BA|226 Os movimentos no mercado de veículos novos e usados

Anfavea refaz revisões para o término do ano, com a alta das exportações compensando o desempenho do mercado interno. No segmento de usados, a Fenauto mantém o que foi projetado inicialmente

Em pouco tempo, o programa Carro Sustentável foi responsável pelo crescimento de 16,7% nas vendas de automóveis no varejo, nas três primeiras semanas seguintes que entrou em vigor, segundo a Anfavea. Pelas contas da Fenabrave, o aumento foi de 11,35% em julho sobre o mês anterior. Em vigor desde o dia 11 de julho deste ano, o programa isenta o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos de entrada fabricados no Brasil, compactos com alta eficiência energética-ambiental.

São cinco marcas participantes do programa. Em julho deste ano, elas responderam por 95.305 unidades emplacadas, antes do decreto, em julho de 2024, os modelos dessas marcas que se encaixam no programa totalizaram 85.588 emplacamentos. “A nova política de IPI para automóveis impactou os preços dos veículos de entrada, o que estimulou a demanda já no mês da sua implementação e deve refletir nos emplacamentos do restante do ano, fazendo com que o setor mantenha o crescimento estimado pela Fenabrave, de 5%”, afirmou Arcelio Junior, presidente da Fenabrave.

Na avaliação de Igor Calvet, presidente da Anfavea, “programas de redução de imposto como este são bem-vindos pelo seu caráter ambiental, pelo maior acesso a modelos zero quilômetro e por movimentar a rede de concessionárias. Mas só melhorias na condição de crédito e a substituição de importações por produtos locais podem levar a um aquecimento mais acelerado das vendas dos nossos veículos e, por tabela, da produção”.

No geral, incluindo veículos leves e pesados, a Fenabrave registou 243.225 emplacamentos em julho, 14,25% acima do mês anterior e 0,8% a mais do que em julho de 2025. Leves e pesados participaram com 229.948 unidades, 13,75% acima do mês anterior, porém, abaixo das 227.265 unidades emplacadas em julho do ano passado. Caminhões e ônibus somaram 13.277 unidades em julho, resultado 23,70% superior ao mês anterior, mas abaixo das 14.039 unidades emplacadas no mês de julho de 2024. Vale destacar que julho teve três dias a mais do que no mês anterior.

Quando analisados os resultados do acumulado do ano, com um total de 1.441.977 de veículos leves e pesados emplacados, houve um avanço de 4,12% sobre janeiro a julho de 2024. Deste total, automóveis tiveram uma participação de 1.060.362 unidades, 3,27% acima do acumulado de 2024.

Eletrificados

Ainda que não sejam tão representativos no volume total de emplacamentos, os veículos eletrificados têm aumentado a sua participação. Pelos números da Anfavea, no mês de julho foram 25.100 automóveis e comerciais leves emplacados. A maior participação foi dos híbridos, com um total de 10.200 unidades. Juntos, eles responderam por 10,9% do total de emplacamentos de veículos leves, com uma presença cada vez mais relevante de veículos híbridos brasileiros. Já no acumulado do ano, cerca de 88 mil veículos chineses foram emplacados, 41,2% acima de janeiro a julho de 2024.

O balanço da Fenabrave demonstra que 101.645 automóveis e comerciais leves híbridos foram emplacados de janeiro a julho, 73,18% acima do mesmo período do ano passado, enquanto os leves elétricos puros somaram 37.536 unidades; uma expansão de 4,63% sobre o acumulado de 2024.

Desempenho dos pesados

No segmento de caminhões e ônibus, 13.277 unidades foram emplacadas em julho, 23,7% acima do mês anterior. Ambos tiveram resultados positivos no mês: caminhões, 10.524 unidades, alta de 25,66% sobre junho, e ônibus, 2.754 unidades, 16,74% a mais do que no mês anterior. “É um bom início de semestre (para caminhões), mas devemos lembrar que o mercado permanece desafiado pelo crédito caro e pela cautela nos investimentos por parte de setores da economia”, ponderou o presidente da Fenabrave. No acumulado do ano, o segmento de pesados computou 80.812 unidades emplacadas, pouco acima das 80.800 unidades no período de janeiro a julho de 2024. Enquanto caminhões tiveram de 3,85% na mesma base de comparação, com um total de 63.943 unidades, ônibus apresentaram uma expansão de 18%, somando 16.869 unidades, muito influenciado pelo programa Caminho da Escola.

Segundo análise de Arcelio Junior, “na primeira parte do ano, tivemos um volume total de emplacamentos (de ônibus) bastante superior aos volumes comparativos a 2024, em função do programa Caminho da Escola, mas esses volumes estão se esgotando ao longo dos meses, indicando queda no crescimento das vendas, conforme as projeções da Fenabrave, que apontam para um aumento de 6%”, afirmou.

Revisão das projeções

Pelo cenário macroeconômico, incluindo a elevação dos juros, e as medidas adotadas pelo governo Trump, entre outras variáveis macroeconômicas, a Anfavea refez as suas projeções para o final do ano. Por elas, as exportações, aquecidas, principalmente, para a Argentina, tendem a compensar os resultados das vendas internas.

Anteriormente, a expectativa era de um incremento de 6,3% nas vendas internas em relação a 2024, passando para 5%, ou um total de 2.765.000 milhões de emplacamentos no ano. Para as exportações, a expectativa de alta era de 7,5%, subindo para 38,4% sobre 2024, totalizando 551 mil unidades; a participação da Argentina nas exportações subiu de 35,1% no acumulado de 2024 para 58,9% neste ano.

Para a produção de veículos, as projeções se mantiveram em 7,8% neste ano sobre 2024, chegando a 2.749.00 unidades: 2.580.000 veículos leves e 168.600 pesados. No acumulado do ano foram 1.469.300 veículos produzidos, 1.372.330 leves e 97.100 pesados, 6,1% acima do mesmo período de 2024. “Apesar dos juros elevados e de um ingresso acima do razoável de produtos importados, precisamos continuar recuperando os volumes de produção, o que gera ganhos e empregos a toda a extensa cadeia automotiva”, ressaltou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

Recorde nas vendas de usados

O mês de julho foi recorde de vendas de veículos usados, desde que a Fenauto começou a tabular os dados do mercado. Com um total de 1.711.074 unidades transacionadas, o crescimento foi de 19,1% sobre junho e 16,6% acima de julho de 2024. No acumulado do ano, a entidade computa um crescimento de 14,2% em relação ao mesmo período do ano passado, soando 10.061.523 veículos comercializados, além de manter um novo patamar de vendas diárias, em torno de 75.000 veículos, o maior registrado até agora.

Segundo Enilson Sales, “o resultado é excepcional em vista das incertezas do mercado. Ainda temos uma expectativa positiva para o fechamento do ano com um bom resultado em torno de 16 milhões de veículos comercializados, mas isso depende muito do comportamento da economia e do crédito na praça. Estamos acompanhando esses fatores com muita atenção”, afirmou o presidente da Fenauto.

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