Minas Gerais foi punk este ano na Copa Truck, sério. Duas etapas tão próximas — Potenza e Curvelo —, cada uma com seus desafios.
Em Potenza, perto de Juiz de Fora, o circuito é apertado, cheio de curvas travadas — a famosa Serrinha. Larguei em último depois de ser excluído no classificatório. O caminhão havia sido montado correndo, apenas 15 dias antes, e deu um trabalho danado: falhas elétricas, ajustes de última hora, aquele sufoco que todo mundo conhece. Terminei a primeira corrida em 10º, mas fechei a segunda em quinto. Consegui chegar ao pódio! Foi no limite, mas valeu cada esforço. O Salu largou em 18º na primeira corrida. Na segunda, partiu de terceiro e vinha muito bem, mas acabou prejudicado por uma batida. Uma pena, porque ele tinha chance real de pódio. Na pista, o toque é normal, mas quando acontece, muda tudo. É adrenalina pura, e cada decisão conta.
Em Curvelo, o desafio mudou. A pista é linda, mas traiçoeira, com curvas cegas e muros muito próximos. Testei meu novo câmbio e ainda não me acertei totalmente, mas aprendi bastante. O Salu largou em oitavo na primeira corrida e em terceiro na segunda, subindo para segundo, mas uma falha na turbina acabou com a corrida dele.
O número de caminhões cresce a cada etapa. Com até 40 caminhões na pista, as disputas entre Pro e Elite ficam intensas e, às vezes, perigosas. Estamos conversando para separar as categorias, porque segurança e visibilidade na TV importam. Cada parada, cada safety truck, cada paralama quebrado interfere diretamente na estratégia.
Mas o que me deixa feliz mesmo é o público. Em Potenza, o pessoal sobe nos barrancos e vê a corrida inteira de um ponto só. É rústico, mas sensacional. Curvelo teve menos gente, mas igualmente apaixonada. Ver clientes e fãs nos boxes, vibrando, tirando foto e torcendo, mostra por que corro.
Quando comecei em 2019, eram apenas 16 caminhões e nenhuma empresa de autopeças envolvida. Hoje temos marcas, distribuidores, todo mundo engajado. Isso fortalece o evento e o nosso trabalho.
Apesar de tropeços e sufoco, sigo motivado. A temporada de 2025 testou minha paciência e perseverança. Agora é olhar para frente — Londrina e São Paulo —, tentar classificar bem, buscar pontos e, principalmente, voltar a comemorar no pódio. Cada troféu conquistado, mesmo no sufoco, é prova de que nunca podemos desistir.