Falar em automobilismo e ESG pode parecer contraditório à primeira vista. Durante muito tempo, a imagem das corridas esteve associada ao alto consumo de combustíveis e à emissão de poluentes. Mas essa realidade vem mudando de forma consistente, mesmo que silenciosa. A transformação nas pistas em direção à sustentabilidade está em curso, com o uso de tecnologias híbridas, elétricas e de biocombustíveis. A Fórmula E já está em sua décima primeira temporada com carros 100% elétricos. A própria Fórmula 1 adotou motores híbridos e trabalha com metas ambientais agressivas para os próximos anos. No Brasil, a Stock Car acaba de estrear um novo carro com menor emissão e ruído, enquanto a TCR internacional já anunciou o uso exclusivo de biocombustível.
Essas mudanças são resultado de investimentos, pesquisas e da necessidade de equilibrar inovação com a continuidade do negócio. O automobilismo é um laboratório para a indústria automotiva e, por isso, precisa evoluir de forma segura e eficiente. Não se trata de fazer ESG para mostrar ao mundo, mas de realmente incorporar essas práticas com responsabilidade.
Outro aspecto importante dessa transformação é o social. A diversidade tem se tornado realidade nas pistas e nos bastidores. Hoje vemos mais mulheres atuando como engenheiras, estrategistas, mecânicas e até pilotas. Também há maior presença de negros e profissionais de diferentes origens. Essa inclusão é fruto de muito esforço, preparo e mérito. É um processo irreversível, que torna o esporte mais representativo e justo.
Quando falamos de governança, o desafio é maior. A estrutura do automobilismo ainda é complexa, com muitas camadas entre federações, confederações e organizadores. A profissionalização e a transparência são pontos que ainda precisam evoluir. Muitos projetos ainda nascem e se mantêm com base na emoção, e falta um esforço mais consistente para tornar o ambiente mais confiável para investidores e patrocinadores.
O automobilismo, assim como o setor automotivo como um todo, precisa caminhar em direção à sustentabilidade, à inclusão e à boa gestão. É um processo que exige tempo, planejamento e apoio. Incentivos fiscais e políticas públicas poderiam acelerar essa transição, desde que o setor também faça sua parte e atue de forma organizada. O futuro já chegou às pistas, e cabe a todos nós acelerar com consciência rumo a um esporte e uma indústria mais sustentáveis.