A primeira corrida noturna de caminhões da história aconteceu em Cascavel, no Autódromo Internacional Zilmar Beux, no dia 12 de julho de 2025, como parte da Copa Truck Petrobras. Achei a proposta super válida. É algo novo, diferente do que estamos acostumados, e a dinâmica da prova muda bastante, criando um clima especial para quem assiste.
Visualmente, o espetáculo impressiona — principalmente pelas câmeras. Mas do ponto de vista de quem está no volante, a sensação é outra.
A reta principal estava muito bem iluminada, dava até gosto de acelerar ali. O restante da pista tinha uma iluminação razoável — não perfeita, mas suficiente para guiar com segurança. Conseguíamos identificar bem os pontos de frenagem, as curvas e as tangências, o que já é meio caminho andado.
E o mais importante: praticamente não tivemos batidas. O respeito entre os pilotos foi grande. Todo mundo sabia que no dia seguinte tinha mais corrida, com warm-up logo cedo, às 8 da manhã. Qualquer impacto poderia comprometer o trabalho das equipes para deixar os caminhões prontos para o dia seguinte. Teve consciência, estratégia e cuidado.
Agora, falando a real: quem pode julgar melhor mesmo são os que assistiram de fora. Dentro da cabine, nossa percepção é muito limitada. Já corri bastante de kart à noite, e é bem diferente. No kart, a pista é menor, a iluminação é bem distribuída e a visão, mais ampla. No caminhão, parece que você está num túnel escuro — a cabine é um ambiente fechado e isolado. A visibilidade muda muito.
Eu, sinceramente, prefiro correr durante o dia. A luz natural ajuda muito. Mas se a pista for bem iluminada, com estrutura que dispense até o uso dos faróis — que, aliás, atrapalharam mais do que ajudaram, especialmente nas câmeras —, dá pra pensar em mais corridas noturnas sim. Funcionou bem, foi diferente e trouxe algo novo, o que é sempre positivo.
Acho que essa experiência pode servir de inspiração para outros autódromos. Se houver uma boa estrutura de iluminação, pode ser uma saída excelente, especialmente em regiões muito quentes. Porque, vamos falar a verdade: correr de caminhão no sol de meio-dia, com 40 graus no asfalto, ninguém merece. À noite, o motor ‘respira’ melhor, o piloto também. Só não pode faltar luz.
No fim, a experiência foi válida. Agora quero saber: quem assistiu, como foi? Curtiu? Porque, do lado de cá, foi diferente — e muito interessante.
3º EPISÓDIO DA SÉRIE ALTA PERFORMANCE | COPA TRUCK
No estúdio: Silvio Rocha (Balcão Automotivo), os pilotos Jô Augusto e Paulo Salustiano, e, representando os patrocinadores, Wagner Fonseca (Modefer) e Ricardo Ribeiro (Ampri).
