000 no (1º trimestre) de 2024, puxado, principalmente, pela modalidade de venda direta às locadoras de veículos, que tiveram uma grande participação nesse crescimento, e veículos importados também”. As vendas diretas no 1º trimestre, principalmente, para locadoras cresceram 14% a mais do que para varejo. Quanto às exportações, Leite destacou a expansão pelo desempenho da Argentina. “O mercado da Argentina cresceu 120% comparado a 2024 (1º tri)”, disse. Cresceram também as exportações para o Chile e Colômbia.

Também no 1º trimestre, 583.000 unidades foram produzidas, 8,3% acima do mesmo período de 2024 e o melhor resultado desde 2021 para um 1º trimestre. Respectivamente em março, em comparação ao mês anterior, houve uma queda de 12,6% no volume de produção, com 190.000 unidades. Justificada pelo ajuste dos estoques das montadoras, principalmente, no segmento de automóveis e comerciais leves.

Comparação trimestral – Foto: Divulgação

Pesados

No segmento de pesados, no acumulado do ano foram produzidos 31.700 caminhões, 8,2% acima do 1º trimestre de 2024. Em março, saíram da linha de montagem 11.700 unidades, 2,1% abaixo do mês anterior. Já as vendas acumularam 27.700 unidades no acumulado do ano, 4,8% acima do mesmo período de 2024 e com 9.400 unidades em março, o resultado foi 4,5% superior ao mês anterior. Sobre o desempenho das vendas de caminhões no 1º trimestre, analisou Eduardo Freitas, vice-presidente da Anfavea. “Houve um aumento razoável de quase 5%. Mas, se olharmos para os últimos quatro anos, é mais o menos a média do que vem acontecendo para o período”, afirmou.

Ônibus totalizaram 7.200 unidades produzidas no 1º trimestre, 10,5% acima do mesmo período de 2024. Com 2.900 unidades produzidas em março, a alta foi de 15,9% sobre o mês anterior. Já no acumulado do ano, as vendas somaram 5.500 unidades, 34,7% a mais que no 1º trimestre de 2024, atribuído ao programa Caminho da Escola. Somente em março comparado ao mês anterior, houve uma queda de 8,1%, terminando o mês com 1.800 unidades vendidas. 

Redução tarifária

O presidente da Anfavea, Márcio de lima Leite, também falou sobre o pleito de empresas chinesas ao governo federal para redução de impostos para produção local em CKD e SKD. “Estamos bastante atentos a um movimento muito grande para que haja uma nova redução da tarifa de importação para SKD e CKD de veículos vindos da China. O pleito em discussão é a redução tarifária para 10% (SKD) e de 5% (CKD). Qual é o estímulo para fazer uma produção de fato no País, quando se tem uma política dessa forma? Acreditamos com muita tranquilidade, muita serenidade, que o governo irá acompanhar isso no detalhe. Isto impactará os nossos investimentos”, afirmou.

Novos pedidos de redução de tarifas – Foto: Divulgação
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