Após resultados expressivos no Brasil, ela vai expandir os projetos digitais da ZF para outras regiões, unindo inovação, experiência e visão estratégica global
Por: Silvio Rocha
Fernanda Giacon, com 23 anos de experiência na ZF, assume um novo desafio à frente do marketplace global da empresa em Barcelona, na Espanha. Responsável por projetos que conectam distribuidores, varejistas, oficinas e frotas, ela compartilha nesta entrevista sua trajetória, aprendizados, visão sobre o mercado automotivo digital e a relevância da presença feminina em posições de liderança.
Balcão Automotivo: Muito bom! Então, para começar, parabéns pelo novo desafio — um grande desafio, sem dúvida. Queria que você contasse como surgiu esse convite para liderar o escritório da ZF em Barcelona.
Fernanda Giacon: Esse convite veio muito em função do trabalho que temos realizado no Brasil. Nosso maior desafio hoje é levar cada vez mais suporte técnico, novidades e ferramentas para os mecânicos, ajudando as oficinas a crescerem, sobreviverem e prosperarem.
Nos últimos anos, lançamos várias iniciativas: programa de treinamento; suportes direcionados aos donos de oficinas; plataforma de agendamento e relacionamento; e, mais recentemente, o marketplace. Muitos desses projetos já se tornaram globais. Agora, minha missão em Barcelona será fortalecer essa conexão internacionalmente.
BA: Então você continua com suas atribuições aqui no Brasil e vai agregar responsabilidades em Barcelona, é isso?
FG: Exatamente. Algumas atribuições não vou mais manter — não serei mais responsável pelo marketing e pela excelência comercial. Vou me dedicar 100% à linha de serviços que chamamos de marketplace global, continuando com o projeto no Brasil e expandindo-o internacionalmente.
BA: Como foi esse convite para atuar fora do Brasil? Já era um objetivo seu ou surgiu de outra forma?
FG: Na verdade, foi um processo seletivo. Havia outros candidatos, inclusive executivos da Europa, e eu era a única de fora da Europa e também a única mulher já na etapa final de seleção. Meu diferencial foi o trabalho que realizamos no Brasil, a experiência com o ecossistema completo e o conhecimento da ZF. No fim, eles viram que eu poderia contribuir, e levarei o jeito brasileiro para o escritório de Barcelona, inaugurando nossa comunidade no local.
BA: Essa mudança vai ser grande, saindo do interior de São Paulo para Barcelona. Como será com a família?
FG: Com certeza, a família é meu valor mais forte. Tenho dois filhos, sou casada, e aqui em casa é assim: ou vai todo mundo, ou não vai ninguém. Eles estão muito animados, principalmente meu filho, apaixonado por futebol.
BA: Quais aprendizados você teve com o marketplace no Brasil que gostaria de levar para Barcelona?
FG: Alguns pontos-chave:
- A força da marca ZF, que garante credibilidade e segurança.
- Criar soluções que façam sentido para todos os elos da cadeia, melhorando eficiência e gestão de estoques.
- Digitalização que eleva a maturidade do mercado, como a plataforma de agendamento que conecta oficinas e distribuidores.
- Experiência do consumidor e transparência, fortalecendo confiança nas oficinas.
BA: Pensando no aftermarket automotivo, como a cadeia pode se adequar aos marketplaces como Mercado Livre, Shopee e Amazon?
FG: Vejo dois caminhos: B2C, voltado ao consumidor final, e B2B, voltado a oficinas, que tem maior potencial. O marketplace traz eficiência, rapidez, transparência e competitividade, resolvendo problemas de compra que não fazem parte da atividade-fim das oficinas. Plataformas como o ZF [pro]Parts já demonstram isso com milhares de ofertas disponíveis em segundos.
BA: Aproveitando sua experiência e destaque, qual a importância do papel das mulheres em posições de liderança? E que conselhos você daria para quem deseja atuar em projetos internacionais?
FG: A presença feminina no setor automotivo tem crescido, mas ainda há espaço para avançar. É essencial inspirar crianças, dar voz e mudar mentalidades. Para atuar internacionalmente, é importante:
- Mostrar resultados e impacto do seu trabalho;
- Ter mentores e aprender com erros;
- Contar com um ambiente que dê suporte e oportunidades;
- Estar cercado de pessoas talentosas para elevar o próprio desempenho.
BA: Com a mudança para Barcelona, você já tem foco inicial em objetivos, metas e liderança do marketplace global?
FG: Já estudamos países como México, Índia, China e alguns da Europa, mas ainda não definimos metas exatas. A partir do dia 1º de setembro, vamos analisar os dados e traçar estratégias claras, consolidando o ecossistema que deu certo no Brasil e acelerando a internacionalização.