Investimentos comprometidos

Fatores internos e externos podem comprometer parte dos R$ 180 bilhões de investimentos anunciados pelas montadoras no País                                                                                

Por: Karin Fuchs

O atraso na divulgação dos decretos que regulamentam o programa Mover, o esgotamento dos recursos para P&D e a não recomposição imediata do imposto de importação de 35% para eletrificados são fatores que podem comprometer parte dos R$ 180 bilhões de investimentos anunciados pelas montadoras no País. “A imprevisibilidade e o que tem acontecido no País impactam os investimentos. O setor automotivo, assim como a indústria em geral, não convive com a falta de previsibilidade”, afirmou Márcio de Lima Leite, durante a sua última coletiva como presidente da Anfavea.

Além disso, um novo pleito de marcas chinesas pela redução do imposto de importação para veículos desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), e as medidas anunciadas pelo presidente Trump impactando o comércio mundial, mesmo sendo o Brasil um dos menos taxados, o setor automotivo e de autopeças sentirá os efeitos, e haverá reflexos nas vendas globais de veículos.

Novos pedidos de redução de tarifas – Foto: Divulgação

Segundo Leite, “em curto prazo, estima-se uma queda do mercado norte-americano de 1 milhão de veículos, passando de 15,9 milhões para 14,9 milhões, com estimativa de elevação do preço entre US$ 3.000 e US$12.000 por veículo. Quando há maior tarifa de importação, seja de autopeças ou de outros veículos, isso acaba elevando o preço desses produtos. O mercado global é em torno de 93 milhões de veículos e há um estudo, ainda em andamento, que aponta que o crescimento para este ano seria de 4%. Isso não vai acontecer, mas qual será esse crescimento ainda é uma interrogação”, declarou.

Os anúncios do governo americano também impactarão na transição para eletrificados, conforme dito por Leite. “Os Estados Unidos investiram muito na infraestrutura e o governo Trump anunciou a retirada desses investimentos. Sem infraestrutura, significa menos veículos elétricos. Os estímulos fiscais que eram dados, US$ 7.500 por veículo elétrico, acabaram”, explicou.

Perda para o México

Neste turbulento momento imposto pelos Estados Unidos, o Brasil poderá perder competitividade para o México. “No Brasil, nós vamos ter impacto nos investimentos e isso não tem a menor dúvida. Algumas marcas serão muito impactadas, outras pouco e outros zero. De maneira geral, haverá um impacto no mercado da América Latina, que sofrerá maior concorrência de produtos mexicanos, principalmente, de veículos e peças”.

Com elevação para 25% do imposto de importação de veículos dos Estados Unidos, o México terá capacidade ociosa. “O México tem livre comércio com o Brasil e menor custo de produção de veículos leves. Dos investimentos que estão sendo anunciados para o Brasil, parte poderá ser deslocada para utilizar a capacidade ociosa do México. E o setor de autopeças será impactado pela elevação tarifária pela importância dos Estados Unidos no saldo comercial. Esses são os principais impactos que nós, como Anfavea, estamos prevendo. Não tem a menor dúvida que temos muitas oportunidades pela frente. Inclusive, o Brasil tem que se valer desse momento para aumentar suas exportações”, defendeu.

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