No dia 19 de novembro, celebra-se o Dia do Empreendedorismo Feminino, uma data criada pela ONU para reconhecer e incentivar o papel das mulheres na economia mundial. No Brasil, o movimento ganha força ano após ano, impulsionado por histórias de mulheres que decidiram romper barreiras, criar oportunidades e liderar com propósito como é o caso de Shyrly Cristofoletti, empresária e CEO do Grupo Lush, holding que hoje reúne empresas de diferentes segmentos, como os buffets Voilà e Magia e Cia, além do Instituto Le Belare, voltado à saúde e bem-estar feminino.
Shyrly, que começou a empreender ainda jovem, simboliza a nova geração de mulheres que ocupam posições de liderança à frente de múltiplos negócios, sem abrir mão de valores como empatia, inovação e colaboração. Para ela, o empreendedorismo feminino vai além de abrir uma empresa é sobre gerar impacto, dar visibilidade à força das mulheres e construir ambientes de trabalho mais humanos e inclusivos.
“Empreender é um ato de coragem, especialmente para as mulheres. Ainda enfrentamos preconceitos, falta de incentivo e uma sobrecarga que vai muito além do ambiente profissional. Mas, quando transformamos desafios em aprendizados, descobrimos a potência de sermos protagonistas das nossas próprias histórias”, afirma Shyrly.

O cenário atual do empreendedorismo feminino
Segundo dados do Sebrae, o Brasil já soma mais de 10 milhões de mulheres empreendedoras, representando cerca de 34% dos negócios ativos no país o maior índice da história. Essa expansão é reflexo de um movimento que combina independência financeira, criatividade e propósito. No entanto, o caminho ainda é repleto de obstáculos, como o acesso restrito a crédito, a falta de políticas de incentivo e o desafio de equilibrar a vida pessoal com as demandas empresariais.
Para Shyrly, o segredo está em planejar com consciência e agir com autenticidade.
“Muitas mulheres acham que precisam ser perfeitas para começar, mas o essencial é dar o primeiro passo com clareza e consistência. O empreendedorismo é um processo, e cada etapa ensina algo sobre o negócio e sobre si mesma”, ressalta.
Lições de uma empresária multissetorial
À frente de empreendimentos que unem entretenimento, gastronomia e bem-estar, Shyrly aprendeu que a diversificação inteligente é uma das chaves para a sustentabilidade dos negócios. A Voilà e a Magia e Cia, por exemplo, tornaram-se referências em experiências personalizadas para eventos, enquanto o Instituto Le Belare nasceu com o propósito de promover saúde íntima e autoestima feminina.
Mais do que administrar empresas diferentes, ela acredita em criar sinergia entre propósitos.
“Tudo o que construí tem uma base comum: cuidar de pessoas. Seja em um evento, em um restaurante ou em um instituto de saúde, o foco está na experiência humana. Quando você empreende com esse olhar, as decisões se tornam mais claras e os resultados mais consistentes”, explica.
Dicas de Shyrly Cristofoletti para quem quer empreender
Com a experiência de liderar uma holding e centenas de colaboradores, Shyrly compartilha orientações valiosas para mulheres que sonham em começar ou consolidar seus negócios:
- Conheça a si mesma antes de conhecer o mercado
Empreender exige autoconhecimento. Entender seus limites, habilidades e motivações é o primeiro passo para traçar uma estratégia coerente.
- Cerque-se de pessoas complementares
“Ninguém cresce sozinha. É preciso ter uma equipe que acredita no mesmo propósito, mas que traga olhares diferentes. A diversidade é o que faz uma empresa evoluir.”
- Tenha clareza financeira desde o início
Muitas empresas quebram não por falta de vendas, mas por falta de controle. Planejamento, fluxo de caixa e acompanhamento de indicadores devem fazer parte da rotina desde o primeiro mês.
- Transforme desafios em aprendizados
Os erros fazem parte da jornada e devem ser vistos como etapas de crescimento. “Cada dificuldade é uma oportunidade de aprimorar o modelo de negócio”, diz Shyrly.
- Cultive redes de apoio e conexões reais
Participar de eventos, grupos de empreendedoras e projetos colaborativos amplia oportunidades e fortalece o posicionamento no mercado.
O legado e o futuro do empreendedorismo feminino
O aumento do número de mulheres à frente de empresas é um avanço, mas ainda há muito a ser feito. A presença feminina em cargos de liderança segue limitada, e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional continua sendo um desafio cultural. Shyrly defende que o empreendedorismo é também uma ferramenta de transformação social.
“Quando uma mulher empreende, ela muda não só a própria realidade, mas também a da sua família, dos seus funcionários e da comunidade ao redor. O impacto é coletivo, e por isso é tão importante incentivar e apoiar umas às outras.”
Conclusão
O Dia do Empreendedorismo Feminino é mais do que uma celebração: é um lembrete do poder da ação e da necessidade de políticas e culturas empresariais que fortaleçam o protagonismo das mulheres.
Shyrly Cristofoletti representa essa força transformadora de quem acredita que o sucesso não se mede apenas pelo crescimento financeiro, mas pelo impacto humano e social que um negócio é capaz de gerar.
“Ser mulher e empreendedora é viver em constante movimento. É equilibrar razão e emoção, estratégia e sensibilidade. E é justamente essa combinação que torna as mulheres líderes tão potentes”, conclui.