A baixa taxa de reciclagem não é só no Brasil, é uma questão global. Somente 3,8% provêm de resíduos domésticos. A maior parte dos materiais reciclados é de resíduos industriais e de demolição
Por: Karin Fuchs
Em 17 de maio de 2005, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) instituiu a data como o Dia Mundial da Reciclagem. Apesar de o Brasil ser referência global na reciclagem de latas de alumínio, com uma taxa de 99%, e se destacar na reciclagem de embalagens de defensivos agrícolas, com uma taxa de 94%, ainda reciclamos muito pouco.
Segundo dados da International Solid Waste Association (ISWA), no Brasil, apenas 4% dos resíduos sólidos que poderiam ser reciclados seguem para esse destino. O índice é bem abaixo de países como Chile, Argentina, África do Sul e Turquia, com uma média de 16% de reciclagem, e mais ainda quando comparado com a Alemanha, país que tem um índice de reciclagem de 67%. O índice brasileiro também está abaixo da meta de 20% estabelecida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) para este ano.
Vale destacar que os principais agentes do processo de reciclagem são os catadores e as catadoras de recicláveis. Ainda que tenha aumentado o número de municípios com coleta seletiva, 38% do total, 5% acima do ano passado, ainda há um longo caminho a percorrer e não só no Brasil.
De acordo com o Circularity Gap Report 2025, relatório produzido pela consultoria Deloitte e pela organização internacional Circle Economy, de um total de 106 bilhões de toneladas de materiais utilizados anualmente pela população global, apenas 6,9% têm origem na reciclagem, o que significa dizer que aproximadamente 90% dos materiais extraídos, manufaturados e consumidos globalmente não são reinseridos na economia.
A baixa taxa de reciclagem tem impactos direto na emissão de poluentes, além da contaminação do solo pelo descarte inadequado de resíduos. Para exemplificar, para se obter uma tonelada de alumínio virgem, a emissão de carbono é mais de 90% superior do que a obtida pelo alumínio reciclado.
Ainda de acordo com Circularity Gap Report 2025, a maior parte dos materiais reciclados é de resíduo industrial e de demolição. Apenas 3,8% provêm de resíduos domésticos. O estudo também aponta que se todos os materiais possíveis de reciclar assim fossem, a circularidade global passaria de 6,9% para 25% sem redução de consumo. E o planeta agradeceria!