No varejo de autopeças, onde margens são apertadas e o parcelamento é quase obrigatório, o Pix Parcelado pode significar um ganho importante de fluxo de caixa
Por: Karin Fuchs
Lançado em novembro de 2020, o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, é hoje um dos principais meios de pagamento no comércio, especialmente, no e-commerce e nas vendas presenciais de pequeno e médio portes. Desde fevereiro, os usuários já dispõem do Pix por Aproximação, e depois de 16 de junho, todos poderão utilizar o Pix Automático; e ainda neste ano, em novembro, será a vez do Pix Parcelado.
Segundo Marcello Marin, contador, administrador, mestre em Governança Corporativa e especialista em Recuperação Judicial, “em 2025, o Pix se consolida como uma plataforma de movimentação financeira completa, com recursos que beneficiam tanto empresas quanto consumidores e com regras mais rigorosas para as instituições participantes, aumentando a segurança e a credibilidade do sistema”, afirmou.
No primeiro trimestre deste ano foram feitas 1,81 bilhão de transações com o Pix, 5% acima do mesmo período de 2024. No balanço anual de 2024 do Banco Central, 63,8 bilhões de transações foram realizadas, 52% a mais que em 2023. Com base em dados do Banco Central e da Febraban, mais de 11 milhões de empresas já aderiram ao Pix no Brasil. “No setor varejista, essa adesão é particularmente alta, dado o apelo por transações instantâneas e o baixo custo. Hoje, o Pix já aparece entre os principais meios de pagamento no comércio, especialmente no e-commerce e nas vendas presenciais de pequeno e médio portes”, comentou Marin.
Pix Automático
Na avaliação de Marin, o Pix Automático representa um avanço significativo para o varejo. “Ele permite que empresas programem cobranças recorrentes, como mensalidades, assinaturas e planos, com mais agilidade e menor custo em comparação aos tradicionais boletos ou débito automático bancário. Além disso, reduz a inadimplência ao permitir uma automação mais confiável dos recebimentos. No entanto, é um pouco irônico observar que o Pix, criado para ser um sistema gratuito e eficiente, esteja começando a ganhar tarifas em algumas funcionalidades, como no Pix Agendado. Isso levanta um alerta: será que estamos migrando de um sistema bancarizado caro para um Pix que, aos poucos, também será tarifado?”, questionou.
Pix Parcelado
Quanto à modalidade Pix Parcelado, Marin explicou que ele tem potencial para ser uma verdadeira disrupção. “Isso porque permite o parcelamento direto entre comprador e vendedor, sem necessariamente depender de intermediários como bandeiras de cartão ou adquirentes. No varejo de autopeças, por exemplo, onde margens são apertadas e o parcelamento é quase obrigatório, isso pode significar um ganho importante de fluxo de caixa. Mas para isso funcionar bem, será essencial uma boa gestão de risco e garantia de recebíveis, o que ainda está em fase inicial nesse modelo”, afirmou.
A grande promessa do Pix Parcelado, destacou Marin, é justamente reduzir a dependência do cartão de crédito e suas altas taxas de antecipação. “Hoje, varejistas pagam até 4% em taxas por vendas parceladas no cartão. Com o Pix Parcelado, essa taxa pode cair drasticamente, dependendo da instituição ofertante. Além disso, o dinheiro entra mais rápido na conta da empresa. Mas é importante garantir que esse novo modelo não seja capturado pelas mesmas instituições financeiras que hoje dominam o crédito, senão, estaremos apenas trocando seis por meia dúzia”, comentou.
Questionado se o Pix substituirá os cartões de débito e crédito, se tornando o principal meio de pagamento, Marin respondeu que ainda não, mas o caminho está sendo trilhado com força. “O Pix já superou o número de transações com cartões de débito no Brasil. O crédito ainda é mais complexo por envolver financiamento, mas com o avanço do Pix Parcelado e do Pix Garantido, há sim um movimento claro de substituição. O risco, no entanto, é o Pix perder seu diferencial se começar a ser tarifado como os modelos tradicionais. A ideia era um sistema rápido, seguro e barato. Esse princípio não pode ser perdido no meio do caminho”, finalizou.
O Pix Garantido está em desenvolvimento pelo Banco Central e permitirá parcelar compras e realizar pagamentos mesmo sem saldo na conta, de forma similar ao parcelamento em cartão de crédito.