Manual prático: como se tornar especialista em Operações

O autor do manual treinou mais de 1.500 profissionais ao longo da sua carreira. Pelo seu know how, além da escassez de mão de obra, falta uma formação eficiente

Por: Karin Fuchs

Para ajudar as empresas na gestão de operações, o executivo Paulo Roberto Costa da Silva Júnior lançou o ‘Manual prático da gestão de Operações – Como se tornar especialista na área de Operações’. Com mais de 20 anos de atuação na liderança operacional das três maiores empresas de estacionamentos do País, Estapar, Moving (atual Park Indigo) e Auto Park, ele defende que o problema vai além da escassez de mão de obra, passa também por uma formação deficiente, que não prepara os profissionais para a realidade das empresas. Ao longo de sua carreira, ele treinou mais de 1.500 profissionais

Confira a entrevista!

Balcão Automotivo – O que é a gestão de operações e como ela se relaciona com áreas de suporte?

Paulo Roberto Costa da Silva Júnior – A gestão de operações envolve planejar, organizar e supervisionar processos de produção/serviços para garantir eficiência e alinhamento com os objetivos estratégicos. Relaciona-se, principalmente, com áreas como Finanças (Controle de custos e orçamentos), RH (Treinamento, alinhamento de metas e clima organizacional), Marketing/Vendas (Alinhamento entre demanda e capacidade operacional). A colaboração com essas áreas “backoffice” é crucial para evitar gargalos e garantir recursos adequados.

BA – Pela sua experiência, quais são as principais dificuldades em contratar profissionais para vagas operacionais?

PJ – A falta de habilidades técnicas específicas, como conhecimento em processos operacionais e ferramentas de gestão. Dificuldade em encontrar candidatos com competências comportamentais essenciais, como proatividade, comprometimento, resiliência e capacidade de trabalhar sob pressão. E também o desalinhamento entre as expectativas dos candidatos e a realidade das vagas, especialmente em relação à carga horária e condições de trabalho.

BA – No manual, quais são os principais tópicos que o senhor destaca para os profissionais se destacarem em ambientes operacionais?

PJ – Liderança eficaz: Isto significa ter visão clara das metas e saber comunicar, saber lidar com a gestão de conflitos, ser exemplo em ação e conhecer e respeitar as pessoas.

Gestão de processos: Entender o que é um processo, saber quais são os processos de sua empresa e como implantá-los e mantê-los.

Atendimento ao cliente: Entender quem é seu cliente e o que ele precisa, entregar excelência no serviço.

Gestão de tempo e produtividade: Priorização, delegação e uso de ferramentas tecnológicas.

Conhecimento técnico: Saber aplicar a tecnologia ao negócio, conhecer seu produto, treinar seu time.

BA – E quais são as dicas para elevar a produtividade das equipes e o papel da liderança?

PJ – Liderança: Seja exemplo, comunique-se com clareza, promova feedback constante e respeite as pessoas.

Produtividade: Priorize tarefas, das mais importantes para as menos importantes; automatize processos repetitivos; incentive a colaboração e o reconhecimento e tenha procedimentos operacionais claros e treine a equipe neles.

Engajamento: Conheça sua equipe, ofereça treinamentos e crie um ambiente de confiança.

BA – Quais dicas que o senhor coloca no livro que vão desde o planejamento e organização do dia a dia até a gestão de estoque, passando pela cadeia de suprimentos, manutenção e riscos?

PJ – Planejamento: Defina metas claras e monitore indicadores (KPIs).

Organização: Padronize processos e utilize ferramentas como fluxogramas.

Estoque: Adote métodos como Just-in-Time e FIFO (First in First out) (são antigas, mas funcionam) para reduzir custos.

Cadeia de suprimentos: Saiba comprar e abuse da tecnologia.

Manutenção: Implemente manutenção preventiva e monitore indicadores.

Riscos: Identifique ameaças, crie planos de contingência e treine equipes.

BA – Em sua opinião, quais falhas ainda acontecem nas empresas na gestão de operações?

PJ – Falta de processos ou padronização deles e a comunicação ineficiente entre a liderança de Operações e as suas equipes e entre a Operação e as diferentes áreas da empresa. Resistência à mudança e à adoção de tecnologias. Gestão reativa (em vez de preventiva) de problemas. Subutilização de dados para tomada de decisão e falta de indicadores (KPIs).

BA – Muitas empresas ainda falham na análise de dados, o quanto a tecnologia facilitou esta tarefa?

PJ – A tecnologia facilitou muito, pois antes a realidade era a dependência de planilhas manuais e relatórios demorados, com alto risco de erros. Hoje, temos ferramentas como Power BI, CRM e ERP que permitem análise em tempo real, identificação de tendências e decisões ágeis. Como exemplos, temos os sistemas da Amazon e Toyota para prever demanda e otimizar estoque.

BA – Para finalizar, quais outros pontos do manual o senhor gostaria de destacar?

PJ – Melhoria contínua: Cultura de aprendizado, adaptação e Inovação (ex.: metodologias Lean e Six Sigma).

Gestão de crises: Prepare-se para imprevistos com planos de ação e comunicação transparente.

Desenvolvimento pessoal: Invista em formação acadêmica e habilidades técnicas, mas principalmente nas habilidades comportamentais (softs skills).

Ética e profissionalismo: respeito ao ser humano, postura e comprometimento.

Dica final: O livro enfatiza que o sucesso operacional depende de equilíbrio entre pessoas, processos e tecnologia, com foco em resultados e melhoria constante.

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